Economia

Venda de imóveis cai 9,8% em BH no início de 2026, mas setor mantém otimismo

Mercado aposta no Minha Casa, Minha Vida Faixa 4 e em possível queda dos juros para reagir ao recuo nas vendas
Venda de imóveis cai 9,8% em BH no início de 2026, mas setor mantém otimismo
Prédios em BH | Foto: Reprodução/Adobe Stock

Belo Horizonte registrou queda de 9,8% no volume de imóveis vendidos no primeiro trimestre de 2026. No período, foram comercializadas 6.672 unidades, entre apartamentos, casas, lojas, salas comerciais, lotes, galpões e vagas. Já no primeiro trimestre de 2025, foram vendidos 7.397 imóveis. Os dados são de levantamento do Data Secovi, instituto de pesquisas da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), apresentado nesta quinta-feira (14).

Para o presidente da CMI/Secovi-MG, Leirson Cunha, 2026 apresenta desafios significativos, como a Copa do Mundo e o cenário eleitoral, fatores que historicamente geram cautela nos consumidores e acabam impactando as vendas.

“De fato, este ano é muito desafiador devido à Copa do Mundo e às eleições e, evidentemente, cenários externos também acabam trazendo certa insegurança global”, afirma.

Presidente da CMI/Secovi-MG, Leirson Cunha
Presidente da CMI/Secovi-MG, Leirson Cunha | Foto: Diário do Comércio/ Michelle Valverde

Apesar da queda registrada nos primeiros três meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, a CMI/Secovi-MG mantém otimismo para o ano. Um dos fatores que podem impulsionar a recuperação é o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) Faixa 4, lançado em abril.

“Nós entendemos que houve um represamento de consumidores interessados aguardando essa novidade para que as vendas possam decolar. Haja vista que já percebemos que, a partir de abril, os números de vendas se mostraram mais volumosos”, explica Cunha.

Além do MCMV, a possibilidade de novas quedas nas taxas de juros até o fim do ano pode impactar positivamente o mercado.

“Hoje, acreditamos que há uma tendência de redução da taxa de juros até o fim do ano. Então, se isso ocorrer, nossos números devem melhorar”, pontua.

A CMI/Secovi-MG projeta que 2026 possa superar os números do ano anterior, mas pontos como o endividamento das famílias ainda demandam atenção.

Maior parte das vendas foi de imóveis residenciais

Ao longo do primeiro trimestre deste ano, o segmento residencial manteve forte participação no desempenho do setor e respondeu por aproximadamente 90% das unidades vendidas na capital mineira. O valor médio dos imóveis residenciais chegou a R$ 689,9 mil neste ano, o que representa valorização de 4% em relação ao valor médio de 2025 (R$ 662,8 mil).

Os apartamentos concentraram a maior parte das negociações, com cerca de 79,2% das unidades comercializadas no primeiro trimestre. Foram vendidos 4.997 apartamentos, queda de 9,3% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram negociadas 5.508 unidades.

A redução foi concentrada nos segmentos Standard (imóveis com valores entre R$ 500 mil e R$ 700 mil), Econômico Faixa 4 (entre R$ 350 mil e R$ 500 mil) e Econômico (até R$ 350 mil), com quedas de 5,2%, 8% e 19,9%, respectivamente.

Houve aumento nas vendas de 10,6% no segmento Alto (imóveis entre R$ 1,25 milhão e R$ 2 milhões), de 11,6% no Luxo (entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões) e de 31,8% no Super Luxo (acima de R$ 4 milhões).

Já o valor médio do metro quadrado dos apartamentos registrou valorização de 6,3%: passou de R$ 14,3 mil, em 2025, para R$ 15,2 mil neste ano. A maior alta no valor do metro quadrado ocorreu no segmento Super Luxo (47%), que chegou a R$ 19,9 mil. Já o segmento Econômico teve queda de 57% e ficou em R$ 5,8 mil.

A análise do perfil das vendas mostra predominância dos imóveis econômicos nas negociações de apartamentos. Aproximadamente 32,6% das unidades vendidas no trimestre pertencem ao padrão econômico Faixas 2 e 3, com imóveis de até R$ 350 mil. Já o padrão econômico Faixa 4 respondeu por 20,3% das vendas. Os imóveis de luxo e super luxo representaram 3,5% das unidades comercializadas no período.

O levantamento também identificou forte concentração das vendas em algumas regiões da cidade. A Centro-Sul respondeu por 25,1% das unidades comercializadas no trimestre, seguida pelas regiões Oeste, com 18,8%, e Pampulha, com 14,9%. A região Norte registrou a menor participação nas negociações: 4,2%.

Na análise dos valores dos apartamentos, os bairros Santa Lúcia, Belvedere e Santo Agostinho apresentaram os maiores preços da Capital, todos acima de R$ 25 mil por metro quadrado. Na outra ponta, Pousada Santo Antônio, Califórnia e Marajó registraram os menores valores médios, abaixo de R$ 3.150 por metro quadrado.

Considerando o Valor Geral de Vendas (VGV), os bairros Buritis, Lourdes e Santo Agostinho lideraram o mercado no trimestre. Somente em março, o Buritis registrou a comercialização de 138 unidades, que geraram VGV de R$ 109,7 milhões. Na sequência, foram vendidas 55 unidades no Lourdes (VGV de R$ 70,6 milhões) e 43 no Santo Agostinho (VGV de R$ 66,4 milhões).

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