Além das vendas tradicionais, a MRV vem implementando um novo modelo de negócios, de construção de prédios para aluguel - Crédito: Divulgação/ MRV Engenharia

A MRV Engenharia e Participações S.A. fechou o primeiro semestre do ano com lucro líquido de R$ 379 milhões, registrando alta de 16,4% frente a igual período de 2018, quando o valor chegou a R$ 326 milhões. Na comparação trimestral, o aumento foi de 14,6%: no segundo trimestre de 2019, o lucro líquido foi de R$ 190 milhões, enquanto em igual período de 2018, o valor atingiu R$ 166 milhões.

Diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da MRV, Ricardo Paixão explica que a estabilidade nas vendas conjugada ao aumento da produção levou ao incremento da receita. Além disso, foi registrada queda na relação despesa comercial/receita operacional líquida. Esse cenário levou ao incremento do lucro.

Ele explica que a receita resulta de duas variáveis, que são venda e produção. As vendas mostraram estabilidade, por outro lado, a produção teve forte crescimento, cenário atribuído à eficiência alcançada no canteiro de obras.

A produção teve elevação de 21,4% no semestre. Nos primeiros seis meses de 2018, o número de unidades produzidas foi de 16.896, sendo que, em igual período deste ano, foram 20.505. No comparativo trimestral, a alta foi de 18,9%, recorde de produção em um segundo trimestre. Foram 10.624 unidades no segundo trimestre deste ano, contra 8.935 unidades no segundo trimestre de 2018.

Conforme os resultados divulgados ontem, a receita operacional líquida mostrou alta de 20,5%, passando de R$ 2,55 bilhões no primeiro semestre de 2018 para R$ 3,06 bilhões nos seis primeiros meses deste ano. No segundo trimestre de 2019, o valor foi de R$ 1,56 bilhão, com avanço de 18,3% frente ao segundo trimestre de 2018 (R$ 1,32 bilhão).

Vendas – O número de unidades vendidas no semestre teve ligeira alta de 0,5%, tendendo à estabilidade. Nos primeiros seis meses deste ano, foram comercializadas 17.252 unidades, contra 17.174 em igual período de 2018. No segundo trimestre de 2019, foram 8.587 unidades, enquanto de abril a junho de 2018 foram 8.748, retração de 1,8%. No semestre, o preço médio da unidade teve alta de 2,8%, passando de R$ 146 mil para R$ 150 mil.

“Houve uma estabilidade em um patamar alto de venda”, diz Paixão.

Despesas comerciais subiram 2,6% no semestre, passando de R$ 283 milhões no primeiro semestre de 2018, para R$ 291 milhões em iguais meses deste ano. Já no trimestre, houve retração de 3,8% (R$ 143 milhões no segundo trimestre de 2019 e R$ 149 milhões em igual intervalo de 2018). Levando-se em conta a despesa comercial/receita operacional líquida, houve retração de 2,1 pontos percentuais no trimestre e de 1,6 pontos percentuais no semestre.

A margem bruta apresentou queda, cenário atribuído a maiores exigências na concessão de crédito por parte da Caixa Econômica Federal. O percentual estava em 33,5% no primeiro semestre de 2018 e caiu 2,6 pontos percentuais, atingindo 31,3% no primeiro semestre de 2019.

No segundo trimestre do ano, a empresa voltou a gerar caixa, que atingiu R$ 68 milhões. No primeiro trimestre, a MRV não havia gerado caixa, interrompendo sequência positiva de 26 trimestres. O cenário ocorreu devido a problemas em repasses de subsídios federais.

O Ebtida cresceu 11,2% no semestre, passado de R$ 477 milhões em 2018 para R$ 531 milhões em igual período deste ano. A alta foi de 3,8% no trimestre (R$ 257 milhões no segundo trimestre de 2019 e R$ 248 milhões no segundo trimestre de 2018).

O banco de terrenos cresceu 6,5% no semestre, passando de R$ 46 milhões para R$ 49 milhões. No último mês de junho, foi adquirido, em leilão, um terreno em Salvador, que exigiu pagamento à vista de R$ 30 milhões. A aquisição é considerada estratégica para a empresa e possibilitará empreendimento com 4.600 unidades.

Na análise de Ricardo Paixão, o segundo semestre deve ser melhor, com a forte demanda por habitação no País.

“E ainda não tivemos um impulso da melhora da economia. Com o avanço da aprovação da reforma, a economia deve retomar seu ritmo, levando à queda do desemprego”, diz.

Luggo – A empresa aposta também em um novo modelo de negócios, de construção de prédios de apartamentos para aluguel. As operações acontecem por meio da Luggo, startup da MRV para o setor de locação.

“Não vendemos a unidade para o morador, mas para o investidor”, explica Ricardo Paixão.

Ele informa que o modelo segue a tendência da geração millennial, que busca não adquirir, mas utilizar o bem. Além disso, atende a público que, por diversos motivos – como estar em início de carreira –, não tem como adquirir o imóvel. As facilidades oferecidas são muitas, como escolher a unidade mobiliada ou não, com acesso a internet e serviço de faxina, entre outros. A empresa já tem uma unidade nesse modelo em funcionamento no Bairro Betânia, Oeste de Belo Horizonte, com 90% alugado.