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Economia brasileira encolhe no 3º trimestre

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Dados do IBGE apontam que o consumo das famílias no País cresceu 0,9% no terceiro trimestre | Crédito: Charles Silva Duarte / Arquivo DC

Rio de Janeiro e São Paulo -A economia brasileira entrou em recessão técnica ao registrar no terceiro trimestre contração pela segunda vez seguida, com perdas na agropecuária e nas exportações ofuscando ganhos nos serviços, em um cenário de inflação elevada e aumento de juros no País e apesar do avanço da vacinação contra a Covid-19.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou queda de 0,1% entre julho e setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ontem.

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O IBGE ainda piorou o resultado do segundo trimestre ao revisar o recuo de 0,1% informado antes para retração de 0,4%. Dois trimestres seguidos de contração são considerados como recessão técnica. No primeiro trimestre a economia cresceu 1,3%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2020, o PIB teve acréscimo de 4%. Os resultados vieram piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de estagnação na comparação trimestral e alta de 4,2% na base anual.

Segundo o IBGE, o PIB está agora no patamar do fim de 2019 e início de 2020, período pré-pandemia, e ainda 3,4% abaixo do ponto mais alto da atividade na série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014.

Depois de começar o ano com restrições à movimentação devido à pandemia de Covid-19, o Brasil foi adotando aos poucos o relaxamento das medidas.




Mas o progresso da vacinação, que permitiu maior movimentação de pessoas, bateu de frente com um desemprego alto e inflação elevada, puxada pelo encarecimento do dólar, da gasolina, da energia elétrica e de matérias-primas.

Isso obrigou o Banco Central a aumentar os juros, com a taxa Selic já em 7,75% ao ano e expectativa de nova alta na semana que vem e de que vá a dois dígitos em 2022, restringindo com força a atividade econômica. Até meados de março o juro básico estava na mínima histórica de 2%.

A perspectiva de continuidade desse cenário ganha um novo fator de incerteza neste fim de ano, com a nova variante Ômicron do coronavírus, e vem gerando revisões negativas para a atividade tanto para 2021 quanto para 2022.

Agropecuária – Do lado da produção, a Agropecuária foi o destaque negativo na economia no terceiro trimestre, com queda de 8,0% sobre os três meses anteriores, como consequência do encerramento da safra de soja, que também acabou impactando as exportações.

“Acabou o efeito da soja, que é a cultura que cresce neste ano. Teve a seca para afetar ainda mais”, disse a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

“Além disso, a agropecuária vem de uma base de comparação alta, já que foi a atividade que mais cresceu no período de pandemia”, acrescentou Palis, lembrando ainda que este ano é de bienalidade negativa para o café.




Esse resultado ofuscou o crescimento de 1,1% de serviços no período – o setor, que responde por mais de 70% do PIB nacional, beneficia-se da reabertura da economia. Por outro lado, a indústria ficou estável no terceiro trimestre, com crescimento apenas na construção (3,9%).

“Serviços presenciais avançaram após a flexibilização de medidas de restrição. Com a inflação mais alta as famílias estão também migrando do consumo de bens para serviços”, completou Palis.

Em relação ao setor externo, as exportações de bens e serviços despencaram 9,8%, pesando também de forma aguda sobre o resultado do PIB, enquanto as importações de bens e serviços recuaram 8,3% na comparação com o segundo trimestre.

Do lado das despesas, o consumo das famílias aumentou 0,9% na comparação com o trimestre anterior e o do governo cresceu 0,8%, por causa dos gastos com saúde. A Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, teve queda de 0,1% no terceiro trimestre, depois de recuar 3,0% no segundo.

A última projeção oficial do Ministério da Economia, divulgada em novembro, é de alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,1% neste ano e 2,1% no ano que vem. Nesta quinta-feira, a pasta considerou que mais importante que o número do terceiro trimestre é sua qualidade.

Resultado deve continuar a “patinar”

São Paulo – A economia brasileira perdeu ritmo e deve continuar mostrando fragilidade por pelo menos mais um ano, com uma melhora dependendo de uma virada da inflação e de uma política econômica que estabilize as expectativas para a situação fiscal, de acordo com especialistas.

A contração registrada pelo Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tanto no segundo quanto no terceiro trimestres –o que configura recessão técnica– impregnou mais viés de baixa a projeções de analistas, e a perspectiva de que a economia continuará patinando em 2022 é dada como certa.

“Não temos expectativa muito promissora para 2022, talvez seja um resultado próximo à estabilidade. Podemos observar ligeiro crescimento no primeiro trimestre, mas provavelmente queda nos seguintes”, avaliou o economista da XP Rodolfo Margato, explicando que sua estimativa para o crescimento econômico do ano que vem de 0,8% está sob revisão de baixa.

Um dos fatores por trás dessa debilidade é o aperto da política monetária, que restringe a atividade. Outro é a incerteza, tanto fiscal quanto no campo político, tendo em vista a eleição presidencial no ano que vem, combo que eleva a percepção de risco.

