Expectativa de executivos é de que até o fim do ano cresça o interesse por IPOs no País - Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

São Paulo – Empresas brasileiras levantaram este ano o maior volume de recursos da década, com o impulso de taxas de juros historicamente baixas, progresso em reformas macroeconômicas e sinais de recuperação da economia, enquanto o valor de fusões e aquisições caiu.

Empresas desde a Petrobras até a locadora de veículos Localiza levantaram US$ 17,1 bilhões em 34 transações nos primeiros nove meses de 2019, quase o triplo do volume no mesmo período do ano passado. O total movimentado nos primeiros nove meses do ano é maior que os totais anuais de todos os anos desde 2010.

Excluindo a mega oferta de ações da Petrobras naquele ano, o volume captado é o maior desde 2007.

O volume de transações de fusões e aquisições caiu 20%, para US$ 31 bilhões, em parte devido à competição com mercados de capitais líquidos, que deram alternativas às empresas e seus acionistas em casos de vendas de ativos. A fraca recuperação econômica também afetou os negócios.

Mas o crescimento das captações com venda de ações poderá ter um efeito positivo sobre futuras aquisições. “Quando as empresas conseguem captar recursos baratos com dívida ou emitem ações, é natural um posterior aumento das fusões e aquisições como consequência de empresas capitalizadas”, disse o presidente do Morgan Stanley no Brasil, Alessandro Zema.

IPOs – Executivos de bancos de investimentos esperam que o ano termine com cerca de 50 ofertas e que cresça o interesse pelas aberturas de capital conhecidas como IPOs. Neste ano, só quatro empresas fizeram IPOs: a controladora da varejista Centauro, Grupo SBF, a empresa de energia elétrica Neoenergia, a empresa de educação Afya e a joalheria Vivara.

“O ano de 2019 será o de ofertas subsequentes de ações, mas já estou vendo empresas superando a inércia dos IPOs e planejando listagens”, disse Fabio Nazari, chefe de renda variável do Banco BTG Pactual, que assessorou 21 operações este ano.

Mesmo setores que não tiveram ofertas nos últimos anos, como construtoras e bancos, estão de volta à fila de IPOs, destacou Hans Lin, chefe de banco de investimento do Bank of America no Brasil.

Em fusões e aquisições, a maior parte do volume foi relacionado a negócios de infraestrutura e petróleo e gás, principalmente pelo programa de desinvestimento da Petrobras. O leilão de áreas da cessão onerosa deve ajudar a impulsionar investimentos no setor, segundo Eduardo Miras, que chefia a área de banco de investimento do Citigroup.

Os dois maiores negócios do ano, tanto em ações quanto em fusões e aquisições, foram feitos pela Petrobras: a empresa arrecadou US$ 2,5 bilhões com a privatização via oferta de ações da Petrobras Distribuidora e US$ 8,7 bilhões vendendo a empresa de gasodutos TAG para a francesa Engie.

“As privatizações e vendas de ativos por parte do governo brasileiro devem continuar representando grande parte dos negócios, tanto em fusões e aquisições quanto em ofertas de ações”, disse Roderick Greenlees, chefe global da área de banco de investimento do Itaú BBA.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, vem tocando uma agenda de privatizações ambiciosa e já superou a meta de vendas neste ano, com vendas de R$ 96 bilhões (US$ 23,5 bilhões).

Migração – Com a taxa Selic na mínima histórica de 5,5% ao ano, investidores locais estão migrando da renda fixa para investimentos mais arriscados. A entrada líquida de recursos para fundos multimercado e de ações neste ano chegou a US$ 21,8 bilhões em agosto e já superou o total do ano passado.

Banqueiros como Ricardo Lacerda, sócio do banco de investimentos BR Partners, também esperam uma aceleração dos negócios envolvendo empresas de tecnologia até o ano que vem, com o investidor japonês Softbank Group Corp alocando capital de seu fundo de venture capital para a América Latina de US$ 5 bilhões. “Acredito que algumas empresas capitalizadas podem comprar companhias da economia real”, diz Lacerda. (Reuters)

Bradesco corta previsão e estima Selic em 4,5%

São Paulo – O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco reduziu sua projeção para a taxa básica de juros a 4,5% no final de 2019 (de 4,75% anteriormente) e estabilidade em 2020, citando que a dinâmica inflacionária continua muito comportada.

A equipe capitaneada pelo economista Fernando Honorato também revisou previsão do IPCA para 3,1% em 2019 (de 3,5% anteriormente) e 3,7% em 2020 (de 3,9% anteriormente), de acordo com relatório divulgado na sexta-feira (11).

“Se por um lado as surpresas baixistas com a inflação sugerem cortes adicionais de juros, por outro a recuperação que começa a ganhar corpo pode diminuir a necessidade, por parte do Banco Central, de prover estímulos adicionais”, afirmou.

O Bradesco reiterou previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá 0,8% em 2019 e 1,9% em 2020.

“Em nossa visão, essa é uma discussão que ocorrerá nos próximos meses, mas entendemos que hoje o primeiro vetor tende a prevalecer sobre o segundo. Esse aparente ‘dilema’ se equacionará no debate sobre juros neutros”.

Em relação à taxa de câmbio, os economistas também mantiveram a previsão de R$ 4 por dólar para o final de 2019 e R$ 3,90 por dólar para 2020. (Reuters)

BC afirma não ter meta para câmbio

São Paulo – O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, reafirmou, na sexta-feira (11), que a autoridade monetária não trabalha com uma meta para o câmbio ou para suas operações de swap.

Em evento em São Paulo, Campos Neto defendeu a mudança nas atuações do BC no câmbio, com retomada da venda de dólar no mercado à vista, ressaltando que o movimento atendeu a uma demanda do mercado, na esteira de um processo de troca de dívida externa por interna.

“O câmbio se depreciou com o prêmio de risco caindo, o CDS no mínimo, uma curva longa baixa, e gerou esse movimento de troca de dívida externa por interna”, afirmou Campos Neto em painel no Brasil Investment Forum em São Paulo. “Um pedaço grande foi a Petrobras, mas outras empresas seguiram. Diante disso, entendemos que deveríamos fazer uma operação diferente do passado”.

Segundo o presidente do BC, o entendimento foi de que havia demanda pelo dólar à vista, por isso a decisão de atuar no mercado spot e fazer, concomitantemente, as operações de swap reverso.

“Isso não significa que tenha um target para futuro, isso não significa que tem nenhum tipo de target para o câmbio. Isso significa só que uma operação é mais eficiente quando você atende o ponto específico onde está a demanda”. (Reuters)