GERAL 035 Dólar x real Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas

São Paulo – O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, aproveitou evento de final de ano da Febraban ontem para reforçar a mensagem de que a autoridade monetária não atua no mercado de câmbio visando a patamares específicos para o dólar.

“O câmbio é flutuante, e o Banco Central só vai atuar quando entender que é necessária alguma intervenção”, afirmou Campos Neto, acrescentando que a alta recente do dólar foi influenciada pela frustração de investidores com os resultados de leilões de petróleo no País.

As declarações de Campos Neto vieram poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que vai retomar tarifas sobre as importações norte-americanas de aço e alumínio do Brasil e da Argentina, pelo fato de os dois países estarem promovendo “uma forte desvalorização de suas moedas”.

Campos Neto afirmou que, para 2020, a expectativa é de que haverá um grande fluxo de recursos para o País. Ele destacou que a medida sobre hedge cambial em análise na Receita Federal vai ajudar a atrair mais investimentos estrangeiros ao Brasil.

Como já anunciado, a ideia da proposta é de que os ganhos e perdas com hedge contratado por investidores de longo prazo em infraestrutura possam se compensar, de forma que a taxação só aconteça sobre um eventual ganho líquido.

Cheque especial – Em discurso, Campos Neto afirmou que a medida recente da autarquia para o cheque especial, que implicou a fixação de um teto de 8% ao mês para os juros cobrados nessa modalidade de crédito, não teve como objetivo “tabelar taxas”.

“Medida direcionada ao cheque especial foi altamente embasada em questões técnicas, já vinha sendo discutida com os bancos”, afirmou Campos Neto ao participar de almoço de final de ano da Febraban.

A entidade, que representa os bancos, criticou, na semana passada, a medida do BC, que também autorizou os bancos a cobrar uma tarifa para a disponibilização de limite de cheque especial superior a R$ 500. Em nota, a Febraban afirmou ver com preocupação “a adoção de limites oficiais e tabelamentos de preços de qualquer espécie”.

Ontem, Campos Neto destacou que o Banco Central considera importante reduzir o custo da intermediação financeira e ponderou que grande parte do movimento de queda de juros tem chegado ao consumidor. (Reuters)

Agitação em emergentes vira alerta para investidores

Londres – Uma onda de agitação social nos países em desenvolvimento este ano pegou muitos investidores desprevenidos e desafia modelos projetados para avaliar riscos políticos para os investidores, levando alguns a retirar seu dinheiro dessas regiões.

Isso levou a preocupações de que uma retirada de bilhões de dólares de carteiras de investimentos agrave os males econômicos domésticos e aumente ainda mais a raiva nas ruas, à medida que o dinheiro estrangeiro, vital para o crescimento econômico e de empregos, esgota-se.

Manifestações antigovernamentais em Hong Kong, Chile, Bolívia, Líbano e outros países nos últimos meses se mostraram tão intensas e duradouras quanto repentinas e surpreendentes.

A forte reação do mercado obrigou até mesmo os gerentes de dinheiro experientes, que se orgulham da capacidade de navegar pelos riscos políticos geralmente inerentes aos mercados emergentes, a repensar.

Muitos trabalham com analistas de risco internos ou externos para monitorar tudo, desde mudanças nos impostos às mídias sociais, para avaliar a ameaça de conflitos civis, rebeliões ou mesmo guerras.

A inquietação confirmou que medidas tradicionais de risco, como a disposição de um governo em pagar suas dívidas ou estabilidade política, nem sempre captam completamente os primeiros sinais de desordem e estão aumentando o interesse por indicadores mais amplos. Isso pode incluir a liberdade na Internet e até o equilíbrio de gênero nas salas de aula das escolas do país.

“Trata-se realmente de pensar onde a próxima instabilidade poderia ocorrer e tentar impedir isso”, disse Richard House, CIO de dívida de mercado emergente da Allianz Global Investors, que possui 535 bilhões de euros em ativos sob gestão. “Qualquer cheiro de inquietação nesses mercados e que tem um grande impacto nos preços dos ativos”.

Alguns preços de ativos tiveram um forte colapso. Os títulos do Líbano são negociados a menos da metade do seu valor de face, as ações de Hong Kong caíram cerca de 13% desde abril e o peso do Chile bateu mínimas recordes.

O descontentamento popular no Chile, que desfrutou de crescimento econômico consistente e prosperidade crescente por anos, foi uma surpresa particular. Os indicadores projetados para sinalizar tal possibilidade deixaram a desejar quando ocorreram tumultos em outubro. (Reuters)