Economia

Venda de carros eletrificados quase dobra no Brasil com impulso chinês

Na mesma base comparativa, o crescimento nas vendas de veículos a combustão foi de apenas 7%
Venda de carros eletrificados quase dobra no Brasil com impulso chinês
Foto | Diário do Comércio/ Leonardo Morais

O segmento de carros eletrificados (elétricos e híbridos, que combinam motor elétrico e o tradicional) registrou no primeiro trimestre deste ano um salto no número de vendas e vem ampliando sua fatia no mercado automotivo. Especialistas apontam impacto positivo da chegada de novas montadoras no Brasil, especialmente as de marcas chinesas, e da redução da resistência de brasileiros com a nova tecnologia .


Segundo um levantamento feito pela K.Lume Consultoria Automobilística com dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), no primeiro trimestre deste ano, mais de 95 mil veículos eletrificados foram emplacados no Brasil. O número abrange carros e comerciais leves que são elétricos, híbridos, híbridos leves e híbridos plug-in. O resultado representou um aumento de 88% na comparação com os três primeiros meses de 2025.


Na mesma base comparativa, o crescimento nas vendas de veículos a combustão foi de apenas 7%, de acordo com a K.Lume.


Milad Kalume, diretor-executivo da K.Lume, diz que atualmente os carros eletrificados possuem uma fatia de cerca de 15% nas vendas de veículos no Brasil. A expectativa da consultoria é que esse percentual feche o ano entre 15% e 17%.


Ele cita a evolução do mercado, com a chegada de novas marcas, como um dos fatores para o crescimento das vendas no país. Diz também que o aumento do preço do combustível gerado pelos efeitos da guerra no Irã pode incentivar o consumidor a comprar um carro elétrico para escapar da gasolina mais cara.


Na opinião de Kalume, a aceitação de carros elétricos no país vem crescendo nos últimos anos e agradando até públicos mais resistentes à tecnologia.


A aposentada Jaíra Vasconcelos, 67, decidiu há cerca de dois meses que queria trocar seu carro, um Fiat Fastback. Ela afirma que, à época, não sabia nem a diferença entre um carro elétrico e híbrido, mas depois de pesquisas, conversas com um vizinho que tem um carro elétrico e um test drive, foi à concessionária e comprou um Ora GT, hatch totalmente elétrico da chinesa GWM, por R$ 189 mil.


“Quando fiz o test drive, fiquei apaixonada. E eu queria o elétrico mesmo, que eu não precisasse colocar combustível, nem fazer revisão. Eu me sinto muito mais segura dirigindo esse carro. Tem uma assistência de direção muito boa… o silêncio, não gastar [com gasolina], a gente não suja o meio ambiente”, diz.


Apesar do cenário mais positivo para o segmento de eletrificados, a K.Lume Consultoria prevê um segundo semestre menos aquecido por causa da Copa do Mundo e das eleições. Kalume explica que, durante o mundial, os dias de jogos da seleção brasileira prejudicam o movimento nas concessionárias. Além disso, o consumo nesse período se desloca para outros produtos, como televisões, diz.


“Outro fato é a questão das eleições, que causa instabilidade. Quem vai ganhar? O que vai acontecer com a economia? Isso gera incerteza na cabeça do consumidor, que espera o cenário se concretizar para depois definir o que fazer [comprar ou não um carro]”, afirma.


Na Bright Consulting, as expectativas para 2026 são mais otimistas. A consultoria prevê que 20% das vendas de carros de passageiros e comerciais leves neste ano corresponderão a veículos eletrificados -ou seja, 1 a cada 5 vendas.


Murilo Briganti, diretor de operações da Bright, diz que a fatia atual de 15% de participação que os eletrificados têm nas vendas deve crescer até o fim do ano, impulsionada por lançamentos de montadoras. De acordo com a Bright Consulting, pouco menos de 10% dos carros comercializados no começo de 2025 eram eletrificados -ou seja, 1 a cada 10 veículos.


“Os chineses voltaram a produção para esse diferencial, que é ter o carro eletrificado. Eles chegam aqui com carros muito competitivos, que conseguiram conquistar o consumidor. Isso faz com que as montadoras tradicionais tenham que reagir também”, afirma.


Briganti diz que a onda de desincentivo à energia limpa, catapultada pelo governo Donald Trump nos EUA, não deve ter efeito sobre o Brasil.


“As montadoras estão vindo com carros que trazem um design diferente do que a gente está acostumado, uma qualidade de conteúdo, de acabamento. O consumidor acaba comprando o conjunto todo.”


Thiago Castilha, diretor da empresa de equipamentos para veículos elétricos E-Wolf, descreve a China como “um celeiro de montadoras”. Ele diz que nem todas essas empresas se manterão futuramente, mas as maiores estão vindo para o Brasil, afirma.


“O carro elétrico vem a somar como mais uma opção, assim como o híbrido, assim como o [carro movido a] etanol. Para o nosso mercado, quanto mais diversa for essa frota, melhor, porque a gente começa a diminuir as dependências de fornecimento. Para a gente é bom ter carro flex, é bom ter carro elétrico, é bom ter carro a diesel também, biodiesel, na medida certa”, diz Castilha.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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