Uso do FGTS em novo Desenrola custará R$ 4,5 bi nos próximos 3 meses, diz ministro
O uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para renegociação de dívidas terá um custo de R$ 4,5 bilhões nos próximos três meses, afirmou nesta quarta-feira (29) o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A medida fará parte de um pacote do Governo Lula (PT) para reduzir o superendividamento da população, que tem registrado crescimento recorde nos últimos meses.
Os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão usar um máximo de 20% do FGTS para reduzir o saldo final da dívida no Desenrola 2.0. Além disso, as instituições financeiras precisarão oferecer um desconto mínimo de 40% para a renegociação da dívida. O desconto máximo será de até 90%, como informou nesta semana o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
“Pressupõe que a entidade que tenha o crédito faça uma negociação do trabalhador encaixado no mínimo exigível. Depende da natureza do crédito. Alguns podem chegar a 90%. O mínimo é de 40%. Abaixo disso, não estará autorizado”, disse o ministro Luiz Marinho.
A Caixa Econômica fará a transferência da verba para renegociação da dívida. De acordo com Marinho, se o trabalhador tiver dívidas em outras instituições diferentes, o banco federal fará a transferência dos recursos para negociar a dívida. Os detalhes técnicos de como ocorrerá continuam sendo finalizados pelo Governo.
O limite máximo para o impacto do programa será de R$ 8 bilhões. A cifra prevista, de R$ 4,5, não terá um peso tão significativo, de acordo com Marinho, uma vez que o fundo do FGTS soma R$ 705 bilhões.
“Não tem absolutamente nenhum risco de sustentabilidade e manutenção do fundo em relação a empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida, empreendimentos em saúde, ou à obrigação de cumprir com direitos dos trabalhadores”, afirmou Marinho.
Além disso, quem participar do programa estará proibido de apostar em bets, segundo Marinho, para manter o acesso ao programa. Os jogos já estavam sendo criticados pelo Governo, devido à associação com a alta de endividamento no país.
“Quem aderir ao alívio da dívida terá que abrir mão de não fazer absolutamente nenhuma aposta nos famosos jogos. É preciso haver também a mudança de padrão de comportamento em relação ao endividamento”, disse o ministro. De acordo com Marinho, o Governo fará um pronunciamento nesta quinta-feira (30) para tratar das medidas.
MEDIDAS PARA EMPRESAS
Para além do Desenrola, o Governo deve apresentar outras medidas com o objetivo de facilitar o acesso a créditos para investimentos. Segundo Marinho, haverá um programa específico para o endividamento das empresas.
“[Objetivo é] cuidar do endividamento não só de pessoas físicas, mas também de empresas, que terão possibilidade de fazer ajuste de endividamento para voltar a ter condições de crédito para produzir”, disse.
Além disso, o Governo planeja o lançamento de uma linha para investimento voltada a taxistas que busquem trocar a frota dos veículos.
Ouça a rádio de Minas