Varejistas mineiras somam 171 mil funcionários e recorrem à tecnologia diante da falta de mão de obra

Supermercados BH é a maior empregadora do setor no Estado, com 49,2 mil funcionários, enquanto novas tecnologias ganham espaço nas operações
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Varejistas mineiras somam 171 mil funcionários e recorrem à tecnologia diante da falta de mão de obra
Foto: Reprodução Adobe Stock

As maiores varejistas com sede em Minas Gerais encerraram 2025 com 171.812 funcionários. Apesar da participação expressiva na geração de empregos, o setor enfrenta escassez de mão de obra qualificada. Uma das alternativas encontradas pelas empresas para enfrentar esse desafio é o investimento em tecnologia, que vem transformando a estrutura dos negócios.

Das 23 empresas mineiras presentes na edição deste ano do Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro, do Instituto Retail Think Tank (IRTT), duas não declararam o número de funcionários no último exercício. As 21 que divulgaram a informação somam 171.812 trabalhadores, o equivalente a 10,11% dos 1,7 milhão de colaboradores das 236 empresas que reportaram o dado no País.

A rede Supermercados BH é a maior empregadora entre as varejistas do Estado, com 49.233 funcionários, ou 28,66% do total. A supermercadista também é a única representante mineira no Top 10 nacional, ocupando a quinta posição entre as maiores empregadoras do setor no País. Na sequência, aparecem o grupo Mart Minas e Dom Atacadista (18.919), a DMA Distribuidora (17.176) e a Drogaria Araujo (12.136).

Varejistas mineiras com mais funcionários em 2025:

  • Supermercados BH (49.233 funcionários);
  • Mart Minas e Dom Atacadista (18.919 funcionários);
  • DMA Distribuidora (17.176 funcionários);
  • Drogaria Araújo (12.136 funcionários);
  • Grupo ABC (9.310 funcionários);
  • Bahamas (8.866 funcionários);
  • Martins – Rede Smart Supermercados (8.250 funcionários);
  • Grupo Supernosso (8.000 funcionários);
  • Farmácia Indiana (7.300 funcionários);
  • Villefort Atacarejo (5.442 funcionários);
  • Eletrozema (5.000 funcionários);
  • Verdemar (4.888 funcionários).

O conselheiro de empresas e especialista em varejo Epifânio Parreiras Júnior avalia que, apesar dos esforços para enfrentar a atual escassez de mão de obra, o cenário tende a permanecer desafiador nos próximos anos. Segundo ele, iniciativas como alterações nas escalas de trabalho não são suficientes para solucionar o problema.

“Todas essas medidas e ideias que estão sendo implementadas estão apenas minimizando alguns problemas, mas o déficit de mão de obra ainda é muito grande”, ressalta.

Investimento em tecnologia

O especialista destaca que as empresas do setor têm investido em tecnologia e em diferentes canais de venda para reduzir atritos nas operações. Um exemplo são as drogarias, que vêm estimulando cada vez mais as compras pela internet, com a opção de retirada dos produtos nas lojas físicas.

“O cliente chega na loja e já retira o seu pacote, que já está separado e pago sem a necessidade de um balcão de atendimento e sem fila no caixa”, descreve.

Locker Araujo Clique e Retire.
Locker do serviço Clique e Retire da Drogaria Araujo | Foto: Diário do Comércio / Daniel Rosa

De acordo com o levantamento do IRTT, 15 das grandes varejistas mineiras já atuam no e-commerce. O comércio digital vem ampliando a participação nas vendas do setor. Minas possui duas representantes entre as 18 companhias brasileiras com mais de R$ 1 bilhão em vendas anuais nos canais digitais próprios.

O grupo Azzas 2154, que reúne marcas como Arezzo, Hering, Reserva e Farm Rio, ocupa a oitava posição no varejo on-line nacional, com R$ 2,86 bilhões em vendas pelo canal digital. Já a Drogaria Araujo registrou R$ 1,05 bilhão e aparece na 17ª posição. O ranking nacional é liderado pela Magazine Luiza, que encerrou 2025 com R$ 27,15 bilhões em vendas no e-commerce.

