Faturamento da mineração se aproxima de R$ 30 bilhões em Minas Gerais no 1º trimestre
O setor de mineração em Minas Gerais encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um faturamento de R$ 29,9 bilhões, consolidando um cenário de estabilidade. O montante representa um avanço discreto de 0,4% em comparação aos R$ 29,8 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Apesar de o crescimento ser inferior ao apresentado no País (6%), o resultado é encarado pelo setor como uma demonstração de resiliência, em um cenário de desafios ligados a perda de competitividade em razão do aumento de custos.
Minas Gerais segue na liderança em faturamento, correspondendo por 38% do mercado nacional. Em seguida, Pará e Bahia formam o top 3, com 35% e 6%, respectivamente.
De acordo com o diretor de assuntos minerarios do Ibram, Júlio Nery, a manutenção dos números no Estado, quando comparadas ao ano passado, é positiva. “Houve uma recuperação muito consistente, e a expectativa é que esse desempenho se sustente ao longo do ano”, destaca.
O estudo do Ibram também revela que o Estado lidera a arrecadação de impostos e tributos no País, apesar de apresentar recuo frente a 2025. Entre janeiro e março, foram recolhidos R$ 876 milhões, contra R$ 904 milhões registrados no mesmo período em 2025.
No País, a arrecadação total alcançou R$ 26,9 bilhões nos três primeiros meses do ano, registrando alta de 5,5% frente ao ano anterior. Atividades ligadas ao minério de ferro representaram 65% de participação nos recolhimentos, seguido pelo ouro (10,2%).
Exportações avançam, mas altos custos e tributação preocupa setor mineral
No período, foram exportadas cerca de 87,9 milhões de toneladas de produtos do setor mineral, um aumento de 0,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Os envios totalizaram US$ 11,4 bilhões (aumento de 21,5% em dólar). O minério de ferro foi responsável por 53,9% das exportações.
Já as importações minerais aumentaram 29%, totalizando US$ 2,1 bilhões, além de um avanço de 15% em volume transportado, que somou 10 milhões de toneladas. Entre os principais produtos importados no País estão fosfato, potássio, carvão e enxofre.
O diretor-presidente interino do Ibram, Pablo Cesário, pontua que esses insumos vêm passando por alterações relevantes, especialmente em função dos impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre preços, oferta e cadeias logísticas. Entretanto, ele ressalta que as turbulências nas relações internacionais podem ser uma oportunidade para o Brasil, que hoje é considerado confiável, comercializar com todo o mundo e receber investimentos de muitos países.
“O Brasil tem uma oportunidade muito grande e saltou 38 posições na preferência por investidores na área de inovação. Somos bons, temos reservas e somos confiáveis”, destaca.
No mercado interno, Cesário demonstra preocupação com a alteração das alíquotas de tributação, que avançaram de 10,2% para 19,3%. A elevação, segundo ele, aumenta significativamente o custo de investimento das mineradoras, com impacto previsto de R$ 1 bilhão por ano apenas com o imposto de exportação.
“Isso eleva o custo dos nossos investimentos e gera preocupação. Quanto mais caro for investir, menos competitivos seremos em termos de preço, especialmente em um contexto nacional de juros em patamares elevados”, argumenta.
Minas lidera investimentos em mineração no País até 2030
Até 2030, a expectativa é que Minas Gerais receba US$ 19,6 bilhões em investimentos no setor de mineração, o que corresponde a 25% do total previsto para o País. Em seguida, Pará (US$ 14,6 bi) e Bahia (US$ 11,6) formam o top 3 nacional com os aportes relevantes.
Cerca de um quarto desses aportes permanece direcionado ao minério de ferro, que deve manter relevância ao longo dos próximos quatro anos. Na sequência, os investimentos socioambientais devem responder por 19% do total, seguidos por logística (14,7%) e cobre (11,2%), ambos com participação significativa nos projetos.
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