Economia

PUC Minas aposta na geração de energia limpa e já registra economia milionária

Com duas usinas fotovoltaicas em Minas Gerais, instituição projeta independência energética e impacto ambiental positivo
PUC Minas aposta na geração de energia limpa e já registra economia milionária
Foto: Marcos Vinícius Silveira da Silva / Probanc Solar

A Sociedade Mineira de Cultura (SMC), mantenedora da PUC Minas, colégios e veículos de comunicação, tem dado passos importantes rumo à autonomia energética e à sustentabilidade com a implantação de duas usinas fotovoltaicas para atender o consumo de energia de suas unidades. Localizadas em Esmeraldas e Matozinhos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), as estruturas fazem parte de um investimento de cerca de R$ 24 milhões da mantenedora.

A primeira unidade, em Matozinhos, está em operação desde outubro de 2024 e já abastece parte das 97 unidades consumidoras da instituição. Já a usina de Esmeraldas, com inauguração prevista para agosto de 2026, terá papel estratégico ao suprir a demanda do campus PUC Minas Coração Eucarístico, o maior consumidor de energia do sistema.

Usina solar de Matozinhos
Foto: Marcos Vinícius Silveira da Silva / Probanc Solar

Segundo o pró-reitor de logística e infraestrutura da universidade, Rômulo Albertini Rigueira, o projeto nasceu de uma preocupação antiga com segurança energética e sustentabilidade. “A gente precisava ter mais independência de energia, já que o custo varia muito ao longo dos anos, além de buscar uma fonte menos poluidora e renovável”, afirma.

A usina de Matozinhos tem capacidade aproximada de 3,5 megawatts e conta com cerca de 5,3 mil módulos fotovoltaicos. A geração é distribuída entre diversas unidades, priorizando aquelas com maior consumo. Já a de Esmeraldas, terá capacidade instalada de 2,5 megawatts e contará com cerca de 5 mil módulos fotovoltaicos.

O investimento tem rendido retorno. De acordo com Rigueira, os resultados financeiros com apenas uma usina em funcionamento são expressivos. Desde o início da operação da usina de Matozinhos, a instituição acumula uma economia de aproximadamente R$ 9 milhões, registrando uma redução que chega a quase R$ 6 milhões anuais, o equivalente a cerca de 60% a 70% do gasto com energia.

Parte dessa estratégia também envolve o mercado livre de energia, contratado antes mesmo da construção das usinas. Com a entrada da unidade de Esmeraldas em operação, o campus Coração Eucarístico deixará esse modelo para ser totalmente abastecido pela geração própria, conforme explica o pró-reitor da universidade.

Construção de usina solar em Esmeraldas
Foto: Marcos Vinícius Silveira da Silva / Probanc Solar

Além do ganho financeiro, o pró-reitor faz questão de ressaltar o impacto ambiental positivo que reforça a relevância do investimento. De acordo com Rigueira, a iniciativa já evitou a emissão de cerca de 9 mil toneladas de CO₂, volume que equivale à preservação de aproximadamente 500 mil árvores. “São números muito significativos. Por isso, após o sucesso da primeira usina, decidimos avançar com a segunda e já estudamos a possibilidade de uma terceira”, destaca o pró-reitor.

Ele pontua, no entanto, que mudanças recentes na legislação tornaram o retorno financeiro de novos projetos menos atrativo e mais moroso. Com as duas usinas, a PUC Minas amplia sua independência energética, mas ainda não atinge 100% da demanda das unidades. A prioridade segue sendo atender os maiores centros consumidores, enquanto avalia a viabilidade de novos investimentos.

A iniciativa coloca a instituição entre os exemplos de adoção de energia limpa no setor educacional brasileiro, combinando sustentabilidade ambiental, redução de custos e inovação na gestão de recursos.

Para o diretor da Associação Brasileira de Energia Solar em Minas Gerais (Absolar), Bruno Catta Preta, exemplos como esse servem de inspiração nacional. “Com essas iniciativas, a PUC Minas dá um exemplo para o Brasil de como uma universidade realmente pode praticar sustentabilidade e economia através do consumo de energia elétrica oriunda de fonte limpa e sustentável”, diz.

O engenheiro responsável pela obra das usinas, da Probanc Solar, Marcus Vinícius Silveira da Silva comenta que é cada vez maior a procura de instituições de ensino e empresas com alta demanda de energia elétrica, principalmente de baixa tensão, por usinas solares. “Quando eles estão preparados, eles investem em construir a própria usina, quando não há planejamento financeiro, acabam optando pela compra da energia nas modalidades de energia por assinatura”, observa.

Eficiência energética também é prioridade

A estratégia da PUC Minas não se limita à geração própria. Paralelamente, conforme detalha o pró-reitor, a universidade desenvolve um amplo programa de eficiência energética. Entre as ações, estão a substituição de lâmpadas convencionais por LED, modernização de motores, troca de equipamentos antigos como geladeiras e sistemas de ar-condicionado por modelos mais eficientes e econômicos, além de campanhas de conscientização.

“Não adianta só produzir energia. Também é fundamental reduzir o consumo. Em uma estrutura do nosso tamanho, pequenas atitudes fazem muita diferença no resultado final, pois o volume de salas, de ambientes que temos é alto e qualquer iniciativa faz a diferença”, finaliza Rigueira.

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