Usiminas mira novas oportunidades de negócios na indústria naval
Com histórico de vendas para o setor, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) projeta um horizonte de oportunidades na indústria naval nos próximos anos. A siderúrgica prevê uma expansão da demanda impulsionada por projetos da Petrobras e da Transpetro.
Recentemente, a companhia forneceu cerca de 5.200 toneladas de aço plano, incluindo chapas grossas produzidas em Ipatinga e bobinas laminadas a quente fabricadas em Cubatão para a construção de quatro navios militares, desenvolvidos para a Marinha do Brasil. A empresa venceu a concorrência contra a Gerdau e siderúrgicas do exterior.
Agora, o otimismo da Usiminas está relacionado, principalmente, ao Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras. Conforme o gerente-executivo Comercial da empresa, Leonardo de Oliveira Turani, há vários projetos que podem ser executados e o grupo espera, a partir de 2027, ampliar em quatro ou cinco vezes o volume de fornecimento do mesmo tipo de aço que foi produzido para as fragatas, de alta qualidade.
“Tem mais quatro plataformas no radar da Petrobras. Se ela for fabricar nos estaleiros nacionais, podemos participar da concorrência e contribuir fornecendo o aço”, afirma, mencionando também demanda de navios de produtos, da renovação da frota da própria Transpetro, de navios de apoio às plataformas e de balsas no Norte do País.
“A Usiminas é protagonista no fornecimento naval para todo o transporte fluvial no Brasil, não só no segmento de óleo e gás e de Forças Armadas”, destaca.
Siderúrgica está preparada para atender à demanda nacional
Para fornecer aço para os navios da Marinha do Brasil, a Usiminas participou, desde 2020, de um rigoroso processo de homologação para atender às exigências técnicas do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT). A iniciativa envolveu diversas áreas da companhia, para garantir que o aço atendesse aos padrões internacionais definidos pela certificadora.
Para aplicação nas fragatas, o material precisava apresentar elevada resistência mecânica, tenacidade e excelente soldabilidade, características essenciais para suportar condições severas do ambiente marítimo e operações de defesa. O plano de testes incluiu ensaios mecânicos, análises macro e microestruturais, testes de dureza e impacto, além de avaliações específicas das juntas soldadas, simulando condições reais de fabricação no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do grupo, localizado no Vale do Aço.
Segundo Turani, o governo federal assinou um memorando de entendimento na Alemanha recentemente sinalizando a intenção de expandir ainda mais a frota da Marinha. De acordo com o gerente-executivo, se o consórcio vencedor de futuras licitações for o mesmo (Águas Azuis), a companhia tem totais condições de fornecer aço para as construções.
“Se for outra, vamos entrar em contato com a empresa vencedora e verificar os moldes do projeto. Se for similar àquilo que foi feito, já está tudo alinhado em termos de homologação. Se tiver que fazer alguma adaptação no projeto também podemos fazer. A Usiminas sempre fez isso com a Petrobras e a Transpetro, por exemplo”, pondera.
Conforme ele, a Usiminas ainda tem linhas de aço balístico voltados para o Exército, que suporta tiros de alto calibre. Turani espera que o governo brasileiro continue investindo nas Forças Armadas e destaca que a empresa está preparada para atender à demanda nacional.
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