No último mês, os valores aplicados pelos investidores superaram os resgatados em R$ 63,7 bilhões | Crédito: Pixabay

São Paulo – A indústria de fundos de investimento encerrou o mês de julho com captação líquida positiva de R$ 63,7 bilhões. O montante corresponde à diferença entre os R$ 761,9 bilhões aplicados e os R$ 698,2 bilhões resgatados pelos investidores.

Em volume, essa é a maior entrada líquida de 2020 e contribui para o resultado positivo no acumulado no ano, que totaliza R$ 62,2 bilhões, segundo os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Na comparação com o mesmo período de 2019, o montante captado no mês de julho deste ano é 134,5% superior.

“Desde junho, a indústria dava claros sinais de retomada. Os resultados de julho confirmam as perspectivas mais otimistas para o setor daqui para frente. A taxa de juros a 2% contribui ainda mais para a procura pelos fundos, dada a necessidade de diversificação e tomada maior de risco por parte dos investidores”, afirma o vice-presidente da Anbima, Carlos André.

A classe renda fixa, que veio de sucessivas quedas durante a pandemia, apresentou a maior captação no mês, R$ 35,4 bilhões – com isso, reduziu as saídas líquidas da categoria de R$ 92 bilhões para R$ 57 bilhões no acumulado do ano. Na sequência, estão os fundos de ações, com captação líquida positiva de R$ 5,2 bilhões em julho. É o melhor desempenho dos últimos quatro meses e a classe opera no azul desde janeiro de 2019. No ano, a entrada líquida é de R$ 55,7 bilhões e o tipo ações livre (não têm compromisso de concentração em nenhuma estratégia específica) corresponde a 56% do total captado em 2020.

Os multimercados tiveram entrada líquida de R$ 23,4 bilhões no mês e voltaram a ocupar liderança com a maior captação líquida positiva no ano, R$ 59 bilhões. Merecem destaque os tipos livre e investimentos no exterior (podem aplicar um limite acima de 40% do patrimônio em ativos no exterior) e juros e moedas (buscam retorno no longo prazo via investimentos em ativos de renda fixa com estratégias de risco de juros, índice de preço e moeda) com R$ 11,5 bilhões e R$ 8,2 bilhões no mês, respectivamente. Juntos, eles representam 84% de toda captação da classe no ano.

 Rentabilidades – Os retornos em julho refletiram a melhora na expectativa dos investidores. Na classe renda fixa, o tipo duração alta soberano (investe 100% da carteira em títulos públicos) apresentou o melhor resultado com 3,29%. Nos multimercados, o destaque ficou com o tipo long and short direcional (faz operações de ativos e derivativos, montando posições compradas e vendidas), com 2,94%. Já na classe ações, o tipo com o maior patrimônio líquido, ações livre, teve rentabilidade de 9,02%. (Com informações da Anbima)