Crédito: Pedro Vilela

As vendas de imóveis novos na Capital e Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), caíram 43,1% em abril. De acordo com o Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) no quarto mês de 2019 foram vendidos 210 imóveis nas cidades, contra 369 no mês imediatamente anterior.

De acordo com o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG, Renato Michel, a queda pode ser atribuída ao desempenho expressivo registrado em março, quando houve o maior resultado de vendas para o mês nos últimos três anos. Além disso, segundo ele, o baixo patamar de lançamentos também pode ter influenciado o resultado. Em abril, apenas 67 unidades foram lançadas.

Segundo o Censo Imobiliário, as regiões de Venda Nova (49 unidades), Pampulha (48 unidades) e Oeste (40 unidades) se destacaram na comercialização de imóveis em abril. No quarto mês deste ano, 53,8% dos apartamentos vendidos eram de padrão econômico, ou seja, possuíam valor até R$ 215 mil. Além disso, apenas as regiões Centro-Sul (39 unidades) e Oeste (28 unidades) registraram lançamentos no quarto mês de 2019.

O levantamento também indicou que de janeiro a abril, Belo Horizonte e Nova Lima comercializaram 866 unidades. Já os lançamentos totalizaram apenas 331 unidades. Isso fez com o estoque de imóveis para comercialização chegasse ao menor patamar da série histórica iniciada em 2016: 3.225 unidades.

Valores – “Como resultado do menor ritmo de lançamentos e as vendas, ainda que menores, superando a criação de imóveis novos está havendo uma redução do mercado imobiliário e um aumento dos preços nestas cidades”, explicou Renato Michel.

Para se ter uma ideia, até o quarto mês de 2019 o preço de apartamentos novos nas cidades aumentou 4,5%, percentual superior ao observado pela inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que foi de 2,09% no mesmo período.

Ainda conforme o vice-presidente, os números são preocupantes, já que estão indicando a redução do mercado imobiliário nestas regiões.

“Considerando que somente na Capital são realizados, em média, 15 mil casamentos por ano, este número está muito inferior ao volume de compradores em potencial. Além disso, cidades como Porto Alegre e Curitiba, com perfis semelhantes ao de Belo Horizonte, possuem estoques superiores a 8 mil unidades. Isso mostra o quanto o mercado está limitado”, analisou.

E, segundo ele, a situação pode piorar. É que o movimento tem ocorrido em função da disparidade entre o número de vendas e de lançamentos. E a aprovação do novo Plano Diretor da Capital pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) tende a limitar ainda mais a criação de novos empreendimentos.

“Além da burocracia já existente para a aprovação dos projetos, que em alguns casos chegam a durar seis meses, teremos outras limitações como a redução do coeficiente de aproveitamento dos terrenos e a outorga onerosa. A consequência desse cenário será a sistemática redução do estoque de apartamentos novos disponíveis para comercialização, a continuidade da elevação dos preços e a permanente fuga da população para as cidades vizinhas”, explicou.

De acordo com a entidade, estudos técnicos demonstram que ocorrerá um aumento médio de 30% a 40% nos preços dos imóveis na Capital a partir das mudanças estabelecidas pelo novo plano.