Finanças

Atlético e Cruzeiro somam R$ 1,3 bilhão em receitas e R$ 3,4 bilhões em dívidas em 2025

Clubes mineiros encerram 2025 com valores movimentados, mas também com passivos bilionários em estudo da Sports Value
Atlético e Cruzeiro somam R$ 1,3 bilhão em receitas e R$ 3,4 bilhões em dívidas em 2025
Fotos: Pedro Souza/Atlético e Gustavo Martins/Cruzeiro

O Clube Atlético Mineiro e o Cruzeiro Esporte Clube somaram R$ 1,3 bilhão em receitas totais ao longo de 2025, o que representa um aumento de 28,8% na comparação com o ano anterior (R$ 1,04 bilhão). No entanto, o estudo realizado pela consultoria Sports Value demonstra que ambos também apresentaram uma dívida total de R$ 3,4 bilhões, valor 17,85% superior ao registrado em 2024 (R$ 2,9 bilhões).

Entre os dois principais times de futebol de Minas Gerais, o Cruzeiro foi o que apresentou o melhor desempenho quanto à receita no exercício anterior. O montante subiu de R$ 371,6 milhões para R$ 677,2 milhões em 2025, o que representa um crescimento de 82% no período.

Já o Atlético apresentou uma retração de 1%, baixando de R$ 674,2 milhões, em 2024, para R$ 669,8 milhões no ano passado. Dessa forma, a equipe ocupa a décima posição no ranking nacional, enquanto o Cruzeiro aparece em nono lugar. A lista é liderada por Flamengo e Palmeiras, com R$ 2,089 bilhões e R$ 1,696 bilhão, respectivamente.

Quase metade (49%) da receita do Cruzeiro vem da área de marketing, com R$ 306 milhões sendo de patrocínios e R$ 25 milhões em licenciamento de marca, totalizando R$ 332 milhões. No caso do Atlético, esse setor responde por apenas 9% da receita total, com R$ 58 milhões. A principal fonte de receita do clube são as transferências de jogadores, com R$ 203 milhões ou 30% do total.

A equipe celeste registrou R$ 35 milhões com venda de atletas, o equivalente a 5% da receita total. Se considerar os últimos dez anos, os dois times somaram US$ 322 milhões no mercado de transferências, sendo US$ 225 milhões com jogadores atleticanos e US$ 97 milhões com cruzeirenses.

Se desconsiderar os ganhos com venda de jogadores, o Cruzeiro fechou a última temporada com uma receita de R$ 641,9 milhões, o que representa uma variação positiva de 116% frente a 2024 (R$ 296,8 milhões). Por outro lado, o time alvinegro teve queda de 5% na receita sem as transferências, passando de R$ 491,4 milhões para R$ 466,8 milhões.

Outra fonte importante de recursos para ambos os clubes mineiros são os direitos de TV. Nesse caso, o Atlético é o principal destaque do Estado, com R$ 184 milhões, o equivalente a 27% da receita total, enquanto o Cruzeiro ficou com R$ 176 milhões, o que representa 26% da receita anual do clube.

Receitas com matchday

Jogadores do Atlético Mineiro na Arena MRV.
Foto: Pedro Souza / Atlético

O levantamento da Sports Value também destaca os valores movimentados pelos times de Minas em dia de jogo, ou matchday. As duas equipes somaram uma receita total, incluindo os programas de sócio torcedor e bilheterias, de R$ 268 milhões na temporada passada.

O Atlético fechou 2025 com R$ 148 milhões, valor 14% abaixo do observado no ano anterior (R$ 172 milhões) e equivalente a 22% da receita total. Desse montante, R$ 111 milhões vieram de bilheterias e outras explorações em dias de jogos e R$ 37 milhões de sócios e do programa de sócio torcedor.

Já o Cruzeiro somou R$ 120 milhões, após apresentar um avanço de 18% frente a 2024, quando registrou R$ 83 milhões com matchday. Esse valor corresponde a 18% do total. A divisão da receita nesse caso foi mais equilibrada, sendo R$ 69 milhões com bilheterias e outras explorações e R$ 51 milhões com sócios.

