PIB da indústria extrativa do Estado recuou 13% no trimestre, com o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho - CRÉDITO: ARQUIVO DC

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas cresceu 0,6% no primeiro trimestre na relação com igual período do ano passado, totalizando R$ 146,1 bilhões. O resultado está ligeiramente acima do nacional, que mostrou elevação de 0,5% nessa base comparativa, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Estado, na relação com os três últimos meses de 2018, houve estagnação, enquanto no acumulado de 12 meses, até março, foi registrado aumento de 1%.

Os números foram divulgados ontem pela Fundação João Pinheiro (FJP). O destaque negativo ficou por conta da indústria extrativa mineral, contrabalançado pelo avanço da produção de energia e agropecuária.

Com a paralisação parcial das atividades da mineração no Estado, após o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, o PIB da indústria extrativa mineral caiu 13% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2018, com diminuição em 20,6% na comparação com o último trimestre de 2018.

Coordenador de Contas Regionais da Diretoria de Estatísticas e Informações da Fundação João Pinheiro, Raimundo de Sousa reforça que o efeito negativo, vindo principalmente da queda da mineração, foi contrabalançado pelo impacto positivo de outras atividades.

Destaque positivo no PIB mineiro no trimestre, a produção de energia mostrou elevação de 11,8% no primeiro trimestre, ante igual intervalo de 2018.

“A geração de eletricidade por efeito específico de chuvas em janeiro e aumento da produção de hidrelétricas nos favoreceu bastante. Serviços e administração pública também aumentaram”, explica Sousa.

A agropecuária contribui positivamente, com aumento de 7,2% nessa base comparativa. Nesse primeiro trimestre, os destaques positivos vieram da primeira safra da batata-inglesa e de algodão herbáceo. Na relação primeiro trimestre de 2019 com último trimestre de 2018, a alta foi de 0,4%. No acumulado de 12 meses, houve incremento de 8,1% na atividade.

Sousa explica que o cenário de Minas na passagem do último trimestre de 2018 para o período inicial de 2019 mostra estagnação, provocada por um conjunto de fatores, como a queda da mineração e a desaceleração longa e lenta da recuperação da economia.

Segundo o pesquisador, o peso da extração mineral no PIB em Minas é considerado relativamente pequeno, ficando em 2,9%. Dessa forma, os resultados isolados na atividade não explicam totalmente os resultados.

“Não apenas em Minas, mas em nível nacional a economia não tem dados sinais de recuperação efetiva por suas próprias forças. Estamos há três anos no processo de recuperação extremamente lenta. O setor privado não tem sido capaz, por si só, de gerar a retomada do crescimento da economia brasileira e, portanto, não também aqui em Minas Gerais”, diz.

Setores – O resultado da indústria como um todo mostrou aumento de 0,5% no primeiro trimestre de 2019 na relação com o primeiro trimestre de 2018. Já na comparação com os três meses finais de 2018, houve queda de 1,9%. No acumulado de 12 meses, o resultado foi positivo em 0,4%.

Na base anual (primeiro trimestre 2019/primeiro trimestre 2018), o único setor da indústria a apresentar queda foi o extrativo mineral. Apresentaram avanço eletricidade e saneamento (+11,8%); construção (+1,4%); indústria de transformação (+1%).

O setor de serviços cresceu 0,1% no primeiro trimestre deste ano na relação com os três primeiros meses do ano passado. Já em relação com o último trimestre de 2018, a alta foi de 0,4%. No acumulado de 12 meses, o avanço foi de 0,7%.

Dentro de serviços, os melhores resultados vieram do comércio e administração pública, com ambos apresentando alta de 0,4% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2018. Apresentaram queda outros serviços (-0,6%) e transportes (- 1,1%).

Valor nominal – Em termos nominais, o PIB de Minas saltou de R$ 139,2 bilhões no primeiro trimestre de 2018 para R$ R$ 146,1 bilhões no primeiro trimestre de 2019, elevação de 5%. Raimundo de Sousa explica que esse percentual não leva em consideração o aumento dos preços, sendo que o avanço real ficou em 0,6%.

O PIB anual de Minas gira em torno de R$ 600 bilhões ao ano, representando cerca de 8,8% do PIB nacional. No Estado, do total do Produto Interno Bruno, 5,4% vêm da agropecuária; 25,8% vêm da indústria, enquanto 68,8% são relativos ao setor de serviços.