Crédito: Luiz Prado /BM&F Bovespa

São Paulo – O Ibovespa encerrou em alta, na sexta-feira (10), acima dos 100 mil pontos pela primeira vez desde março, apoiado no viés positivo dos mercados no exterior, com CVC Brasil e Cogna avançando mais de dois dígitos e liderando os ganhos da sessão.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,88%, a 100.031,83 pontos. O volume financeiro somou R$ 24,1 bilhões.

Na semana, acumulou alta de 3,38%, mantendo em julho o viés positivo dos últimos três meses, apoiado no cenário de juros bastante baixos no País e sinais de que o pior para a atividade econômica brasileira pode ter ficado para trás.

Embora continue distante dos quase 120 mil pontos que alcançou no final de janeiro, o Ibovespa já acumula valorização de cerca de 60% desde as mínimas do ano registradas em março.

Para o analista José Falcão, da Easynvest, correções e realização de lucros não estão descartadas, mas o movimento principal da bolsa é de alta e não há sinais de mudança dessa tendência.

“O cenário é positivo, de bolsa em alta, sem sinais de reversão nesse momento”, reiterou.

Ele ponderou, contudo, que o mercado precisa de dados e acontecimentos que deem mais força para o Ibovespa se consolidar acima dos 100 mil pontos, bem como a proximidade da temporada de balanços do segundo trimestre pode frear o fôlego. A temporada das empresas do Ibovespa começa dia 22, com a divulgação do balanço da Weg.

No exterior, o norte-americano S&P 500 subiu 1%, com a notícia de que o medicamento Remdesivir da Gilead melhorou significativamente a recuperação clínica e reduziu o risco de morte em pacientes com Covid-19.

A alta de novos casos de coronavírus nos Estados Unidos tem adicionado cautela mais recentemente, principalmente por causa de temores quanto a uma volta de medidas de lockdown que afete a retomada da maior economia do mundo.

A CVC Brasil ON saltou 14%, a R$ 22. A operadora de turismo anunciou um aumento de capital que pode chegar a R$ 703 milhões, com subscrição privada a R$ 12,84 por ação.

O valor representa um desconto de 33,5% em relação à cotação de fechamento do papel da véspera, de R$ 19,30. Analistas do BTG Pactual consideraram o anúncio positivo, embora ainda enxerguem um cenário desafiador para o setor nos próximos trimestres. No ano, as ações da CVC acumulam queda de quase 50%. (Reuters)

Dólar recua com esperanças por tratamento de vírus

São Paulo – O dólar fechou em queda ante o real na sexta-feira (10), depois de chegar a subir quase 1%, com as vendas predominando no fim da sessão em meio à recuperação do apetite por risco no exterior por esperanças de tratamento mais eficaz para o Covid-19.

O dólar à vista caiu 0,37%, a R$ 5,3236 na venda. Na semana, o dólar teve variação positiva de 0,06%. Em julho, a cotação recua 2,14%. Em 2020, o dólar sobe 32,66%. Na B3, o dólar futuro cedia 0,42%, a R$ 5,3245.

No exterior, o índice do dólar frente a uma cesta de divisas caía 0,13%. O dólar cedia mais contra peso mexicano, peso colombiano e rand sul-africano – assim como o real, divisas que se beneficiam de maior apetite por risco.

O sentimento de risco começou o dia abalado, mas a notícia de que o medicamento Remdesivir, da Gilead, melhorou significativamente a recuperação clínica e reduziu o risco de morte em pacientes com Covid-19 trouxe de volta o ânimo aos mercados, uma vez que fortaleceu esperanças de controle da pandemia e, assim, de que novos bloqueios potencialmente danosos à economia não sejam necessários.

Mas o dia de vaivém nos preços reforçou a sensação de cenário ainda incerto. Ao longo do pregão, o dólar oscilou entre alta de 0,97%, a R$ 5,3954, e recuo de 0,55%, para R$ 5,314.

Mais de 60.500 novas infecções por coronavírus foram relatadas nos Estados Unidos na quinta-feira, a maior contagem de casos em um único dia em qualquer país desde que o vírus surgiu no final do ano passado na China. E no Brasil a pandemia também segue resiliente, com 42.619 novos casos de coronavírus na quinta, elevando o total para 1.755.779.

“Frente ao aumento dos riscos do cenário, investidores optam por manter posições mais cautelosas”, disse, em nota, Alejandro Ortiz Cruceno, da equipe econômica da Guide Investimentos.

Os dados sobre preços ao produtor nos EUA vieram mais fracos que o esperado, e o Bank of America enxerga algum viés negativo para o dólar.

“Esperamos uma deterioração nos dados dos EUA em relação aos indicadores externos, revertendo uma tendência de desempenho superior dos EUA e pesando sobre o dólar”, disse o banco em nota.

No Brasil, os números mais recentes apontam cenário ainda tortuoso. O setor de serviços contrariou expectativas e caiu em maio, enquanto o IPCA de junho subiu apenas em linha com as expectativas.

Em entrevista à Reuters na noite de quarta-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o BC precisa entender o impacto do crescimento na inflação para avaliar se ainda há espaço para corte residual nos juros básicos, complementando que dados na margem mostram inflação acima das expectativas.

Leituras de inflação mais altas poderiam barrar expectativas adicionais de cortes de juros pelo Banco Central, evitando nova deterioração nas análises de risco/retorno para o real. (Reuters)