Financiamento imobiliário em Minas tem queda de 1,4% no 1º semestre do ano

Pesquisa da Trillia mostra que, enquanto o País avança, o Estado mineiro recua, mesmo com queda da Selic. Entenda os dados.
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Financiamento imobiliário em Minas tem queda de 1,4% no 1º semestre do ano
Foto: Diário do Comércio / Ana Carolina Dias

As vendas financiadas de imóveis residenciais em Minas Gerais somaram 39.987 unidades no primeiro semestre de 2026, entre casas e apartamentos. O número representa uma queda de 1,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 40.541 financiamentos, uma diferença de 554 operações, segundo levantamento da Trillia, linha de negócios da B3 dedicada a Dados, Analytics e Inteligência Artificial.

Na abertura por tipo de imóvel, o financiamento de apartamentos caiu 4,3%, com recuo de 19.966 para 19.101 operações. Já o financiamento de casas ficou estável na comparação entre os dois períodos, passando de 20.575 para 20.886 operações. No recorte de home equity, houve avanço de 30,3%, de 871 para 1.135 operações.

O cenário mineiro se difere do nacional, já que houve avanço nos números. As vendas financiadas de imóveis residenciais no Brasil chegaram a 507.299 unidades na primeira metade de 2026, entre casas e apartamentos. Esse número representa um crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 475.748 operações.

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Ajudou e atrapalhou

A leve redução dos juros da taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, pode ter contribuído para um cenário positivo nos financiamentos do primeiro semestre no País, pois a queda na taxa de juros ampliou o poder de compra e reduziu o custo do crédito imobiliário.

No caso de Minas, o mesmo “remédio” que ajudou nas vendas nacionais pode ter contribuído com a retração no Estado, já que, apesar da queda dos juros, a taxa segue acima dos dois dígitos, o que pode ter “espantado” o comprador.

Casas impulsionam mercado

A alta no Brasil foi puxada principalmente pela venda financiada de casas. A categoria passou de 255.776 para 285.900, crescimento de 11,8%. O aumento na venda de apartamentos financiados foi de 0,6%, passando de 219.972 para 221.329 unidades.

“Na média de janeiro a junho, o brasileiro financiou 64,8% do valor dos apartamentos e 62,8% do valor das casas. Isso significa que, na média, quem comprou algum desses tipos de imóveis deu entrada superior a 35% do valor para fazer a aquisição”, afirma o superintendente de Produtos na Trillia, Daniel Takatohi.

No recorte por modalidade, o financiamento pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) respondeu por 58,0% dos contratos de apartamentos e por 63,4% dos de casas entre janeiro e junho. O SFH é a principal linha para compra da moradia, com regras mais restritas e teto de valor do imóvel financiado, atualmente até R$ 1,5 milhão, além de condições reguladas pelo governo, o que o torna mais comum em imóveis de padrão médio. “É a linha mais usada na compra da moradia principal”, resume Takatohi.

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Mais vendas de APs

Já o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) concentrou 40% das operações com apartamentos e 32,9% das feitas com casas. O SFI é usado, em geral, para imóveis que ficam fora das regras do SFH, como unidades de valor mais alto, e tem condições mais flexíveis, definidas pelas instituições financeiras.

O home equity, que concede crédito em troca de um imóvel quitado como garantia, foi usado em 2,9% dos financiamentos de apartamentos e em 3,8% das aquisições de casas.

O levantamento da Trillia mostra ainda que o estado de São Paulo liderou o financiamento de imóveis residenciais no País no primeiro semestre de 2026, com 34,7% do total. Minas Gerais vem a seguir, bem distante dos paulistas, com 7,88% de participação geral nos financiamentos.

Na divisão regional, o Sudeste respondeu por 48,7% das operações do País e concentrou 41,6% dos financiamentos de apartamentos e 54% dos de casas.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.

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