Dólar recua no dia a R$ 5,18 com pesquisas, mas acumula alta de 2,16% em agosto
O dólar abriu a semana em queda moderada no mercado local, alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, embora algumas divisas latino-americanas tenham tropeçado. Operadores afirmam que houve acomodação da taxa de câmbio, com devolução parcial dos ganhos registrados na sexta-feira (28), em parte embalada pela nova rodada de pesquisas apontando para uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto.
Pela manhã, marcada pela disputa pela formação da última taxa Ptax de agosto, a moeda chegou a trocar de sinais, registrando mínima de R$ 5,1615.
A avaliação é de que a volatilidade foi bem contida, uma vez que boa parte dos ajustes técnicos típicos de fim de mês já teria sido realizada nos últimos pregões da semana passada.
Com máxima de R$ 5,1892, à tarde, o dólar encerrou a segunda-feira (31) em queda de 0,32%, a R$ 5,1801, acumulando ganhos de 2,16% em agosto, após recuo de 1,79% em julho.
“Houve uma alta muito forte na sexta-feira, com o dólar atingindo R$ 5,23 e depois fechando abaixo de R$ 5,20. Vejo o movimento de hoje mais como um ajuste, talvez com algum impacto das pesquisas eleitorais, embora não haja uma mudança significativa no cenário”, afirma o operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora.
Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47,1% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro. A distância entre os dois caiu 1,8 ponto porcentual em relação ao levantamento anterior. Já a pesquisa BTG/Nexus trouxe Lula e Flávio empatados tecnicamente em simulação de segundo turno.
A grande novidade dessa safra de pesquisas é o crescimento de Augusto Cury (Avante), que assumiu a terceira posição em ambas, reduzindo, em tese, as chances de uma eventual vitória de Lula já no primeiro turno.
“Esse crescimento da oposição, com empate técnico entre Lula e Flávio, tende a trazer um alívio para o câmbio, porque a direita é a principal aposta do mercado para uma mudança da política econômica, com redução dos gastos públicos”, afirma o economista Fabrizio Velloni.
Ele ressalta que o recrudescimento da guerra no Oriente Médio pode favorecer países exportadores de petróleo, caso do Brasil.
As cotações do petróleo subiram quase 3%, com o contrato do Brent para novembro superando a marca de US$ 90 o barril, após trocas de ataques no Golfo Pérsico. Os Estados Unidos bombardearam partes da ilha iraniana de Larak, o que foi classificado por Teerã como uma violação de sua soberania nacional. Em resposta, o Irã atacou bases militares americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.
Referência do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava 0,29% perto do fim da tarde, aos 99,412 pontos, após mínima de 99,370 pontos. As taxas dos Treasuries mais longos subiram cerca de cinco pontos-base.
Já o retorno da T-note de 2 anos praticamente não saiu do lugar, após a arrancada da última sexta-feira, quando o discurso duro do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Warsh, elevou as chances de alta dos juros nos EUA em setembro.
Investidores aguardam a divulgação, nesta sexta-feira (4), do relatório de emprego (payroll) de agosto, para calibrar as apostas em torno de um aperto da política monetária. Warsh, porém, reforçou que a saúde do mercado de trabalho abre espaço para que o Fed mantenha o foco na inflação.
“Warsh ainda enfrenta um problema de credibilidade: ele tem defendido a necessidade de o Fed reduzir a inflação para a meta de 2%, mas ainda não traduziu esse discurso em ações concretas”, avalia o sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior.
Conteúdo distribuído por Agência Estadão
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