Varejo mineiro cresce 1% no primeiro semestre, abaixo da média nacional
As vendas do varejo em Minas Gerais apresentaram alta de 1% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, abaixo dos 1,9% observados nacionalmente. Quando consideradas as vendas no varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção; e atacado de produtos alimentícios e bebidas, o aumento foi ainda maior, de 4,5%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Das 11 atividades analisadas, considerando o comércio varejista restrito e o ampliado, cinco apresentaram desempenho positivo no semestre:
- equipamentos e materiais para escritório (41,2%);
- atacado de alimentos e bebidas (18%);
- artigos de uso pessoal e doméstico (11,8%);
- veículos, motocicletas, partes e peças (9,7%);
- artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (7,3%).
Conforme explica o analista em Gestão de Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE, Daniel Dutra, o volume de vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que apresentou alta de 7,3% nos seis primeiros meses do ano, foi o principal responsável pelo resultado positivo do semestre.
Questionado se a alta teria relação com a venda de canetas emagrecedoras, Dutra explicou que o recorte da pesquisa não permite fazer essa inferência. “Pesquisamos o setor como um todo, e não o produto”, esclarece.
Já a economista da Fecomércio-MG, Fernanda Gonçalves, acredita que pode haver relação, mas considera que, diante das taxas de juros elevadas, os consumidores tendem a priorizar produtos essenciais. “Ao longo dos meses sempre vemos produtos farmacêuticos e médicos performando bem”, diz.
A economista lembra ainda que o setor de informática é forte em Minas Gerais e que a alta registrada nessa atividade também contribuiu para o resultado positivo do semestre, assim como o desempenho dos artigos de uso pessoal e doméstico.
Na contramão, outras seis atividades tiveram resultados negativos:
- tecidos, vestuário e calçados (-5,8%),
- móveis e eletrodomésticos (-4%),
- livros, jornais e papelaria (-3,5%),
- combustíveis e lubrificantes (-2,6%),
- material de construção (-1,9%)
- e hipermercados e supermercados (-0,5%).
Nesse contexto, a economista da Fecomércio-MG avalia que a retirada da chamada “taxa das blusinhas” sobre produtos importados pode ter contribuído para o desempenho de vestuário e calçados. Segundo ela, a alta do dólar também pode ter impactado os custos de combustíveis e lubrificantes.
Ela comenta ainda que produtos de maior valor ou não essenciais, que exigem maior comprometimento da renda ou até financiamento, têm apresentado dificuldade de crescimento, reforçando os efeitos da política monetária restritiva e do elevado comprometimento da renda sobre as vendas do varejo. “O cidadão tende a priorizar produtos essenciais, já que a política de juros altos dificulta o acesso ao crédito”, pontua.
O economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, avalia que os resultados do primeiro semestre indicam a manutenção do crescimento do comércio varejista em 2026, embora em ritmo moderado. “A resiliência do mercado de trabalho segue como fator de sustentação do consumo, enquanto as condições financeiras ainda restritivas devem limitar uma expansão mais intensa das vendas nos próximos meses”, diz.
Na passagem de maio para junho de 2026,o comércio varejista mineiro teve alta de 2%, interrompendo a sequência de dois meses consecutivos de queda, desempenho superior ao registrado no Brasil (0,5%). Já no comércio varejista ampliado a alta foi de 2,3% em relação a maio.
Na comparação com junho de 2025, o comércio restrito cresceu 2,3% em Minas Gerais e 2,9%, no Brasil. O resultado mineiro foi sustentado principalmente pelos segmentos de equipamentos de informática e comunicação (40,8%), artigos farmacêuticos (11,3%) e livros e papelaria (4%).
Entretanto, quedas expressivas em tecidos,vestuário e calçados (-8,5%) e combustíveis e lubrificantes (-2,8%) limitaram um crescimento mais robusto. No Brasil, o desempenho superior decorreu de uma expansão mais equilibrada entre os diversos segmentos do varejo, especialmente móveis e eletrodomésticos (7,5%) e farmacêuticos (6,2%).
Perspectivas para 2026
Para 2026, a expectativa do economista da Fiemg é de continuidade do crescimento, ainda que em ritmo moderado. “O desempenho observado no primeiro semestre reforça essa perspectiva, com avanço do volume de vendas tanto no varejo restrito quanto no ampliado”, diz.
Pio explica que a resiliência do mercado de trabalho e as medidas de estímulo à renda e ao crédito devem continuar contribuindo para a sustentação do consumo ao longo do ano. “Por outro lado, as condições financeiras permanecem restritivas. Apesar do início do ciclo de redução dos juros, a Selic segue em patamar elevado, o que tende a limitar uma expansão mais intensa do consumo, especialmente nas atividades mais dependentes de crédito”, pontua.
Ele observa ainda que o elevado nível de endividamento das famílias permanece como fator de atenção. “Nesse contexto, a expectativa é de continuidade da expansão do comércio varejista ao longo do ano, ainda que em ritmo contido e com desempenho heterogêneo entre as diferentes atividades”, finaliza.
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