Setor produtivo critica fim da ‘taxa das blusinhas’, enquanto plataformas comemoram
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) acredita que o fim da “taxa das blusinhas” pode ampliar a concorrência desleal com plataformas internacionais, acendendo um alerta para a indústria brasileira. Além da entidade mineira, outros representantes de setores produtivos no País também criticaram a medida.
Em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), a Medida Provisória nº 1.357, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi publicada nessa terça-feira (12) e dispõe sobre a tributação simplificada das remessas postais internacionais.
A norma passa a valer nesta quarta-feira (13) e zera o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido como “taxa das blusinhas”. Foi mantida apenas a cobrança de 20% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual, sobre as encomendas.
O economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinicius Silva, avalia que a medida deve aumentar o poder de compra da população, principalmente das famílias das classes C, D e E, mas também gerar concorrência desleal com a indústria brasileira e o setor do comércio.
Para ele, a situação gera um “problema silencioso” para o País, podendo acarretar redução do faturamento das empresas locais e até demissões de funcionários.
“O varejo brasileiro enfrenta uma concorrência desleal, pois, enquanto nossas empresas pagam impostos, encargos trabalhistas e todo um custo logístico, os produtos importados chegam com preços mais baixos, e isso pode levar ao fechamento de lojas e fábricas”, destacou.
Medida amplia assimetria competitiva, diz Fiemg
O posicionamento da Fiemg sobre a medida é de que “a indústria brasileira já opera sob elevados custos de produção, alta carga tributária e desafios logísticos que impactam diretamente sua competitividade. Nesse cenário, a retirada da tributação sobre produtos importados de baixo valor tende a aprofundar a concorrência desigual enfrentada pelas empresas nacionais, especialmente pelos pequenos e médios negócios”.
A entidade defende a adoção de medidas “que garantam isonomia competitiva entre produtos nacionais e importados, contribuindo para o desenvolvimento econômico e industrial do País” e relembra: “Antes da aprovação da tributação sobre importações de até US$ 50, em 2024, um estudo elaborado pela Fiemg apontou que a manutenção daquele cenário poderia provocar a perda de 1,1 milhão de empregos e a redução de R$ 99 bilhões no faturamento do setor produtivo nacional”.
Plataformas comemoram
Enquanto isso, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa, entre outras plataformas, Amazon e Shein, celebra a medida. “Ao zerar o imposto de 20% sobre a importação de produtos de até US$ 50 via plataformas internacionais de e-commerce, o governo federal contribui para a democratização do consumo”, afirmou a entidade, por meio de nota.
“Como vários estudos demonstraram, a tributação foi extremamente regressiva, reduzindo o poder de compra principalmente das classes C, D e E e aprofundando a desigualdade social no acesso ao consumo básico. Além disso, a ‘taxa das blusinhas’ não cumpriu a promessa de gerar mais empregos ou aumentar a renda no varejo nacional”, completou.
Setores nacionais criticam medida
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) afirmou, por meio de nota, que a decisão é “extremamente equivocada” e “amplia ainda mais a desigualdade tributária e regulatória entre as empresas brasileiras e as plataformas internacionais”.
Já a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTex) também repudiou a medida, afirmando que ela coloca em risco “os 18 milhões de empregos gerados pela indústria e varejo nacional”. A entidade pede que o governo adote medidas compensatórias urgentes para evitar o que chama de possível colapso.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o fim da cobrança do imposto sobre importações de até US$ 50 representa uma vantagem para as indústrias estrangeiras em detrimento da indústria nacional. A entidade enfatiza que a medida impactará principalmente micro e pequenas empresas.
“Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto para quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, por meio de nota.
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