De acordo com a pesquisa, as transferências e outras receitas deram uma leve neutralizada na queda dos ganhos da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético com direitos de TV. Já para a SAF cruzeirense, a avaliação é de que foram apresentadas elevadas receitas com marketing para o perfil do clube, com ajuda dos bons resultados com matchday e direitos de TV.

Dívidas e principais custos dos clubes mineiros

Os dois clubes aparecem na lista dos times brasileiros com as maiores dívidas em 2025. O Atlético possui a segunda maior do Brasil, com passivo de R$ 2,29 bilhões, atrás apenas do Corinthians (R$ 2,447 bilhões); enquanto o Cruzeiro ocupa a quarta posição, com R$ 1,152 bilhão, logo atrás do Botafogo (R$ R$ 1,571 bilhão).

O passivo do Atlético subiu 18% se comparado ao valor registrado em 2024 (R$ 1,94 bilhão), enquanto a dívida do Cruzeiro aumentou 17% na comparação com o ano anterior (R$ 981,1 milhões). Quanto às dívidas fiscais, o clube alvinegro apresentou uma variação positiva de 28%, passando de R$ 339,3, em 2024, para R$ 433,4 milhões no último ano. No caso do time celeste, não foram identificadas dívidas deste tipo.

Torcedores do Cruzeiro.
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O estudo demonstra que os custos com futebol no Cruzeiro atingiram R$ 680,2 milhões, ou cerca de 100% da receita total, após alta de 72% na comparação com a temporada anterior (R$ 395,1 milhões). Ao todo, o clube investiu cerca de R$ 427 milhões em jogadores, o quinto maior do País, e os gastos salariais fecharam em R$ 362 milhões.

No caso do Atlético, os custos com futebol subiram 2% e somaram R$ 633,2 milhões em 2025, contra R$ 620 milhões no ano anterior. Esse resultado corresponde a 87% da receita total. Os investimentos em contratações de jogadores fecharam em R$ 321 milhões e os gastos salariais ficaram em R$ 363 milhões, o sexto mais elevado entre os clubes analisados.

Dessa forma, os clubes mineiros apresentaram um déficit total de R$ 997 milhões em 2025. O Atlético apresentou um avanço de 195% nesse quesito, saltando de R$ 299,4 milhões para R$ 882,1 milhões nos últimos dois anos, o maior da história do futebol brasileiro. Já o Cruzeiro apresentou uma variação negativa de 32%, de R$ 169,9 milhões, em 2024, para R$ 114,9 milhões no ano passado.

Além disso, o Atlético ainda registrou déficit de R$ 1,181 bilhão no acumulado dos últimos oito anos e R$ 1,233 bilhão em seis anos, o mais elevado do estudo em ambos os casos. O Cruzeiro, por sua vez, acumula um déficit de R$ 857 milhões em oito anos e R$ 222,4 milhões nos últimos seis.

Para a Sports Value, o Atlético SAF é mais um modelo empresarial sem sustentabilidade financeira, com o maior prejuízo líquido já registrado por um clube brasileiro. No caso do Cruzeiro, a avaliação é de que se trata de mais um exemplo de SAF com altos investimentos, porém, sem sustentabilidade financeira.

“E há um dado que chama muito a atenção, as receitas elevadíssimas com patrocínios para o padrão do mercado do Brasil e perfil do clube. Esse modelo foi muito praticado na Europa para driblar o Fair Play Financeiro”, acrescenta o estudo.

A consultoria destaca que embora as receitas também tenham crescido em 2025, os prejuízos são muito elevados, mesmo com o aumento nos patrocínios. Ela ainda menciona que a SAF cruzeirense depende tanto dos aportes do dono quanto das receitas de patrocínios, cujo investidor também é proprietário da marca patrocinadora, além da relação comercial com outras marcas de consumo.

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