Crédito: Marcelo Coelho

Diante dos resultados do primeiro semestre, que classificou como frustrantes, o Instituto Aço Brasil (Aço Brasil) reviu para baixo as expectativas de desempenho do setor siderúrgico em 2019. A entidade praticamente zerou a perspectiva de crescimento para a produção de aço bruto no País neste exercício, que deve atingir 35,55 milhões de toneladas, mas ainda se classifica como otimista para os próximos meses.

“A paralisia dos mercados e da economia resultou em um semestre muito ruim, frustrando todas as expectativas do setor produtivo. O índice de confiança dos empresários reduziu desde o início do ano e, consequentemente, as perspectivas de crescimento também. Ainda assim, estamos com um otimismo maior em relação ao segundo semestre, apoiados na retomada do setor econômico nacional”, disse o presidente-executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, em entrevista coletiva.

As estimativas foram revisadas depois que o setor apurou, no primeiro semestre, uma queda de 1,4% na produção de aço bruto. Ao todo, foram 17,24 milhões de toneladas contra 17,48 milhões de toneladas na mesma época de 2018. Já as vendas aumentaram 1,3% no mesmo período, passando de 9,12 milhões de toneladas para 9,24 milhões de toneladas neste ano.

Para o restante de 2019, o setor espera que haja retomada dos investimentos na construção civil e em infraestrutura, assim como nos projetos do setor de óleo e gás, alavancando o consumo de aço no País.

Além disso, há expectativa quanto a avanços no ajuste fiscal e na reforma tributária e aprovação de medidas pontuais que melhorem as condições de competitividade da indústria de transformação por parte do governo.

“A falta de um mercado interno demandante leva à necessidade extrema de se exportar. É o que está acontecendo com o setor produtivo nacional. Mas em quais condições isso será feito? Como se encontra o mercado internacional?”, questionou o presidente.

Assim, as novas previsões do Aço Brasil para o setor siderúrgico nacional em 2019 são de estabilidade na produção, com pequeno aumento de 0,4%, totalizando 35,6 milhões de toneladas contra 35,4 milhões de toneladas no ano passado. As estimativas iniciais davam conta de aumento de 2,2%.

Já as vendas internas deverão aumentar em 2,5%, totalizando volume de 19,4 milhões de toneladas. Inicialmente, esperava-se alta de 4,1%. No ano passado, as vendas somaram 18,9 milhões de toneladas.

Exportações – Enquanto isso, as exportações deverão diminuir em 7,3% na comparação com 2018, ao invés de -6,1%, como a entidade estimou no começo deste exercício.

Neste caso, a diferença, conforme o dirigente do Aço Brasil, diz respeito às condições adversas do mercado internacional e à perda de competitividade das empresas devido, principalmente, à cumulatividade dos impostos na exportação.

Assim, o consumo aparente de aço deve subir 2,1% em 2019 e não 4,6%, saindo de 21,2 milhões de toneladas no ano passado para 21,6 milhões de toneladas neste exercício.

“Consumo de aço e desenvolvimento econômico são indissociáveis, e a paralisia do mercado afeta diretamente o setor”, comentou Lopes.

Por fim, o presidente-executivo da entidade ressaltou que o setor pretende investir US$ 9 bilhões nos próximos cinco anos, confiante na retomada do mercado brasileiro. Tais recursos, conforme ele, serão direcionados para a manutenção do parque produtivo siderúrgico nacional.

“Com o nível de ociosidade superior a 30%, investir em aumento da capacidade instalada não faz sentido. Por isso, estes investimentos serão feitos na melhoria de produção, produtos, área ambiental, tecnologia e automação”, frisou.

No entanto, ele admitiu que, para o setor retomar o patamar ideal de 85% de utilização da capacidade produtiva, será preciso aumentar a produção em cerca de 9,3 milhões de toneladas.