Economia

Diesel segue 18,8% mais caro em Minas após tensão entre EUA e Irã

Especialistas apontam que cenário internacional e demanda interna mantêm o valor elevado em Minas Gerais, impactando fretes e economia local
Diesel segue 18,8% mais caro em Minas após tensão entre EUA e Irã
Foto: Adobe Stock

O preço médio do litro do diesel em Minas Gerais continua acima da média registrada antes do conflito entre Estados Unidos (EUA) e Irã. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor médio do combustível na última semana ficou 18,8% acima do registrado antes do conflito.

Segundo os dados, na semana entre 22 e 28 de fevereiro, o consumidor pagava R$ 5,95 pelo litro do diesel, enquanto na semana passada a média registrada pela ANP foi de R$ 7,07. Apesar de estar abaixo do pico observado desde o início do conflito, quando o litro chegou a R$ 7,50 entre 22 e 28 de março, o preço ainda segue elevado.

No curto prazo, a tendência é de manutenção dos preços elevados do combustível, na avaliação do economista da Valor Investimentos Ian Lopes. Segundo ele, apesar de fatores positivos no mercado brasileiro de combustíveis, como os recordes de produção da Petrobras, o volume ainda não é suficiente para atender toda a demanda interna, enquanto o cenário internacional continua pressionando os preços do diesel para cima. “As refinarias da Petrobras estão batendo recordes de produção. Isso é uma boa notícia, mas ainda não é suficiente”, afirma.

Diante do contexto internacional, o principal problema apontado por Lopes é o preço do barril de petróleo, “que voltou a subir e está em torno de US$ 103. Então, no curto prazo, a tendência é de manutenção dos preços elevados”.

O economista e professor da Faculdade do Comércio de São Paulo Rodrigo Simões acredita que o diesel virou um termômetro da tensão externa. “Enquanto petróleo, câmbio e importações seguirem em alta, os preços dificilmente voltarão rapidamente aos níveis mais baixos do passado”, avalia.

Segundo ele, o preço do diesel deve continuar pressionado no curto prazo, sem perspectiva de queda forte ou consistente. Simões destaca que, com o barril do petróleo acima de US$ 100 e o Brasil ainda importando entre 23% e 25% do diesel consumido, qualquer instabilidade externa acaba impactando diretamente o preço interno.

O professor de Ciências Contábeis da Estácio BH Alisson Batista acrescenta que, além da continuidade do conflito no Oriente Médio, outro fator que pode impactar os preços do diesel é a saída dos Emirados Árabes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). “A tendência é que o preço continue elevado enquanto não houver sinais de cessar-fogo e o mercado não sentir os impactos da saída dos Emirados Árabes”, comenta.

Frete também deve aumentar, diz Fetcemg

O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Gladstone Viana Diniz Lobato, afirma que a continuidade da alta do diesel, somada ao aumento dos custos com pessoal, deverá impactar ainda mais o preço do frete.

Segundo ele, o dissídio salarial que será negociado neste mês de maio, junto com o aumento dos planos de saúde, que giram em torno de 14%, impactará os custos do setor, que deverão ser repassados ao preço final.

“O salário aumentando em torno de 4% eleva os encargos, as diárias de viagem e os planos de saúde. Dependendo do tamanho da empresa, o diesel impactará os custos entre 35% e 45%, enquanto a mão de obra representará entre 18% e 22%. Com isso, a expectativa é de aumento do frete”, diz.

Preços dos combustíveis caem entre abril e maio

Na comparação entre abril e maio, diesel, gasolina e etanol registraram redução nos preços. De acordo com os números da ANP, enquanto no início de abril o preço médio do diesel era de R$ 7,42, no início deste mês o valor estava em R$ 7,07.

Assim como o diesel, a gasolina e o etanol também registraram queda no período. Enquanto o litro da gasolina era vendido, em média, a R$ 6,48 em abril, no início de maio o valor caiu para R$ 6,21, redução de 4%. Já o etanol, que custava R$ 4,75 no início do mês passado, passou para R$ 4,34 no início deste mês, queda de 8,6%.

Nesse caso, Alisson Batista explica que a redução dos preços da gasolina e do etanol no período analisado foi influenciada, principalmente, por medidas do governo federal e fatores de mercado.

Segundo ele, a alta do preço internacional do petróleo aumentou a arrecadação pública com a exportação realizada pela Petrobras. Com esse ganho extra, o governo decidiu usar parte das receitas para reduzir o impacto dos combustíveis fósseis no mercado interno, principalmente por meio da redução de tributos como PIS/Cofins sobre os combustíveis.

Dessa forma, segundo o professor, a redução de impostos ajudou a baixar rapidamente os preços nas bombas, beneficiando diretamente consumidores que dependem do carro para trabalhar, como motoristas e entregadores de aplicativo.

Sobre o etanol, Batista destacou ainda que o combustível sofre forte influência da oferta e da demanda no mercado interno. Quando a procura aumenta, o preço sobe. Porém, como muitos veículos flex podem usar tanto gasolina quanto etanol, a queda no preço da gasolina acaba pressionando o etanol para baixo também, já que os dois combustíveis competem entre si.

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