Os marketplaces também vêm ganhando espaço no varejo digital. Entre as varejistas com sede no Estado, sete já vendem por meio dessas plataformas. A Azzas 2154 e a Livraria Leitura têm ferramentas próprias, modalidade denominada marketplace in, enquanto outras cinco, Araujo, Grupo Supernosso, Indiana, Eletrozema e Verdemar, utilizam plataformas de terceiros, o chamado marketplace out.

O estudo também destaca o avanço do conversational commerce, ou comércio conversacional, no varejo. Aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, já são utilizados para vendas por 99 empresas no País, sendo seis de Minas Gerais: Martins, Araujo, Supernosso, Farmácia Indiana, Eletrozema e Verdemar.

Além da estratégia omnichannel, que integra diferentes canais de venda e comunicação na jornada de compra, Parreiras relata que os self-checkouts, ou caixas de autosserviço, também vêm ganhando espaço no mercado. Para ele, essas são algumas das tecnologias que vieram para ficar.

“Isso é uma tendência mundial, que vem acontecendo cada vez mais. Essa tendência está minimizando os efeitos da falta de mão de obra, mas ainda haverá, por muitos anos, um déficit tanto no Brasil quanto no resto do mundo”, diz.

Adoção da IA

Parreiras avalia que a adoção de tecnologias nas operações foi, durante um período, deixada em segundo plano por dois fatores: a desconfiança que, segundo ele, seria característica dos mineiros diante de novidades e a cultura local de valorização do atendimento presencial e do diálogo.

Segundo o especialista, empresas que permaneceram resistentes à adoção de novas tecnologias passaram a incorporá-las por necessidade e a buscar mais inovação. “Nos últimos anos, a busca por tecnologia para os negócios está ocorrendo de forma avassaladora”, relata.

A adoção e a disseminação da inteligência artificial (IA) estão entre os movimentos observados no setor nos últimos anos. Na edição deste ano do estudo, 79 varejistas, sendo seis de Minas Gerais, declararam ter projetos de IA em andamento.

Quase metade das empresas brasileiras com esse tipo de iniciativa considera o uso da inteligência artificial um tema de alta prioridade estratégica. Entre as mineiras, quatro classificam a prioridade dos projetos como média, Mart Minas, Martins, Bahamas e Indiana, enquanto outras duas, Araujo e Supernosso, a consideram alta.

A Drogaria Araujo e a Farmácia Indiana também declararam utilizar IA para automatizar jornadas de compra e o atendimento conversacional. No País, 35 varejistas afirmam utilizar a tecnologia com essa finalidade.

Inclusão no setor varejista

Funcionários da Drogaria Araújo
Foto: Play P

O levantamento também reúne dados sobre a participação de mulheres, pretos e pardos no quadro de funcionários e na liderança das empresas. Entre as varejistas mineiras, as duas maiores empresas do segmento farmacêutico aparecem entre os destaques.

De acordo com estimativas do levantamento, cerca de 65% dos funcionários da Indiana são mulheres, a maior participação entre as varejistas do Estado e a 17ª maior do País. Nos cargos de liderança, a participação feminina sobe para 68%, a quinta maior entre as empresas analisadas no Brasil.

Já a Araujo registrou participação feminina de 62% no quadro de colaboradores, ocupando a 25ª posição no ranking nacional. Além disso, 59% dos cargos de liderança da empresa são ocupados por mulheres. Na análise da participação feminina no conselho de administração, o Grupo Bahamas é o único representante mineiro citado, com 20%, na 28ª posição.

No recorte por raça, a Drogaria Araujo apresenta a maior participação entre as mineiras, com 67% dos funcionários pretos ou pardos, percentual que ocupa a 11ª posição no ranking nacional. A rede também tem 65% dos cargos de liderança ocupados por esse grupo, a sétima maior participação do País.

Conforme as estimativas, pretos e pardos representam aproximadamente 48% dos colaboradores da Farmácia Indiana, a 35ª maior participação entre as companhias analisadas. Nos cargos de liderança, o percentual é de 41%, a 25ª maior participação.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.


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