A reforma da Previdência deve garantir segurança jurídica. É essa a perspectiva de empresários mineiros de diversos setores, a exemplo do diretor fundador da Valoriza Seguros, Omar Meira, que projeta a retomada de investimentos e geração de empregos com uma possível aprovação da PEC enviada pelo governo federal ao Congresso.

“O País está vivendo uma época de mudanças. Tivemos anos de um governo socialista de esquerda que deixou o País em uma crise grave, com elevada taxa de desemprego e dívidas. Então, precisamos de mudanças, que serão iniciadas pela reforma da Previdência. Reformando a Previdência, volta a confiança dos empresários, uma vez que haverá contenção dos custos do País. Sem esta contenção, não há como o País crescer”, explicou Meira.

Para o empresário do setor de construção civil e hotelaria e diretor da Arco Administradora e Soinco Construtora, Ruy Araújo, a reforma promoverá melhor distribuição de renda e favorecerá o desenvolvimento nacional.

“É consenso no Brasil que a reforma da Previdência é totalmente indispensável. Ela é o primeiro passo para que o País comece a recuperar a economia. O discurso de que ela penaliza os mais pobres já foi superado. A reforma vai ajudar os mais pobres e afetar os mais favorecidos. Hoje, os pobres estão pagando para que os ricos tenham o privilégio de ter previdência especial. Além de ser uma medida contra a desigualdade, que no Brasil é muito grande, ela ainda vai trazer para o governo uma série de recursos financeiros para combater o déficit fiscal que, hoje, trava o desenvolvimento”, disse Araújo.

Reorganização – Na avaliação do presidente da Associação Comercial do Hipercentro e proprietário da A Nova BH, loja de artigos domésticos, Flávio Froes, a reforma da Previdência é a solução para a reorganização do País.

“Nos últimos anos, houve uma grande desorganização do País que influenciou diretamente, de forma negativa, nos nossos negócios. A esperança do setor é que, após a aprovação da reforma previdenciária, ocorra as demais, como a tributária e a política. A solução para os problemas do Brasil começa pela aprovação da reforma previdenciária que irá desafogar o governo e dará uma visão de futuro para o País. A expectativa é desengessar o governo, que passou a ser pagador de salários e Previdência. É preciso que o Estado volte a ser fomentador do desenvolvimento”.

Brant destaca a urgência das mudanças

Durante o evento na ACMinas, o ex-ministro da Previdência e Assistência Social, Roberto Brant, enfatizou que a reforma da Previdência não é uma escolha, mas sim uma necessidade urgente.

Segundo Brant, hoje, o governo federal gasta 52% de todos os impostos que arrecada para pagar salários e demais benefícios previdenciários. Os estados federados também estão na mesma situação, com gastos maiores com trabalhadores inativos do que com o pessoal ativo.

“Esses gastos crescem acima dos índices de inflação e do PIB. Chegamos a uma situação limite. Se não reformar a Previdência, dentro de muito pouco tempo, a maior parte dos recursos será para pagar benefícios. Não sobrará nada para investir em educação, saúde, segurança e infraestrutura. O governo do presidente Jair Bolsonaro fez muito certo em propor a reforma e esperamos que o Congresso seja sensível a esta necessidade”, explicou Brant.

Ainda segundo o ex-ministro, a proposta pretende reformar o regime geral, que é dos trabalhadores do setor privado, e também reformar os regimes próprios, que são os funcionários públicos da União e dos Estados.

“A reforma altera o cálculo dos benefícios, estabelece uma idade mínima para aposentadoria (que está de acordo com o que se pratica no mundo). As populações estão envelhecendo mais que antigamente e esta realidade demográfica tem que ser acolhida pela legislação. O sistema como o atual é insustentável. Para garantir os recursos para pagamentos dos aposentados de agora e do futuro é preciso aprovar a reforma agora”.