Economia

Baixo investimento em relação ao PIB preocupa economistas em Minas

Apesar da riqueza gerada, estados e país enfrentam gargalos como juros altos e falta de planos estruturais que freiam o desenvolvimento econômico
Baixo investimento em relação ao PIB preocupa economistas em Minas
Índice de investimentos em relação ao PIB é considerado baixo e afeta o crescimento econômico | Foto: Reprodução Adobe Stock

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais atingiu R$ 1,1 trilhão no ano passado, o que representa quase 10% da geração de riquezas do País. Todavia, essa pujança na arrecadação de recursos nem sempre se converte em retorno de investimentos no Estado.

Por investimentos entende-se a aplicação de recursos privados e públicos em ações de infraestrutura, como a construção e conservação de estradas, rodovias e ferrovias, aporte em ampliação e implantação de fábricas, além de mecanismos fiscais e monetários.

De acordo com o pesquisador da Fundação João Pinheiro, Lúcio Barbosa, tanto o Estado quanto o País destinam percentuais muito baixos do PIB para incrementar o desenvolvimento econômico.

Os dados mais recentes do levantamento feito pela Fundação, em conjunto com o IBGE, sobre a relação PIB x investimentos de 2013 a 2021, indicam que o cenário continua preocupante. Os dados de 2024 ainda não foram divulgados.

“O levantamento é feito de três em três anos. E temos o seguinte cenário: em 2013, o investimento do PIB foi mais alto, com 24,3%; em 2016, caiu para 16,9%; em 2019, foi para 16,5%; em 2021, chegou a 19,5%, que também foi a média no Brasil nos últimos nove, dez anos”, disse o pesquisador.

Para Lúcio, uma das causas desse modelo de baixo investimento em relação ao que se arrecada com o PIB é uma velha conhecida, e rival, de dez entre dez empresários brasileiros: a taxa de juros.

“A taxa de juros real no Brasil é muito alta. Na hora em que o empresário toma a decisão de investir, ele faz essa comparação: vale a pena investir ou vale a pena deixar o dinheiro rendendo, seja em título público, seja em outro tipo de aplicação? Em geral, para que o investimento faça sentido, o projeto precisa ter um retorno muito alto”, comenta Lúcio.

“Acho que o principal gargalo deste cenário de menor investimento do PIB no Estado e no País é a taxa de juros, que encarece o crédito, os insumos e prejudica toda uma cadeia produtiva”, completa.

Confiança

Para que se crie um ambiente de confiança que estimule mais investimentos, é necessário reduzir os riscos para quem investe e garantir segurança institucional.

“Dificilmente uma empresa vai alocar recursos em um ambiente cuja arquitetura institucional talvez não favoreça ou não ofereça segurança suficiente para um investimento de longo prazo. Outro fator: o investimento público no Brasil é baixo. Isso também representa um gargalo”, disse o pesquisador da Fundação João Pinheiro.

Ainda segundo Barbosa, estudos da Fundação João Pinheiro e de outras instituições, como o IBGE e a Fundação Getulio Vargas, apontam uma complementaridade entre investimento público e privado. Quando o governo investe em infraestrutura, um gargalo expressivo no Brasil e em Minas Gerais, tende a aumentar a rentabilidade das empresas, barateando o escoamento da produção. Isso, por sua vez, estimularia novos investimentos por parte dos próprios empresários.

“Melhorar esse cenário precisa ser uma meta. Se olharmos para a série histórica, pode haver desânimo: na média, quando foi mais alto, o investimento do PIB no Brasil chegou a 20%, já é baixo. Na China, por exemplo, ultrapassa 40%. Portanto, mesmo que melhore um pouco e alcance 20%, ainda seria extremamente insuficiente”, disse Barbosa.

Sem planos estruturais

A formulação de um plano de infraestrutura que transforme, de fato, a realidade mineira e brasileira é urgente, caso o Estado e o País estejam dispostos a dar um novo passo no desenvolvimento.

“Falta um plano de investimento público muito mais ousado em infraestrutura rodoviária, ferroviária, em portos e aeroportos. O exemplo chinês foi de um investimento muito pesado em infraestrutura a partir dos anos 1970, que gerou esse crescimento. A Coreia do Sul também investiu em infraestrutura, mas igualmente em educação. Trazendo para a nossa realidade: os anos de expansão dos governos Getúlio Vargas e, depois, de Juscelino Kubitschek, e mais recentemente as iniciativas do PAC tiveram impacto, mas foram ações sem um lastro muito sólido, relativamente modestas. Seria necessário algo muito mais abrangente”, conclui.

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