Mais da metade das empresas mineiras já está presente no comércio eletrônico
O comércio eletrônico está presente em 51,1% das empresas do varejo mineiro. Para parte desses negócios, o ambiente on-line funciona como uma extensão da loja física, ampliando o alcance a consumidores de outras cidades e criando novas formas de relacionamento e venda.
A pesquisa E-commerce 2026, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), mostra que 72,9% das empresas com presença on-line já realizam vendas pela internet. Outros 4,3% ainda não vendem por esse canal, mas pretendem começar.
A demanda dos consumidores é o principal motivo para atuar no e-commerce, citada por 43,7% dos entrevistados, seguida pela percepção de que o comércio eletrônico é uma tendência, mencionada por 42,4%. A ampliação da capilaridade do negócio aparece em seguida, com 19,9%.
Entre as empresas que ainda não atuam no segmento, mas pretendem ingressar, 88,9% apontam a falta de planejamento como um dos principais entraves, enquanto 44,5% mencionam a falta de tempo.
A economista da Fecomércio-MG Gabriela Martins avalia que os números mostram que o comércio eletrônico deixou de ser uma estratégia restrita às empresas estruturadas especificamente para atuar no ambiente digital. Segundo ela, há uma integração crescente entre o comércio tradicional e os canais digitais.
“Para muitas empresas, vender on-line não significa abandonar a loja física, mas criar uma nova porta de entrada para o consumidor e ampliar o alcance do negócio. O digital passa a funcionar como uma extensão da operação que o empresário já conhece”, avalia.
Outro dado relevante apresentado pelo estudo, realizado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência e Pesquisa da Fecomércio-MG, é que 39% das empresas afirmam que as vendas on-line correspondem a até 20% do total registrado, enquanto 9,9% apontam uma participação entre 25,1% e 30%.
De acordo com a especialista, os dados mostram que, para uma parcela do varejo, o e-commerce não substitui o comércio físico, mas complementa a operação. “A tendência é que o empresário trabalhe cada vez mais com uma lógica de canais integrados, em que o consumidor escolhe onde pesquisar, comprar, pagar, receber ou retirar o produto”, observa.
Quase metade (49,7%) dos negócios que vendem pela internet atua nesse canal há entre três e cinco anos, enquanto 29,1% estão presentes há entre cinco e dez anos e 11,3%, entre um e dois anos. Outros 4,6% atuam há mais de dez anos, e 1,3%, há menos de um ano.
Entre as empresas que vendem pela internet, 68,9% comercializam produtos para outras cidades, enquanto 33,8% alcançam outros estados e 8,6% realizam vendas para outros países.
Os dados indicam que os canais digitais permitem ao varejo mineiro ampliar o alcance para além do mercado local. Negócios antes mais dependentes do fluxo de consumidores de sua região podem, por meio da internet, apresentar produtos a clientes de outras localidades.
A economista pontua que essa capacidade de chegar a outras cidades é especialmente importante para o comércio de Minas, que tem uma forte presença de pequenas empresas. “O canal digital reduz a dependência da localização física e permite que negócios regionais encontrem consumidores fora de sua área habitual de atuação”, explica.
Marketplaces e redes sociais ampliam canais de venda

Em relação aos marketplaces, 84,1% das empresas afirmam não operar nesse tipo de plataforma, enquanto 14,6% já estão presentes. Entre as que utilizam esses canais, 54,5% vendem pelo Mercado Livre, 31,8% pelo iFood, 18,2% pela Amazon e 4,5% pela Temu.
Além disso, 73,5% dos negócios não possuem site próprio, enquanto 25,8% contam com esse canal. Entre as empresas que têm site, 71,8% já realizam vendas por esse meio, 15,4% não têm interesse em utilizá-lo para comercialização, 10% pretendem começar a vender nos próximos 12 meses e 2,6% planejam iniciar após esse período.
As redes sociais, por outro lado, estão presentes em 86,1% dos negócios do Estado. Entre as empresas que utilizam essas plataformas, 99,2% estão no Instagram, 33,1% no Facebook e 3,8% no Messenger e no TikTok. Além disso, 51,7% realizam vendas pelas redes sociais. Entre essas empresas, todas utilizam o Instagram para comercialização, enquanto 16,7% vendem pelo Facebook e 1,3% pelo TikTok.
Entre as principais finalidades das redes sociais estão a divulgação de ações da loja, citada por 87,6% das empresas, e de produtos, mencionada por 86,7%. Outros 55% utilizam essas plataformas para apresentar o conceito e os valores da empresa.
A publicação de materiais educativos é a ação menos frequente nas redes sociais entre as opções apresentadas. Nesse caso, 30,5% afirmam produzir esse tipo de conteúdo com frequência, 32,8% o fazem algumas vezes e 35,9% não adotam a prática. Para Gabriela Martins, esse comportamento revela uma etapa de amadurecimento do comércio digital.
A especialista esclarece que estar nas redes sociais já não é novidade para o varejo e avalia que o próximo passo será a transformação da presença em estratégia. “A empresa precisa entender que o consumidor não busca apenas o produto, mas também informação, confiança, atendimento e uma experiência de compra coerente em todos os canais”, afirma.
O levantamento mostra ainda que 71,5% das empresas utilizam o WhatsApp Business nas vendas, enquanto 10,6% usam a ferramenta, mas não comercializam produtos por meio dela. Outros 17,9% não utilizam a versão comercial do aplicativo. Entre as formas de uso, 54,8% fecham a venda e recebem pelo próprio aplicativo, 33,1% concluem a negociação pelo WhatsApp, mas recebem por outro meio, e 20,2% utilizam o catálogo para disponibilizar produtos e preços.
As avaliações feitas por consumidores em redes sociais e sites de reclamações são utilizadas por 43,7% das empresas, enquanto 0,7% afirma desconhecê-las. Em relação aos influenciadores digitais, 57,6% dos negócios nunca contrataram esses profissionais para divulgar a empresa ou seus produtos, 33,8% já recorreram a esse tipo de serviço e 7,9% pretendem fazê-lo.
Meios de pagamento

O Pix é o meio de pagamento mais aceito pelas empresas entrevistadas, citado por 88,7%. Em seguida aparecem cartão de crédito (51,7%), cartão de débito (41,7%), link de pagamento pelo Instagram (14,6%), Mercado Pago (6%), boleto (4,6%) e pagamento pelo próprio sistema do WhatsApp (4%).
Entre as formas de integração entre a loja física e o ambiente on-line, 70,9% das empresas oferecem a retirada de produtos na unidade, enquanto 21,2% permitem a troca de itens comprados pela internet no estabelecimento físico. Outros 25,2% ainda não implementaram integração entre os canais de venda.
Quanto à frequência de compra, 37,1% das empresas afirmam que os clientes costumam comprar pela internet mensalmente, enquanto 28,5% relatam uma frequência semanal. Outros 11,9% apontam compras trimestrais e 11,3%, semestrais.
Principais desafios no e-commerce
A pesquisa mostra que 48,3% dos entrevistados afirmam não enfrentar dificuldades na gestão do e-commerce. Entre os desafios mencionados estão a concorrência (11,9%), o planejamento (10,6%), o marketing (9,3%), a gestão de estoque (8,6%), a falta de mão de obra especializada (6,6%) e a logística (4,6%).
De acordo com Gabriela Martins, os dados deixam claro que a entrada no comércio eletrônico não deve ser tratada apenas como uma decisão de abrir um novo canal de venda. Ela explica que é preciso planejamento, organização de estoque, definição de preços, estratégia de marketing e capacidade de atendimento. “O digital amplia o mercado, mas também amplia a necessidade de gestão”, acrescenta.
Em relação à percepção de segurança no ambiente digital, 35,8% de todas as empresas entrevistadas consideram muito seguro trabalhar com a internet. O percentual sobe para 53% entre aquelas que realizam vendas on-line. Já entre as empresas que não vendem pela internet, 25,6% consideram esse tipo de atuação muito seguro, enquanto 7,1% o avaliam como muito inseguro.
Para 59,4% das empresas, as vendas on-line dos concorrentes não têm impacto sobre o negócio. Outros 28,3% avaliam os efeitos como negativos, enquanto 9,8% consideram o impacto positivo.
Entre as empresas que avaliam o impacto como negativo, o motivo mais citado é a dificuldade de acompanhar a concorrência (48,6%). Já entre aquelas que consideram o impacto positivo, o aumento do fluxo de vendas aparece com 52%, seguido pela diversidade de produtos (28%) e pela logística (24%).
Para Gabriela Martins, os resultados reforçam que o e-commerce pode ser incorporado à operação das lojas físicas, em vez de ser tratado como um canal concorrente. Segundo a economista, mais do que escolher entre o físico e o digital, o empresário precisa entender como os dois ambientes podem funcionar de forma integrada.
“A pesquisa mostra que já existe uma base importante para essa integração em Minas Gerais. O desafio agora é transformar presença digital em uma estratégia de negócios capaz de gerar relacionamento, vendas e recorrência”, completa.
Motivos para não atuar no comércio on-line

A pesquisa mostra ainda que 20,8% das empresas não pretendem realizar vendas pela internet, enquanto 1,9% já atuaram nesse canal, mas deixaram de utilizá-lo. Entre os motivos para não trabalhar com e-commerce, 40,4% citam a falta de interesse, 27,7% preferem o modelo presencial e 17% mencionam a falta de planejamento ou conhecimento.
Outros fatores citados são a falta de mão de obra especializada (8,5%), de recursos para investir (6,4%) e de tempo (4,3%).
Entre as empresas que ainda não possuem presença on-line, parcela que corresponde a 48,9% das entrevistadas, 47,7% afirmam que gostariam de receber apoio para iniciar a atuação nesse canal, enquanto 50% dizem não necessitar de ajuda.
Entre as empresas sem presença on-line, os motivos mais citados para não vender pela internet são a preferência pelo modelo presencial (48,5%) e a falta de interesse (33,8%). Desse grupo, 72,7% afirmam não ter planos de ingressar no comércio eletrônico, enquanto 15,2% pretendem fazê-lo nos próximos 12 meses e 7,1%, após esse período.
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