Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

Brasília – A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 3,428 bilhões em novembro, pior desempenho para o mês desde 2015 (+ US$ 1,177 bilhão) e marcado por retração de dois dígitos tanto nas exportações quanto nas importações, informou o Ministério da Economia ontem.

O dado, contudo, veio acima da expectativa de um saldo positivo de US$ 3,365 bilhões, conforme pesquisa Reuters com analistas.

No mês, as exportações caíram 16,0% pela média diária frente igual mês do ano passado, totalizando US$ 17,596 bilhões. As importações registraram igual queda na mesma base de comparação, somando US$ 14,169 bilhões.

Em nota, o Ministério da Economia destacou que a queda nas exportações ocorreu principalmente pelo recuo nas vendas de plataforma de petróleo (- US$ 1,6 bilhão) e petróleo em bruto (- US$ 961 milhões), este último por uma diminuição tanto nas cotações quanto no volume embarcado.

Na quinta-feira passada, a secretaria de Comércio Executivo ajustou os dados contabilizados das exportações brasileiras no acumulado das quatro primeiras semanas de novembro, o que fez com que o saldo das trocas comerciais para o período passasse a um superávit de US$ 2,7 bilhões, ante déficit de US$ 1,099 bilhão apontado antes.

O ministério justificou que “foram detectadas inconsistências relacionadas à transmissão e à recepção dos dados para processamento das estatísticas de comércio exterior”.

A pasta informou ainda que técnicos se debruçavam sobre os dados de outubro, quando o superávit da balança foi de US$ 1,206 bilhão, dado mais fraco para o mês em cinco anos, impactado por uma queda acentuada nas exportações.

No acumulado dos onze meses do ano, a balança comercial ficou positiva em US$ 41,079 bilhões, queda de 21,1% sobre igual etapa do ano passado. Este também foi o desempenho mais fraco para o período desde 2015 (+US$ 13,3 bilhões).

Em outubro, o Ministério da Economia havia cortado sua previsão para o superávit comercial do Brasil neste ano a US$ 41,8 bilhões, ante US$ 56,7 bilhões antes, em meio ao cenário de desaceleração do crescimento econômico no mundo, que considera as tensões comerciais entre Estados Unidos e China e também a queda nas exportações para a Argentina diante da crise econômica no país vizinho. Para além dessa questão, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse ontem que irá retomar imediatamente tarifas norte-americanas sobre importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina, em meio ao enfraquecimento das moedas dos dois países, o que torna as exportações dos produtos sul-americanos mais competitivas.

Em nota divulgada ontem, o Itamaraty e os ministérios da Economia e da Agricultura afirmaram que já estão em contato com interlocutores em Washington sobre o tema.

“O governo trabalhará para defender o interesse comercial brasileiro e assegurar a fluidez do comércio com os EUA, com vistas a ampliar o intercâmbio comercial e aprofundar o relacionamento bilateral, em benefício de ambos os países”, afirmaram. (Reuters)