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Economia

RMBH encerra 2021 com inflação de 9,58%

Em dezembro, índice de preços na região teve variação positiva de 0,75%, puxada pelos alimentos

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Aumento nos preços dos alimentos contribuiu para pressionar a inflação na RMBH e o resultado do ano como um todo | Crédito: Alisson J. Silva - arquivo dc
Aumento nos preços dos alimentos contribuiu para pressionar a inflação na RMBH e o resultado do ano como um todo | Crédito: Alisson J. Silva - arquivo dc

Belo Horizonte, incluindo os municípios da região metropolitana, registrou inflação abaixo de dois dígitos em 2021, ficando em 9,58%, resultado abaixo dos 10,06% verificados no Brasil em igual período. Ainda assim, na comparação com 2020, o número é nada animador, já que naquele ano o índice registrado na Capital e RMBH foi de 4,99%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e se referem ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA.

A alta da inflação também foi registrada em dezembro de 2021, quando o índice subiu 0,75% em comparação com o mês anterior do mesmo ano, oitavo maior resultado entre as dezesseis capitais pesquisadas. A variação da região metropolitana foi maior que a do País, que fechou o mês em 0,73% em relação a novembro.  

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Conforme explica o coordenador da pesquisa Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE Minas, Venâncio Otávio Araújo da Mata, os valores representam que aquelas pessoas que têm rendimentos mais baixos sofrem mais com o aumento, já que elas não têm formas de se proteger da inflação. 

“Isso ocorre no sentido em que as pessoas têm mais condição financeira podem fazer aplicações que rendem acima da inflação, o que garante proteção (ao dinheiro). E as pessoas que não têm dinheiro ao final do mês são afetadas diretamente em seus orçamentos familiares. Elas ficam sem dinheiro para guardar”, afirma Venâncio. 

Contudo, a falta de dinheiro no final do mês não é o único impacto negativo na vida das famílias de baixa renda. Além de não sobrar dinheiro, as famílias precisam escolher até mesmo os itens básicos, sendo que há reflexos também na quantidade de produtos comprados. 

“Muda também o hábito de consumo. As carnes são um exemplo. Aquelas pessoas que têm mais dificuldade passam a comer ovos. E a gente percebe que o valor do ovo aumentou no acumulado, o que também pode estar relacionado com o aumento da demanda para substituir outros alimentos”, explica 

Subitens que fizeram a diferença 




A variação positiva de dezembro foi impulsionada, principalmente, pelo preço da banana-prata, que subiu 42,94% naquele mês. De forma geral, foi justamente o grupo de Alimentação e Bebidas (alta de 1,07%) que impactou significativamente a inflação do mês, com 0,23 pontos percentuais. 

Logo após à banana-prata, os subitens que mais contribuíram no grupo foram o mamão (32,88%), cebola (18,56%), café moído (9,87%) e das carnes (3,07%). Em contrapartida,, entre os itens do grupo que mais tiveram redução estão a batata-inglesa (-17,88%) e o tomate (-6,61%). 

Ainda conforme explica o coordenador do IBGE Minas, Venâncio da Mata, as oscilações nos produtos alimentícios geralmente estão relacionados às sazonalidades que os mesmos apresentam no processo de produção. Outro ponto ressaltado pelo especialista é a própria relação de oferta e demanda que influencia todos os grupos e itens pesquisados. 

Em segundo lugar está o grupo que mais influenciou na inflação acumulada de 2021 em todo o País: os transportes e seus subitens. Em dezembro, a variação do grupo foi positiva, na ordem de 0,86%, impulsionada pelas passagens aéreas (12,77%), seguro voluntário de veículos (9,62%), automóveis novos (1,60%) e automóveis usados (1,48%).

No que diz respeito aos subitens que tiveram as variações reduzidas estão os combustíveis. A diferença, nesse caso, foi de 0,54%, sendo que o etanol registrou queda de 2,21%, o óleo diesel (0,50%) e a gasolina (0,31%). Apesar da queda, Venâncio da Mata lembra que durante todo o ano houve reajustes e inflação alta sobre esses mesmos itens, puxados pela cotação do dólar e do petróleo. 

