Diretor do BC diz que órgão lançará novas medidas para combater endividamento
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse nesta terça-feira (1) que a autoridade monetária deve lançar novas medidas em breve que visam combater o endividamento. Os focos serão o cartão de crédito e o crédito não consignado, duas das linhas que mais preocupam o órgão.
Ele também pontuou que é preciso ter um olhar “macro-prudencial principalmente nas linhas mais caras”, se referindo às duas modalidades na mira do BC. O tema, segundo ele, será objeto de debate no CMN (Conselho Monetário Nacional), que formula a política de crédito brasileira, e com a sociedade.
Em evento promovido pela Zetta em Brasília, o diretor disse que uma das ideias é promover a transparência para o consumidor.
“A gente precisa endereçar a temática desse endividamento nas linhas mais caras, ou seja, cartão de crédito e não consignado. Então, o que eu acredito que, nos próximos meses, nós vamos ter algumas medidas relevantes para o sistema financeiro“, falou o diretor, sem dar detalhes sobre quais serão essas medidas.
Na reunião do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) da última semana, ao tratar do endividamento, o BC escreveu que “prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos decorrentes dessa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro”.
“O cenário, caracterizado por taxa básica de juros contracionista e pela elevação dos níveis de inadimplência, comprometimento de renda e endividamento das famílias, bem como pelo endividamento das empresas, requer cautela e diligência adicionais na concessão de crédito, tanto na qualidade dos empréstimos quanto no apetite ao risco”, disse o órgão.
Também na última semana, o BC divulgou que a parcela de empréstimos em atraso no crédito livre, que contempla o cartão, o crédito pessoal e o financiamento de veículos, chegou a 6,4% em julho, o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em março de 2011. Quando consideradas somente as pessoas físicas, a inadimplência atingiu 7,8%.
“É importante que o Pix crédito, as taxas, o custo efetivo total, estejam presentes”, indicou o diretor no evento.
Em evento em São Paulo na última semana, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia alertado para a alta do endividamento.
Ailton de Aquino ainda afirmou que as bets são “elemento central” no endividamento das famílias. Além disso, segundo ele, o Banco Central tem analisado o tema. De acordo com ele, qualquer visão de que as casas de aposta não contribuem com o endividamento é “fake news”.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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