Discurso do chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, aumentou o nível de cautela dos investidores | Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

São Paulo – O principal índice da bolsa paulista fechou em leve queda ontem, reduzindo perdas após o Federal Reserve decidir cortar o juro dos EUA em 0,25 ponto percentual, com investidores também atentos à decisão de juros pelo Banco Central brasileiro.

O Ibovespa caiu 0,08%, a 104.531,93 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 26,35 bilhões, impulsionado pelo vencimento dos contratos de Ibovespa futuro.
O Fed cortou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual pela segunda vez este ano, medida amplamente esperada, para sustentar a expansão econômica do país – que já dura uma década, mas deu sinais mistos sobre o que pode acontecer a seguir.

Índices acionários no Brasil e nos EUA momentaneamente ampliaram perdas durante o discurso de Jerome Powell, chairman do Fed, com o S&P 500 fechando próximo da estabilidade.

A falta de clareza no discurso de Powell sobre possíveis futuros cortes impactou o mercado, aumentando o nível de cautela dos investidores, indicou Eduardo Prado, chefe de renda variável da RJ Investimentos.

Agentes do mercado já davam como certo o corte de meio ponto percentual, com as expectativas voltadas sinais do futuro da política monetária do BC.

“Estima-se que até o final do ano teremos uma taxa de juros em 4,75%. E até o fim de 2020 a taxa deve estar em 4,5%”, afirmou Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura, apontando a economia quase estagnada, como principais fatores para previsões mais agressivas de cortes nos juros.

Destaques – Petrobras PN recuou 1,7%, com novo declínio do preço do petróleo, ante notícia de que a Arábia Saudita retomará a capacidade de produção total rapidamente após ataques que fizeram as cotações da commodity dispararem na segunda-feira (16).

Banco do Brasil ON subiu 1,52%, destoando da fraqueza dos grandes bancos privados. O presidente-executivo do Banco Votorantim, no qual o BB tem participação de 50%, disse ontem que chegou o momento de preparar o banco para uma oferta inicial de ações (IPO).
Itaú Unibanco PN cedeu 0,31% e Bradesco PN ganhou 0,29%.

Natura ON cedeu 0,06%, após renovar a máxima intradia histórica no início da sessão. A fabricante de cosméticos anunciou na véspera aumento de capital com bonificação de ações.

Vale ON caiu 1,02%, na esteira da queda dos futuros do minério de ferro na China pelo terceiro dia, em meio a crescentes desembarques do produto nos portos do país e por maiores embarques por grandes mineradoras.

MRV perdeu 2,31%, entre as maiores quedas, em sessão de ajuste, após salto de mais de 7% na véspera. No setor, Cyrela perdeu 0,04%.

Embraer subiu 1,04%. O sindicato de metalúrgicos da principal fábrica da empresa, em São José dos Campos, afirmou que trabalhadores da unidade aprovaram estado de greve e que podem parar a partir da segunda-feira (23).

Câmbio – O dólar encerrou em alta contra o real ontem, na esteira da já esperada decisão do Federal Reserve de cortar os juros, com agentes do mercado agora voltando suas atenções para a decisão de política monetária do Banco Central do Brasil.

O dólar à vista teve alta de 0,61%, a R$ 4,1028 na venda. Na mínima da sessão, o dólar chegou a tocar R$ 4,0737, enquanto na máxima chegou a R$ 4,1150. Na B3, o dólar futuro subia 0,61%, a R$ 4,1045.

“Mesmo com o corte de juros do Fed, o dólar foi fortalecido pela contínua falta de clareza das autoridades sobre a possibilidade de novas quedas na taxa de juros”, afirmou Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria. (Reuters)