Preço da banana-prata subiu 42,94% em dezembro de 2021| Crédito: Charles Silva Duarte

IPCA registrou maior taxa em 6 anos no País

São Paulo – A inflação ao consumidor no Brasil encerrou 2021 acima de 10%, quase o dobro do teto da meta e no nível mais elevado em seis anos, sob forte influência dos preços dos combustíveis no ano passado e mantendo a pressão sobre o Banco Central.




O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou no ano passado avanço de 10,06%, estourando com força o teto do objetivo oficial, que é de 3,75% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado acumulado no ano passado foi o mais elevado desde 2015, quando o índice fechou a 10,67%.

Com o estouro da meta, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, precisou escrever uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando os motivos de o objetivo não ter sido cumprido, a sexta vez que isso ocorre desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999.

A última vez em que isso aconteceu foi em 2017, porém naquela ocasião, a carta teve de explicar por que a inflação terminou o ano abaixo do piso da meta, e não acima.

O ano de 2021 foi marcado, como o BC já vinha destacando, por choques de custos em meio à pandemia de Covid-19, que afetou a cadeia de oferta global e provocou alta dos preços em todo o mundo.

A economia brasileira também enfrentou alta de commodities e desvalorização da taxa de câmbio, bem como avanço nos preços dos combustíveis e crise hídrica que pegou em cheio as contas de luz.

Vilões -O maior vilão no bolso dos consumidores em 2021 foi o grupo Transportes, cujos preços dispararam 21,03% devido principalmente à alta de 49,02% dos combustíveis.

“Com os sucessivos reajustes nas bombas, a gasolina acumulou alta de 47,49% em 2021. Já o etanol subiu 62,23% e foi influenciado também pela produção de açúcar”, explicou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Também se destacou o preço dos automóveis novos (16,16%) e usados (15,05%), devido ao desarranjo na cadeia produtiva do setor automotivo.

Os outros principais impactos no ano passado vieram das altas acumuladas de 13,05% de Habitação e de 7,94% de Alimentação e bebidas. Juntos, os três grupos responderam por cerca de 79% do IPCA de 2021, de acordo com o IBGE.

Em Habitação, a energia elétrica subiu 21,21% no ano passado em meio a reajustes tarifários e aumento das bandeiras. Já entre os alimentos o café moído, com avanço de 50,24%, e o açúcar refinado, com alta de 47,87%, pesaram nos bolsos dos consumidores.

Dezembro -No último mês de 2021, o IPCA mostrou avanço de 0,73%, de 0,95% em novembro, mas também acima da expectativa de uma taxa de 0,65%.

A maior variação foi registrada pelo grupo Vestuário, de 2,06%, mas o maior impacto partiu da alta de 0,84% de Alimentação e bebidas.

Destacaram-se os aumentos nos preços do café moído (8,24%), das frutas (8,60%) e das carnes (1,38%) em dezembro.

“No caso das carnes, além do aumento da demanda no fim do ano, houve a questão do embargo chinês, imposto em setembro e retirado em meados de dezembro”, disse Kislanov.

Apesar da desaceleração da alta dos preços no final do ano, as pressões inflacionárias seguem pesando sobre o BC. Em sua última decisão de política monetária, no começo de dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros a 9,25% ao ano.

No comunicado, o BC já indicou aumento novamente e 1,5 ponto no encontro de fevereiro, levando a taxa para 10,75%. A pesquisa Focus mostra que os especialistas consultados pela autoridade monetária veem a Selic a 11,75% ao final deste ano, com a inflação em 5,03%. (Reuters)

Campos Neto afirma que resultado foi “fenômeno global”

Brasília – Em carta aberta apresentada ontem para justificar o descumprimento da meta de inflação em 2021, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o movimento de alta nos preços foi um fenômeno global que atingiu a maioria dos países avançados e emergentes, ressaltando que a autoridade monetária tem “tomado as devidas providências” para que as metas sejam atingidas.

No documento, Campos Neto disse que o resultado do ano foi motivado por forte elevação nos preços de bens, cobrança de tarifa adicional de energia elétrica e desequilíbrios entre oferta e demanda com gargalos nas cadeias produtivas.

De acordo com o presidente do BC, o dólar encerrou 2021 em patamar 9,83% acima do observado no fim de 2020, motivado por ruídos fiscais.

