Finanças

Número de investidores em fundos imobiliários mais que dobra em Minas em cinco anos

Número de pessoas físicas com aportes na modalidade mais que dobra no Estado no período de cinco anos
Número de investidores em fundos imobiliários mais que dobra em Minas em cinco anos
Foto: Reprodução Adobe Stock

O mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) vem crescendo de forma acelerada em Minas Gerais. Em cinco anos, o número de pessoas físicas que investem nessa modalidade mais que dobrou, refletindo uma democratização no acesso. Há cinco anos, 153 mil mineiros apostavam nessa forma de investimento, agora, o número ultrapassa 316 mil pessoas, uma alta de 106%, conforme dados da B3.

O movimento reflete uma tendência nacional. Em todo o Brasil, os investidores de FIIs também aumentaram significativamente. Há cinco anos eram cerca de 1,6 milhão. Agora, são mais de 3,18 milhões de pessoas. De acordo com a gerente de produtos de cash equities da B3, Bianca Silva, essa alta não é repentina e advém de mudanças do próprio mercado. “Não é algo que aconteceu de repente. Os fundos imobiliários já são, há muito tempo, um investimento bem visto, principalmente pela pessoa física. Nós brasileiros sentimos segurança no setor imobiliário”, observa.

Entre os principais atrativos, a gerente da B3 destaca o baixo custo de entrada. “Para uma pessoa física, é inviável comprar vários imóveis ou participar de grandes empreendimentos. O fundo imobiliário permite essa exposição ao setor com cotas a partir de R$ 100 ou R$ 200, garantindo diversificação”, explica.

Outro fator relevante é a liquidez. Diferentemente da compra direta de imóveis, que pode levar meses ou até anos para ser revertida em dinheiro, os FIIs permitem resgates rápidos. “Em dois dias, você consegue transformar esse ativo em dinheiro. Isso facilita muito a gestão do investimento”, diz.

A transparência também pesa na decisão dos investidores. Segundo a gerente, o fato de os preços serem atualizados em tempo real nas plataformas de negociação torna o produto mais acessível e compreensível. “O investidor consegue ver na tela quanto vale a cota, quantas pessoas querem comprar ou vender. Isso não acontece com um imóvel físico, em que uma avaliação depende de vários fatores”, destaca.

Por último, Bianca Silva ressalta que a distribuição recorrente de rendimentos é outro diferencial importante. “Os fundos imobiliários têm a característica de pagar dividendos periódicos aos cotistas, geralmente isentos de Imposto de Renda. Isso se aproxima da lógica do aluguel, de um rendimento recorrente, que é algo muito valorizado pelo brasileiro”, afirma Bianca Silva.

Esse boom registrado em cinco anos, é fruto de fatores macroeconômicos e estruturantes, na avaliação da especialista. Segundo ela, a popularização da bolsa, a expansão das plataformas digitais e a busca dos brasileiros por alternativas de diversificação e geração de renda passiva, especialmente em um ambiente de juros elevados, provocam estes movimentos.

A expectativa de queda da taxa de juros, por exemplo, torna a renda variável mais atrativa. “Quando os juros estão altos, a tendência é que os investidores prefiram a renda fixa. Com a perspectiva de queda, eles passam a buscar alternativas com maior potencial de retorno, como os FIIs”, explica.

A expansão das plataformas digitais e o avanço da educação financeira também contribuíram para o crescimento. “A base de investidores pessoa física na bolsa praticamente dobrou no período pós-pandemia. Com mais informação e acesso, os FIIs acabam sendo uma porta de entrada natural para quem está começando”, afirma.

Estoque e perfil dos investidores têm mudado

Os dados da B3 também revelam mudanças no perfil e no estoque dos investidores. Ao mesmo tempo que mais mineiros passaram a investir em FIIs, o valor mediano das aplicações caiu de forma relevante. Em cinco anos, o estoque médio por investidor caiu de R$ 12,5 mil para R$ 3,8 mil. Números que seguem uma tendência nacional, no Brasil, a média caiu de R$ 14,5 mil para cerca de R$ 3,9 mil. “Isso é uma demonstração que o acesso se democratizou e se tornou mais fácil”, diz a especialista.

Além das pessoas físicas, os FIIs passaram a atrair investidores institucionais e estrangeiros. “No início de 2025, os investidores institucionais representavam cerca de 16% do volume negociado. Em março, já eram 32%. Essa diversificação é muito positiva, porque aumenta a liquidez e fortalece o produto”, diz.

Embora ainda sejam minoria, as mulheres mineiras (25%) têm ganhado espaço e apresentam comportamento mais conservador. De acordo com os dados da B3, em estoque mediano, elas investem quase R$ 1 mil a mais que os homens. “As mulheres tendem a investir com foco no longo prazo, buscando renda passiva. Isso combina muito com os fundos imobiliários”, observa Bianca Silva.

Já entre os investidores com mais de 60 anos, a participação é significativa em termos de volume financeiro. Apesar de representar somente 7% do público total, eles detêm 31% do estoque em FIIs. Segundo Bianca Silva, isso está relacionado ao acúmulo de patrimônio ao longo da vida. “É natural que esse público tenha mais recursos disponíveis para investir. Mas vemos cada vez mais jovens entrando no mercado, o que é muito positivo para o futuro”, conclui. Em Minas, 47% do total de investidores possuem idade de 25 a 39 anos.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Gemini_investidormineiro-1024x558.png
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas