Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

O comércio varejista em Minas registrou queda de 2% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2018. No acumulado de 12 meses, também houve retração de 2%. Mas, apesar desses resultados negativos, o setor vem dando sinais positivos, com alta de 1,7% na passagem de maio para junho e incremento de 0,5% na relação junho 2019/junho 2018. As informações foram divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a analista do IBGE Minas Cláudia Pinelli, os números refletem a fraca recuperação da economia, ainda não havendo condição para se falar em tendência de melhora. “É necessário aguardar mais um tempo antes de falarmos em evolução da atividade em Minas. Ainda não temos condições de afirmar que o crescimento (na relação junho/maio) veio para ficar ou se ocorreu devido ao comparativo com um mês fraco”, disse. Em maio, o varejo em Minas registrou queda de 1,5%.

Por outro lado, o incremento de 1,7% na passagem de maio para junho se destaca positivamente porque ocorreu mesmo com o mês de maio abrigando uma das melhores datas de vendas para o varejo, que é o Dia das Mães. Além disso, junho teve dois dias úteis a menos que o mês anterior.

Os únicos segmentos do comércio que mostraram crescimento em todas as bases comparativas foram supermercados e de artigos farmacêuticos. Cláudia Pinelli explica que esses são setores com produtos de primeira necessidade e vão se sobressair sobre os outros enquanto não houver a melhora do mercado de trabalho, com aumento da renda e consequente incremento do consumo.

No semestre, os resultados positivos vieram de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com crescimento de 10,5%; dos hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com alta de 3,1%; e dos equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com 2,9%.

Já os resultados negativos vieram dos segmentos de artigos de uso pessoal e doméstico (-15,6%); livros, jornais, revistas e papelaria (-14,8%); móveis e eletrodomésticos (-13,7%); tecidos, vestuário e calçados (-8,6%); e combustíveis e lubrificantes (- 8%).

Na variação mensal (junho 2019/junho 2018), o melhor resultado veio dos hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com alta de 10,2%; e dos artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com crescimento de 9,8%. Os demais setores mostraram retração, sendo eles: livros, jornais, revistas e papelaria (-26,1%); artigos de uso pessoal e doméstico (- 22,5%); móveis e eletrodomésticos (-19,3%); equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-5,7%); tecidos, vestuário e calçados (-3,9%); e combustíveis e lubrificantes (-3,5%).

Varejo ampliado – No caso do varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, o semestre registrou queda de 0,3%, havendo retração de 1,6% na relação junho 2019/junho 2018. Os resultados positivos apareceram na passagem de maio para junho (+1,2%) e no acumulado de 12 meses, com incremento de 0,3%.

Tanto veículos como materiais de construção vinham com bons indicadores, mas mostraram retração na comparação de junho com o mesmo mês do ano anterior. Esse cenário também é atribuído à fraca capacidade de recuperação da economia.

As vendas de veículos mostraram retração de 6,8% na relação junho 2019/junho 2018, enquanto o comércio de material de construção caiu 8,8% nessa base.

No semestre, houve alta de 7,8% na venda de veículos, motocicletas, partes e peças. Já material de construção mostrou queda de 0,5%. Em 12 meses, a venda de veículos subiu 10,9%, enquanto a de material cresceu 3,1%.

Na Capital, setor tem avanço de 0,88%

Os resultados do comércio da Capital no mês de junho foram positivos em todas as bases comparativas. Conforme o Termômetro de Vendas divulgado ontem pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), o setor apresentou alta de 0,88% no primeiro semestre na relação com igual período de 2018, enquanto no acumulado de 12 meses o incremento foi de 0,57%. Na comparação de junho com igual mês de 2018, o crescimento foi mais acentuado e chegou a 1,46%. Já na passagem de maio para junho, a alta foi de 0,14%.

Economista da CDL-BH, Ana Paula Bastos informou que os dados positivos do primeiro semestre e medidas já anunciadas pelo governo federal, como corte nos juros e liberação do saque do FGTS, levam a CDL-BH a apontar uma tendência mais acentuada de melhora nos próximos meses. Além disso, no segundo semestre há injeção extra de recursos no mercado, com o pagamento do 13º salário.

“Desde o ano passado, o comércio vem mostrando recuperação, mesmo que lenta”, ressalta. O aumento nas vendas é atribuído à melhora no ambiente econômico, mesmo que aquém do esperado. Entre os fatores positivos citados por Ana Paula Bastos estão inflação sob controle, queda na taxa de desemprego e redução dos juros.

A desaceleração da inadimplência também traz impacto positivo, com as famílias gastando menos com serviço de dívidas, o que libera recursos para consumo. Há ainda a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, apontada como medida que melhora a confiança de empresários e consumidores.

Bases – Na passagem de maio para junho, mesmo o percentual de crescimento tendo sido pequeno (0,14%), o índice é considerado positivo. Isso porque maio é uma base forte devido ao Dia das Mães. Ana Paula também considera que o Dia dos Namorados, em junho, ajudou no resultado.

Nessa comparação mensal (junho/maio), o setor de veículos e peças foi o que apresentou o maior crescimento (+0,65%). Também apresentaram alta nas vendas supermercados (+0,38%); artigos diversos (+0,31%); drogarias e cosméticos (+0,3%); vestuário e calçados (+0,29%); e material elétrico (+0,12%). Os segmentos com resultados negativos foram papelaria e livrarias (-0,8%); móveis e eletrodomésticos (-0,63%); e informática (-0,12%).

Conforme o levantamento da CDL-BH, na comparação anual (junho 2019/junho 2018), foi registrada alta nas vendas pela terceira vez consecutiva. Nessa base, todos os setores mostraram crescimento. O melhor resultado veio do segmento de supermercados, com alta de 2,4%. Em seguida estão: material elétrico e construção (+1,75%); informática (+1,75%); artigos diversos, que incluem acessórios em couro, brinquedos, óticas, caça, pesca, material esportivo, material fotográfico, computadores e periféricos e artefatos de borracha (+1,67%); vestuário e calçados (+1,36%); veículos e peças (+1,14%); drogarias e cosméticos (+1,06%); papelaria e livrarias (+0,99%); e móveis e eletrodomésticos (+0,53%).

No semestre, o setor que apresentou o melhor resultado foi o de material elétrico e construção, com alta de 1,78%. Os outros segmentos que apresentaram crescimento foram: papelaria e livrarias (+1,61%); supermercados (+1,44%); artigos diversos (+1,42%); veículos e peças (+1,03%); móveis e eletrodomésticos (+0,6%); vestuário e calçados (+0,56%); drogarias e cosméticos (+0,06%); e informática (+0,01%).

País tem melhor junho em dois anos

Rio de Janeiro/São Paulo – As vendas varejistas brasileiras tiveram o melhor resultado para junho em dois anos, mas ainda assim encerraram o segundo trimestre com queda, em meio à pressão ainda sofrida pelo desemprego alto e pela lentidão econômica.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que as vendas no varejo subiram 0,1% na comparação com o mês anterior, melhor dado para junho desde 2017 (+1,2%). Sobre o mesmo mês de 2018, as vendas tiveram queda de 0,3%.
Os resultados foram piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de ganhos de 0,5% na comparação mensal e de 0,8% na base anual.

Depois de recuo de 0,4% em abril e de estabilidade em maio nas comparações mensais, o setor varejista terminou o segundo trimestre com perdas de 0,3% sobre os três meses anteriores, quando houve estagnação, destacando as dificuldades enfrentadas pelo setor.

“O comércio está paradinho. (Isso) se deve ao nível de atividade baixo, um elevado contingente de pessoas fora da força de trabalho e as famílias estão mais endividadas. Isso tudo explica o desempenho baixo do comércio este ano com comprometimento do poder de compra”, afirmou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

As duas atividades de maior peso – hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e outros artigos de uso pessoal e doméstico – tiveram em junho respectivamente estagnação e avanço de 0,1% nas vendas.

Outras quatro apresentaram quedas: combustíveis e lubrificantes (-1,4%); móveis e eletrodomésticos (-1,0%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,4%); e livros, jornais, revistas e papelaria (-0,8%).

Apresentaram ganhos nas vendas apenas tecidos, vestuário e calçados (1,5%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,3%).

Incluindo veículos e material de construção, o chamado varejo ampliado, as vendas também ficaram estagnadas sobre maio, subindo 1,7% na comparação com o ano anterior.

Desemprego – O Brasil tinha 12,766 milhões de desempregados nos três meses até junho, e embora a taxa de desemprego tenha caído para 12%, o mercado de trabalho fraco vem afetando o nível de consumo no País, apesar da inflação baixa.

No final de julho, o governo decidiu liberar o saque de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS/Pasep, em uma tentativa de impulso econômico diante da dificuldade da economia de engatar um ritmo sólido de crescimento. (Reuters)