Economia

Pesquisa da EY aponta oportunidades e riscos da mineração

Aumento de custos e de produtividade e licença para operar aparecem na sequência
Pesquisa da EY aponta oportunidades e riscos da mineração
Foto: Reprodução Adobe Stock

Executivos brasileiros do setor de mineração apontam o capital como o principal fator de risco e oportunidade de negócios em 2026, conforme o recorte Brasil de um estudo global da EY. O aumento dos custos e da produtividade e a licença para operar ocupam, respectivamente, a segunda e a terceira colocação do top 10 na pesquisa.

O líder de Energia e Recursos Naturais da empresa britânica de consultoria e auditoria, Afonso Sartorio, pondera que o capital para mineração é estruturalmente mais caro em relação a outros setores, devido às incertezas geológicas e operacionais, sobretudo para junior companies, cujo risco geralmente está concentrado em um único projeto.

Somado a isso, ele afirma que, no Brasil, os investidores enfrentam gargalos adicionais. Um deles é a morosidade dos processos de licenciamento dos projetos. Outro ponto diz respeito às demoradas discussões de mudanças tributárias, como sobre royalties e imposto seletivo.

“O investidor consegue precificar o que está claro para ele e o que considera certo. Não consegue lidar bem com a incerteza”, salienta Sartorio. “Com a incerteza, o investidor evita fazer o projeto, e você fica com menos opções para capital, então o custo sobe, ou ele precifica um pouco mais caro o seu capital”, completa.

O especialista acrescenta que o País também carece de instrumentos que apoiem financeiramente os projetos. Embora existam iniciativas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiamento, as opções são escassas quando comparadas às de outros países. Já o mercado de capitais para o setor ainda é pouco desenvolvido, o que leva as empresas a buscarem bolsas especializadas no exterior.

Brasil precisa assegurar execução do pipeline de investimentos

Apesar dos desafios enfrentados pela mineração já mencionados e de outros como a complexidade operacional, impulsionada por regulação mais exigente e desgaste de depósitos minerais, e a inflação de custos, por exemplo, de energia e mão de obra, o líder da EY diz que o Brasil tem uma situação “bastante afortunada para atrair investimentos”.

Ele pontua que o País possui uma indústria mineral forte e madura, além de uma cadeia de fornecedores desenvolvida. Dispõe, ainda, de minerais em abundância e qualidade que preenchem lacunas globais entre oferta e demanda, a exemplo do minério de ferro e dos minerais críticos e estratégicos. Também está fora de zonas de conflito e tem boa relação diplomática, política e comercial com várias nações, como Estados Unidos, China e Europa.

Nesse contexto, dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram um robusto pipeline de investimentos do setor no Brasil entre 2026 e 2030, de US$ 76,9 bilhões, dos quais US$ 19,7 bilhões em Minas Gerais. Trata-se do maior valor da série histórica iniciada no ciclo 2014-2018. No entanto, Sartorio ressalta que é preciso assegurar que os aportes não apenas sigam em crescimento, mas também sejam efetivamente executados.

“Precisamos ter um processo de licenciamento correto, mas ágil; o alinhamento entre os governos e a sociedade para que os projetos sejam recebidos; e que as empresas sejam maduras o suficiente para entender como o País funciona e a contrapartida necessária para a sociedade e o meio ambiente”, aponta o especialista.

Segundo ele, se tudo isso for feito, o Brasil terá uma importante janela de oportunidades para trazer riqueza para o País. Caso avance na cadeia, com o processamento dos minerais e a industrialização, adicionando valor aos produtos, poderá trazer ainda mais riqueza.

Confira o top 10 do estudo da EY:

  1. Capital
  2. Aumento dos custos e da produtividade
  3. Licença para operar
  4. Geopolítica
  5. Complexidade operacional
  6. Força de trabalho
  7. ESG
  8. Reservas e recursos
  9. Mudanças nos modelos de negócios
  10. Digital e inovação
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