“A tendência de depreciação na segunda metade de 2021 refletiu principalmente questionamentos em relação ao futuro do arcabouço fiscal vigente e o aumento dos prêmios de risco associados aos ativos brasileiros, diante da maior incerteza em torno da trajetória futura do endividamento soberano”, disse.

Esta é a sexta vez que um presidente do Banco Central brasileiro apresenta carta aberta ao ministro da Economia (ou da Fazenda), que preside o Conselho Monetário Nacional, para justificar o descumprimento da meta de inflação do ano anterior.

As explicações já foram dadas nas aberturas de 2002, 2003, 2004, 2016 e 2018. Na mais recente, o então presidente do BC, Ilan Goldfajn, apresentou justificativas ao fato de a inflação ter ficado ligeiramente abaixo do piso da margem de tolerância para a meta.

A regra determina que o presidente do BC divulgue a carta sempre que a inflação encerrar o ano fora dos intervalos de tolerância para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

No regime de metas para a inflação, em vigor desde 1999, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define um alvo para o IPCA de cada ano, além de um intervalo de tolerância. Em 2021, a meta foi de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Segundo dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, o IPCA encerrou 2021 com alta de 10,06%, muito acima do limite máximo de 5,25%.

O ano foi marcado por alta nos preços de alimentos, combustíveis e energia elétrica. Contribuíram negativamente para esse processo a elevação nos preços internacionais de commodities, a aceleração da inflação mundial e a desvalorização do real frente ao dólar.

Gargalos – Na análise das razões que motivaram o desvio da inflação, modelo do BC apresentado na carta mostra que o principal fator foi a chamada inflação importada (combinação de variação da taxa de câmbio e dos preços de commodities – incluindo petróleo). Esse fator contribuiu com 4,38 pontos percentuais do total de 6,31 pontos percentuais de desvio do IPCA em relação à meta.

A inércia da inflação do ano anterior, segundo o BC, foi responsável por 1,21 ponto percentual no dado de 2021, enquanto as expectativas de inflação medidas pela pesquisa Focus contribuíram com 0,25 ponto percentual para a discrepância.

De acordo com o presidente do BC, cadeias produtivas globais apresentaram importantes gargalos ao longo de 2021, com esgotamentos de estoques de insumos, escassez de semicondutores e aumentos de prazos de entrega e de preços dos fretes.

Campos Neto afirmou que a inflação de preços administrados, que incluem energia elétrica e combustíveis, atingiu 16,90%, contribuindo com 4,34 pontos percentuais para a variação do IPCA – menor apenas do que a variação observada em 1999 e 2015.

Ressaltando o impacto da alta das commodities, o chefe do Bacen disse que os preços de bens industriais e de alimentação no domicílio subiram, respectivamente, 12,00% e 8,23% (contribuições de 2,75 pontos percentuais e 1,25 ponto percentual para o IPCA).

Ele pontuou que os valores do setor de serviços aumentaram 4,75% (contribuição de 1,72 ponto percentual), após movimento de recuperação de preços que estavam deprimidos em decorrência de impactos da crise sanitária.

“O ano de 2021 foi marcado pelo avanço da campanha de vacinação e o processo de normalização da atividade econômica”, disse, ressaltando que os números do mercado de trabalho mostram evolução favorável.

Providências – Na carta, Campos Neto, afirmou que o BC tem tomado providências para que o IPCA atinja as metas estabelecidas para 2022, 2023 e 2024.

Apesar de as projeções de mercado para este ano apontarem estouro do limite superior estabelecido, ele reforçou que o cumprimento da meta em 2022 segue no foco da autoridade monetária.

“O BC tem tomado as devidas providências para que a inflação atinja as metas para a inflação estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3,50% para 2022, 3,25% para 2023 e 3,00% para 2024”, disse.

Campos Neto reforçou que o BC vem calibrando a taxa básica de juros e continuará a fazê-lo com o objetivo de cumprir as metas estabelecidas pelo CMN.

Para 2022, a meta de inflação é de 3,50%, com limite máximo de 5,00%. De acordo com o boletim Focus divulgado pelo BC, o mercado espera que a inflação ao consumidor medida pelo IPCA fique em 5,03% neste ano, ligeiramente acima do teto do intervalo de tolerância. (Reuters)

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