Apesar do resultado positivo, o volume de lançamentos da MRV Engenharia recuou 51,7% de abril a junho | Crédito: Divulgação

Mesmo com o cenário desafiador imposto pelo Covid-19, a construtora e incorporadora MRV Engenharia Participações S/A, sediada em Belo Horizonte, encerrou o segundo trimestre de 2020 com novos recordes em vendas líquidas e repasses do programa habitacional Minha casa, minha vida (MCMV).

Também em consequência da pandemia, o volume de lançamentos e o nível de produção da companhia foram menores em relação a igual época do ano anterior.

Entre abril e junho deste exercício, a empresa totalizou R$ 1,81 bilhão e 11.479 unidades vendidas, sendo um acréscimo de 37,4% no valor frente ao mesmo período de 2019.

Já quando considerada a primeira metade deste ano, foram 21.973 unidades e o equivalente a R$ 3,48 bilhões. Nos primeiros meses do exercício passado, os números foram 17.252 unidades e R$ 2,62 bilhões, respectivamente.

As informações constam na prévia operacional divulgada pela construtora e, conforme o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da empresa, Ricardo Paixão, refletem a diversificação da atuação da MRV, bem como a valorização das pessoas à aquisição da casa própria.

“A MRV consegue transitar entre vários tipos de renda, ofertando diferentes empreendimentos, tendo a oportunidade de acelerar ou frear os lançamentos de uma faixa ou de outra, de acordo com o cenário”, explicou.

De toda maneira, o diretor ressaltou que, mais uma vez, o segmento de baixa renda, que representa o core business da companhia, demonstrou grande resiliência, o que deixa a companhia confiante em intensificar a produção em suas obras a partir dos próximos meses e que deverá resultar em um significativo aumento nas unidades produzidas.

“Foi assim na crise financeira anterior e agora nas dificuldades impostas pela pandemia. Obviamente, o cenário é ruim para a maioria, mas o setor imobiliário residencial está se beneficiando à medida que as pessoas estão passando a valorizar mais a experiência de ‘ficar em casa’ e buscando o imóvel próprio”, completou.

Além disso, conforme a empresa, durante todo o trimestre, a procura dos clientes se manteve em patamares elevados e a adoção de uma estratégia comercial mais agressiva se mostrou acertada. Assim como a estrutura tecnológica também permitiu que os efeitos negativos da pandemia sobre as vendas fossem mitigados.

MCMV – Já com a retirada da obrigatoriedade da participação da União no pagamento de parte dos subsídios do programa Minha casa, minha vida, que caberá exclusivamente ao FGTS até o fim de 2020, os repasses das vendas no último trimestre foram normalizados.

Desta forma, segundo Paixão, foi possível repassar um volume recorde de unidades no período e a empresa reportou geração de caixa de R$ 210 milhões.

“As expectativas para o segundo semestre são ainda mais positivas, considerando não apenas o cenário acerca da doença, que deverá estar mais controlado, mas também a continuidade da liberação dos recursos e da demanda”, apostou.

Em relação aos lançamentos, o balanço mostrou que o volume no trimestre atingiu a marca de 5.349 unidades, 51,7% abaixo dos mesmos meses do ano passado. No acumulado deste exercício, o número chegou a 12.068 unidades e R$ 2,025 bilhões.

Em função da pandemia, a MRV optou por alongar o período de vendas entre o lançamento dos empreendimentos e o início efetivo das obras no segundo trimestre.

Além disso, por determinação da legislação de alguns municípios e estados brasileiros, parte das obras tiveram suas atividades temporariamente suspensas em virtude das medidas de distanciamento social em combate ao coronavírus.

Estes fatores impactaram negativamente a produção no trimestre, que totalizou 7.976 unidades. Mas, de acordo com o executivo, ao fim de junho, a maior parte dos canteiros já estava funcionando normalmente e a companhia contava com apenas 2% de suas obras paralisadas em função da pandemia.

“A expectativa é que, em breve, a produção seja regularizada e as atividades sejam retomadas em 100%”, finalizou.