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Economia

Pequenas empresas no Estado estão mais confiantes

Construção civil impulsionou o Iscon divulgado ontem pelo Sebrae Minas

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Iscon da construção civil atingiu 129 pontos em dezembro | Crédito: Filó Alves
Iscon da construção civil atingiu 129 pontos em dezembro | Crédito: Filó Alves

Os pequenos negócios da construção civil puxaram para cima o Índice de Confiança dos Pequenos Negócios (Iscon) de dezembro em Minas. Os empresários do setor são os únicos que avaliaram positivamente as condições para seus negócios no último trimestre de 2021 e também os que estão mais otimistas quanto ao primeiro trimestre deste ano. Enquanto o índice de confiança geral dos pequenos negócios ficou em 116 pontos, o da construção civil fechou em 129. As informações são do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas). 

O Iscon expressa a tendência para o nível de atividade da economia considerando a situação recente (últimos três meses) e a esperada (próximos três meses). O índice começou a ser medido pela Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas no final de 2020 e, nesta edição, ouviu 1.225 participantes entre os dias 9 e 21 de dezembro

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A linha do tempo do Iscon mostra claramente os momentos de angústia e entusiasmo dos pequenos negócios no último ano. O índice registrou 116 pontos quando começou a ser medido. No início, a construção civil era avaliada junto à indústria. Os setores começaram a ser avaliados separadamente em janeiro. No pico da variante delta, em março e abril, o índice foi de 89 pontos, uma queda grande, sinalizando uma perda substancial de confiança dos pequenos empresários no futuro de suas atividades. 

Em agosto, o pessoal se animou e o Iscon saltou para 123. Em setembro, caiu de novo, para 118. “Aí o que influenciou já não foram as restrições e efeitos da pandemia, mas fatores econômicos como a inflação e a subida do dólar, que contribuíram para deixar o empresário mais receoso”, explica a analista da Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas, Paola La Guardia.

Em outubro, a confiança geral dos pequenos empresários ficou no mesmo patamar – 118 e, em novembro, foi reduzida em oito pontos, ficando em 110. Em dezembro, o registro de seis pontos a mais trouxe o Iscon para o mesmo nível do início da série histórica, de 116 pontos, valor próximo ao de tendência à estabilidade (próxima de 100 pontos) com expectativa de leve melhoria.

“Não dá para dizer que é uma recuperação, afinal as festas de fim de ano sempre impactam positivamente o comércio e os serviços”, observa Paola La Guardia. O que não se pode dizer dos pequenos negócios da construção civil: o setor teve o melhor indicador desde o início da série histórica, com um Iscon de 129 pontos. 

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Um otimismo que se sustenta em vários fatores. A construção civil foi menos impactada pelos lockdowns, já que foi considerada atividade essencial e funcionou a todo vapor durante a pandemia. Quem estava em casa aproveitou para fazer pequenas reformas durante o isolamento, o que aqueceu as vendas de material de construção. Os empresários aproveitaram os juros baixos dos financiamentos para construir, enquanto os investidores, desestimulados, aplicaram recursos de renda fixa na compra de imóveis, um investimento então mais atraente. 

As boas notícias para o setor continuam. O otimismo na construção civil se fortaleceu com um dado concreto, que é a desaceleração do preço dos insumos. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado) de novembro, que foi de 0,71%, passou para 0,3% em dezembro. Além disso, o ano eleitoral, apesar da incerteza política, certamente promete mais gastos com obras públicas.  

Os outros setores mostraram perspectivas mais modestas. A Indústria apresentou um crescimento de 7 pontos no Iscon, saltando de 109, em novembro, para 116 em dezembro. O setor de Serviços registrou um crescimento de 6 pontos no índice de confiança, com um Iscon também de 116 pontos. Já o Comércio saltou de 110 para 115 pontos. “As festas de fim de ano impactaram positivamente a avaliação dos empresários em relação ao momento presente, o que justifica o salto de 10 pontos do Comércio em dezembro”, explica a analista. 

As Empresas de Pequeno Porte (EPP) voltaram a ser as mais confiantes em dezembro, com um Iscon de 124 pontos, seguidas pelas Microempresas (ME), 120, e os Microempreendedores Individuais (MEI), 113 pontos. Em relação a novembro, os pequenos negócios de todos os portes aumentaram a confiança em suas atividades: as EPP tiveram uma variação positiva de 9 pontos, as ME de 3 e os MEI de 7 pontos.

Esse momento de confiança significa sim que as empresas querem investir. “A resposta a essa pergunta é computada  no resultado final do índice de confiança dos empresários. Nós perguntamos se eles vão contratar, se vão utilizar mais infraestrutura ou mais tecnologia”, informa Paola La Guardia. 

Segundo a analista, não dá pra saber, no entanto, se a elevação na confiança do pequeno empresário é uma tendência de alta ou é apenas um reflexo do movimento de fim de ano, que levantou o ânimo do pessoal. Para 2022, não faltam obstáculos. “Inflação e juros são fatores que desanimam o empresário, assim como o dólar alto que encarece insumos e produtos; além do desemprego que continua alto e deprime o consumo”, salienta.

Construção aquecida

Em dezembro, o Iscon da construção civil aumentou 13 pontos em relação a novembro. Esta foi a segunda maior variação desde o início da pesquisa, em janeiro de 2021. A maior elevação no índice de confiança do setor, de 15 pontos, foi em maio.  A elevação no último mês de 2021 foi puxada tanto pelo Índice de Situação Recente (ISR), que subiu 11 pontos, quanto pelo Índice de Situação Esperada (ISE), este com peso dobrado e que aumentou 14 pontos.   

Um sinal claro desse otimismo está na disposição do empresário Johnny Fonseca dos Santos, que acaba de inaugurar um bota-fora localizado em Pedro Leopoldo. Ele já tinha um negócio de caçambas e atendia muitas pequenas construtoras no Vetor Norte de Belo Horizonte, mas tinha que descartar em outra cidade.  “Aqui não tinha bota-fora legalizado, tudo era feito de maneira clandestina”, diz Santos. 

Com a construção civil aquecida, viu uma oportunidade de negócio. No início, seu foco é recolher o entulho das obras, atividade para a qual tem licença plena.  Mas ele não descarta, no futuro, trabalhar com reciclagem e reutilização. Já pensa inclusive em adquirir um britador para pulverizar o resíduo e recolocar no mercado. Ele não tem dúvida de que a construção civil continuará aquecida. “Eu ouço falar de crise, desemprego, mas o povo não para de construir e tudo que constrói, vende”, afirma o empresário.

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