Geral035 Moedas de um real em foto ilustrativa15/10/2010 Crédito: Bruno Domingos/Reuters Usada em 16-07-19 Usada em 14-06-19 Usada em 10-05-19 Usada em 28-08-19 Usada em 16-10-19 Usada em 07-11-19

São Paulo – As empresas brasileiras gastam R$ 1,5 trilhão por ano a mais do que a média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), segundo estudo feito pelo Ministério da Economia e divulgado ontem.

O valor aproximado corresponde ao chamado custo Brasil, conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas do País, e representa 22% do Produto Interno Bruto (PIB).

O governo contou com apoio de associações do setor produtivo e chegou a 12 elementos que compõe o custo Brasil. “O maior deles é empregar capital humano, o que é uma tragédia no Brasil que precisa contratar pessoas. O segundo é honrar tributos, nossa estrutura tributária é muito complexa. E o terceiro é utilizar a infraestrutura”, disse o secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa.

Os elevados custos e baixa qualidade logística então entre os itens que compõem o elemento de infraestrutura. E a alta da gasolina tem um impacto nesse elemento. “A alta de qualquer insumo produtivo preocupa o governo, porque dificulta a vida das empresas privadas. Por isso, estamos trabalhando diariamente para reduzir o custo do gás, da energia elétrica. Agora, preços internacionais e taxas de câmbio são variáveis endógenas, que flutuam e afetam o preço”, afirmou o secretário.

Já a alta do dólar não é motivo para preocupação. “Quando sobe e desce, tem vantagens e desvantagens, um câmbio mais depreciado torna as empresas brasileiras mais competitivas, mais apreciado é bom para quem viaja, mais depreciado encarece a produção para quem vende para o mercado interno com insumos em dólar. Mas isso é um assunto do Banco Central, e temos como filosofia o câmbio flutuante”, disse.

Ações Entre as estratégias para diminuir esse custo, o secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade lançou o PMCC (Programa de Melhoria Contínua da Competitividade), que visa a analisar e priorizar propostas com maiores chances de impactar na competitividade brasileira.

Ontem, também foi constituído o comitê deliberativo, formado por secretários da área econômica do governo.

Segundo Costa, em três semanas, será criado um comitê público e privado, formado por representantes do setor privado que vão sugerir e apoiar a implementação das mudanças para a redução do custo Brasil.

Ele afirma, no entanto, que só será possível estimar um prazo para a diminuição do custo brasileiro em seis meses. “Precisamos fazer um estudo para mensurar o tempo de viabilizar as mudanças”, explicou. (Folhapress)

Proteção à indústria pesa em R$ 1,27 tri para consumidor

São Paulo – Para proteger a indústria nacional da concorrência de produtos importados, o consumidor brasileiro gastou R$ 1,27 trilhão, de 2010 a 2016, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na quarta-feira (27).

A cifra corresponde ao sobrepreço aplicado a inúmeros produtos dentro da política de proteção a empresas locais, intensificada especialmente durante a gestão da presidente Dilma Rousseff. O estudo leva em consideração que, na prática, o cidadão pagou mais caro pelo similar nacional, por não ter acesso a importados mais baratos, nem ser beneficiado pela concorrência que eles provocariam se tivessem sido comercializados no mercado local sem as tarifas protecionistas.

“É uma transferência de recursos implícita, pelo fato de que pagamos mais caro por determinado item quando ele possui a tarifa de importação”, diz o coordenador do estudo Fernando Ribeiro.

Para se ter uma dimensão desse custo, o montante equivale ao orçamento previsto para a Seguridade Social em 2020, a principal despesa da União, que inclui todos os gastos com Previdência, saúde e assistência social, incluindo o Bolsa Família – em outras palavras, 72% da chamada despesa primária, que não inclui juros da dívida.

Os setores mais beneficiados, segundo o levantamento do Ipea, foram carnes, laticínios e pescado, além de automóveis, caminhões e ônibus. Máquinas e equipamentos mecânicos e biocombustíveis também contaram com proteção elevada.

Segundo o levantamento, 50% dos valores obtidos com sobrepreço de produtos estavam concentrados em sete dos 36 setores da indústria, sendo que automóveis, caminhões e ônibus receberam 13,5% do total, ou R$ 171,2 bilhões, seguido por outros produtos alimentares, com R$ 101,1 bilhões.

Estudo Batizado de Relatório de Assistência Tarifária Efetiva aos setores econômicos no Brasil: novas estimativas para o período 2010-2016, o levantamento toma como base para o cálculo uma estimativa do valor líquido indiretamente recebido pelos produtores em função da proteção trazida pelas tarifas de importação, que permitem aos comerciantes praticarem preços mais altos no mercado doméstico do que aqueles valores que seriam colocados na ausência dos encargos.

“É uma estimativa do quanto a sociedade estaria transferindo para cada setor de atividade através do sobrepreço pago pelo produto vendido no mercado doméstico em função da existência de uma tarifa de importação”, disse o coordenador de estudos do Ipea.

Em 2016, foram pagos R$ 148,9 bilhões, valor equivalente a 2,2% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil naquele ano. Desse montante, 95% (R$ 141,8 bilhões) foram destinados apenas à indústria de transformação, que reúne segmentos de automóveis, caminhões e ônibus, fabricação e refino de açúcar, vestuário e acessórios, têxteis e biocombustíveis.

Esse último ano analisado foi o que registrou o menor valor da série que se inicia em 2010. Isso devido à forte crise econômica que atingiu o Brasil no período.

No estudo, o Ipea conclui que o indicador de assistência efetiva pode ser uma ferramenta valiosa para avaliação de políticas públicas, mais especificamente para avaliação dos impactos da política tarifária do País, identificando quais os setores mais beneficiados ou prejudicados pela atual estrutura tarifária.

“Com esse estudo, podemos tirar várias conclusões importantes de recomendações de políticas públicas”, afirma Carlos von Doellinger, presidente do Ipea. (Folhapress)