“Um ponto central é o resultado das eleições. O que a gente foca é a condução da política econômica e a responsabilidade fiscal”, completou Margato. “Temos um cenário de incerteza no campo fiscal e no campo político. Com eleições naturalmente existe percepção de risco.”

O debate fiscal tem girado recentemente em torno da PEC dos Precatórios, que vai abrir espaço fiscal para que o governo consiga viabilizar o auxílio de R$ 400 através da mudança no cálculo do teto de gastos e de um novo regime para o pagamento de precatórios.

“De fato, está difícil sair do buraco. A decisão correta teria sido seguir com R$ 300 (de auxílio emergencial) que caberia no teto de gastos. Não temos mais espaço para aumentar gastos públicos”, disse Flávio Serrano, chefe de análise macroeconômica da Greenbay Investimentos.

“O Brasil acabou destruindo um arcabouço importante que é a âncora fiscal. Há muita incerteza sobre ampliar gastos, mexer no teto. Isso aumenta o prêmio de risco e o reflexo é menos crescimento”, completou.

O Brasil há tempos vem mostrando dificuldades de manter um crescimento sustentável e agora ainda enfrenta uma inflação elevada que obrigou o Banco Central a aumentar expressivamente os juros.

A taxa Selic já subiu neste ano de uma mínima histórica de 2% para os atuais 7,75% ao ano, e a expectativa é de nova alta na semana que vem, indo a dois dígitos em 2022 e com potencial de restringir com força a atividade econômica.

“A grande dúvida olhando para a frente é se teremos crescimento sustentável, só vamos conseguir ver com maior clareza com reversão da política monetária contracionista”, destacou Mirella Hirakawa, economista sênior da AZ Quest.

Para ela, o fim do atual ciclo de aperto monetário ocorrerá com um juro básico de 11,5%, taxa que deve perdurar até o encerramento de 2022.

“Uma vez que consigamos ver um ciclo monetário de (pelo menos) não contracionista a expansionista, teremos maior espaço de crescimento. Mas isso é para 2024”, completou Hirakawa. (Reuters)

Guedes estima crescimento em 2022

Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que previsões de que o Brasil não vai crescer em 2022 são um equívoco e “conversa de maluco”, embora tenha reconhecido que haverá desaceleração em meio ao avanço de preços na economia.

“Vamos crescer um pouco menos porque vamos estar combatendo inflação”, disse ele, em palestra em evento sobre os dez anos de concessões aeroportuárias no País.

Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou contração de 0,1% para a economia no terceiro trimestre, abaixo da estabilidade esperada para o período, resultado que na visão de muitos agentes reforça a perda de ímpeto da atividade.

A leitura é de que o cenário para o ano que vem fica ainda mais turvo em meio a incertezas políticas e fiscais e diante da perspectiva de juros básicos mais altos para conter a inflação, o que já levou alguns bancos a projetar queda do PIB em 2022.

Guedes, no entanto, defendeu que os economistas estão sistematicamente errando seus prognósticos sobre o Brasil. Ele avaliou ainda que há muitos que estão fazendo atividade política “disfarçados” de economistas.

“Vai crescer de qualquer jeito, pergunta é se vai ter um pouco mais ou um pouco menos de inflação e isso vai depender justamente de como é que nós vamos combater essa inflação”, afirmou.

Ecoando falas públicas recentes, o ministro voltou a dizer que o governo Jair Bolsonaro conseguiu a aprovação do Banco Central independente, frisando que pela primeira vez a autoridade monetária terá esse status em ano eleitoral.

Para o desempenho da economia este ano, Guedes projetou alta de 5%.

O ministro avaliou ainda que há “conversa fiada” de que o país perdeu controle sobre o fiscal, o que classificou como “narrativa política” e “fake news”.

A despeito de os dados do IBGE terem indicado o ingresso em recessão técnica dois trimestres consecutivos no vermelho, a bolsa subiu, motivada pela aprovação da PEC dos Precatórios no Senado, disse Guedes.

Ele defendeu que a Proposta de Emenda à Constituição não constitui um calote, acrescentando que, com a investida, o governo quer os precatórios também embaixo do teto de gastos.

O ministro voltou a defender a privatização de estatais, afirmando que há centenas de bilhões de reais que querem entrar no Brasil e não o fazem “porque governo é dono e manda em tudo”.

Empregos – Após nova revisão em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrar que o Brasil fechou postos de trabalho em 2020, em vez de ter criado como divulgado anteriormente, Guedes buscou ressaltar que esta foi a primeira vez que não houve destruição em massa de empregos em meio a uma recessão.

“Na verdade (Caged) errou 50 mil, 100 mil. Mas nós estamos falando da criação de 3,5 milhões de empregos desde o fundo do poço”, disse ele, afirmando que o IBGE também reviu recentemente seus cálculos para o mercado de trabalho, apontando uma figura melhor.

“O Caged subestimou a perda de empregou e o IBGE superestimou o desemprego”, acrescentou o ministro. (Reuters)

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