Mercado imobiliário está em desequilíbrio

Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Mercado imobiliário está em desequilíbrio
A redução nos estoques e a alta da demanda tendem a levar as construtoras a investirem em lançamentos - Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

A retomada econômica do País ainda lenta impactou de duas maneiras o mercado imobiliário da capital mineira e de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Se, por um lado, permitiu o incremento das vendas de unidades no decorrer do ano passado, por outro, não foi suficiente para elevar o número de lançamentos ao ponto de equilibrar os estoques de imóveis na Grande BH.

Foi o que mostrou o Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Ao todo, as vendas somaram 3.440 imóveis novos no ano passado, número 42,15% maior que as 2.420 unidades comercializadas em 2017. Em contrapartida, porém, em dezembro, as cidades registravam 3.628 apartamentos novos disponíveis para comercialização, número 21,78% menor se que um ano antes, com 4.638 unidades.

De acordo com o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG, Renato Michel, este é o menor patamar da série histórica da pesquisa da entidade. “Os números demonstram que, nos últimos três anos, o mercado imobiliário destas regiões vendeu mais do que lançou, fazendo com que a oferta disponível de imóveis novos fosse diminuindo ano a ano”, comentou.

Segundo o dirigente, como a perspectiva é de continuidade da melhora do cenário econômico, é possível que a demanda continue aumentando e haverá necessidade de investimentos ainda maiores em lançamentos por parte das construtoras. “Em Belo Horizonte, as vendas estão, sistematicamente, superando o volume de lançamentos, o que tem reduzido o estoque. Se não houver mais lançamentos, poderemos ter falta de imóveis novos na Capital”, alertou.

Neste sentido, o dirigente chamou atenção para o fato de que o cenário ainda pode ser agravado pela aprovação do novo Plano Diretor de Belo Horizonte, que já foi aprovado em primeiro turno na Câmara dos Vereadores. O texto propõe modificações que reduzirão o potencial construtivo na cidade e poderá trazer impactos danosos para o setor.

“A mudança do coeficiente para construção pode dificultar ainda mais o lançamento de novas unidades, o que levaria à falta de imóveis na Capital. Como consequência, a queda na oferta e a falta de tempo hábil para novos lançamentos, o aumento no preço dos imóveis será inevitável. Isso impactará o consumidor e a cadeia produtiva que precisa vender, para investir em novos negócios e gerar novos empregos”, explicou Michel.

O Censo Imobiliário mostrou que as unidades em estoque estão concentradas principalmente em quatro regiões de Belo Horizonte: 66,92% nas regiões da Pampulha, Centro-Sul, Oeste e Venda Nova. A Pampulha se destacou com 793 unidades, 21,9% do total disponível para comercialização.

Os apartamentos que correspondem à categoria padrão econômico, com valores de até R$ 215 mil, lideraram três categorias do censo: número disponível em estoque para comercialização, maior número de vendas e maior número de lançamentos.

Leia também:

Autuações do Crea-MG aumentam

Tecnologia reduz custos em até 20%

Dezembro – Em dezembro, do total de 3.628 unidades disponíveis, 1.071 (29,5%) eram do padrão econômico. Em segundo lugar, apareciam os apartamentos com padrão médio, valores entre R$ 400.001 e R$ 700.000, que somavam 979 unidades (27% do total).

No quesito vendas, os apartamentos de padrão econômico registraram 1.233 unidades, o que correspondeu a 35,8% do total residencial comercializado no período. Os apartamentos de padrão médio também ficaram em segundo lugar em vendas, com 778 unidades, 22,6% do total.

Já quanto aos lançamentos, o estudo demonstrou que, das 2.430 unidades lançadas, 1.192 (49,1% do total) eram do padrão econômico. E 432 unidades eram do padrão médio, com 17,8% do total.

Mais da metade dos 2.430 imóveis lançados em 2018 estavam concentrados em duas regiões: na Pampulha, que registrou 700 unidades, e na Centro Sul, com 549 imóveis.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas