Ibovespa fecha em alta em dia de recuperação
O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (14), após três quedas seguidas, com Itaú Unibanco entre os principais suportes, em mais um pregão marcado pela repercussão de resultados corporativos, incluindo os números de Banco do Brasil, CSN e Braskem.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,72%, a 178.365,86 pontos, após acumular um declínio de 3,8% nos primeiros pregões da semana, fechando na véspera em uma mínima desde 20 de março.
Na máxima da sessão desta quinta-feira, chegou a 179.475,97 pontos. Na mínima, a 177.103,81 pontos. O volume financeiro somou R$30,1 bilhões.
Wall Street corroborou a recuperação local, com o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrando o dia em alta de 0,77% e renovando máximas.
O alívio nos rendimentos dos Treasuries e acomodação dos preços do petróleo também apoiaram a melhora na bolsa paulista, um dia após o humor no pregão azedar com noticiário envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O Ibovespa caiu quase 2% no pior momento na véspera após a revelação pelo site The Intercept Brasil de conversas entre Flávio e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre pagamentos milionários para financiar um filme sobre a vida do pai do parlamentar, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda na quarta-feira, Flávio negou que tenha cometido qualquer irregularidade em sua relação com o ex-banqueiro.
Na visão do superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, a bolsa brasileira refletiu nesta sessão ajustes à reação “um pouco exagerada” da véspera à notícia sobre Flávio e Vorcaro e seus potenciais desdobramentos.
Ele destacou que o Ibovespa tem experimentado um ajuste mais recentemente, em parte sustentado pela saída de capital externo, mas a perspectiva ainda é positiva para as ações brasileiras. ltr
Destaques
• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,94%, em pregão de ajuste positivo no setor após fortes perdas na véspera. BRADESCO PN subiu 1,08% e SANTANDER BRASIL UNIT fechou com elevação de 0,44%.
• BANCO DO BRASIL ON zerou perda da abertura e chegou a trabalhar com sinal positivo, mas fechou estável, um dia depois de cortar a projeção de lucro para 2026 para um intervalo de R$18 bilhões a R$22 bilhões, em meio a uma queda de mais de 50% no lucro líquido ajustado do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recuou para 7,3%. Executivos do BB destacaram nesta quinta-feira que o banco aposta no crédito à pessoa física para melhorar a rentabilidade, principalmente nos segmentos de alta renda e no crédito consignado, enquanto ainda enxerga um cenário pressionado para a carteira do agronegócio. Na mínima mais cedo, o papel caiu 4,9%.
• PETROBRAS PN valorizou-se 0,96% e PETROBRAS ON avançou 0,82%, também reagindo após declínio mais forte na véspera, em dia de trégua na alta recente dos preços do petróleo, com o barril sob o contrato Brent terminando o dia com acréscimo de 0,09%, a US$105,72 por barril.
• VALE ON caiu 1,7%, após acumular alta de mais de 3% desde o começo da semana. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou as negociações do dia estável. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA subiu 7,97% e GERDAU PN fechou em alta de 1,16%.
• CSN ON avançou 4,71%, após mostrar Ebitda ajustado de R$2,6 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 5,5% na base anual, em linha com a expectativa dos analistas. Em teleconferência, o diretor financeiro disse que a CSN recebeu mais interessados do que o inicialmente esperado para o processo de venda de ativos, que inclui o controle da cimenteira do grupo e participação em operação logística. A empresa mantém expectativa de concluir a venda da CSN Cimentos no terceiro trimestre.
• HYPERA ON avançou 3,54%, endossada por “upgrade” de analistas do Citi, que elevaram a recomendação da ação da farmacêutica para “compra” e o preço-alvo para R$28, de R$26 anteriormente.
• C&A ON e LOJAS RENNER ON subiram 5,84% e 4,41%, respectivamente, também apoiadas pelo movimento nos DIs.
• BRASKEM PNA perdeu o fôlego e fechou em queda de 0,49%, após um começo de semana com forte valorização. Na noite da véspera, a petroquímica reportou lucro líquido de R$1,45 bilhão no primeiro trimestre, mais do que duplicando o resultado positivo obtido um ano antes. Em teleconferência sobre o balanço, o CEO afirmou que a empresa está tentando convencer stakeholders para ter acesso a mais capital de giro para gerar mais Ebitda.
• SLC AGRÍCOLA ON perdeu 1,59%, após reportar lucro líquido de R$236 milhões nos três primeiros meses de 2026, o que representa uma queda de 53,8% ante o resultado observado no mesmo período do ano anterior.
• CVC BRASIL ON, que não está no Ibovespa, caiu 11,27%, com o balanço também sob o holofote. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da operadora de turismo somou R$93,7 milhões nos três primeiros meses do ano, queda de 10,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
• CASAS BAHIA ON, que também não é do Ibovespa, recuou 9,31%, após reportar prejuízo líquido de R$1,06 bilhão no primeiro trimestre, pressionado pelo resultado financeiro, enquanto o desempenho operacional mostrou evolução. O CEO afirmou que está adotando uma estratégia conservadora, destacando que o cenário “macro está mais desafiador do que o pessoal imagina”.
Conteúdo distribuído por Reuters
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