Na sessão de ontem, índice de referência do mercado acionário brasileiro registrou baixa de 1,57%, indo a 101.215,87 pontos | Crédito: Amanda Perobelli/Reuters Usada em 18-03-20 Usada em 22-06-20

São Paulo – O Ibovespa fechou em baixa ontem, com as ações do Itaú Unibanco como maior queda do dia após resultado trimestral e receios sobre mudanças que podem limitar juros cobrados pelos bancos, em sessão ainda marcada por venda de ações da Vale pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,57%, a 101.215,87 pontos. No pior momento, chegou a 100.004,50 pontos. Mais cedo, na máxima, flertou com o território positivo, a 103.011,50 pontos.

O volume financeiro na bolsa totalizou R$ 40,25 bilhões, ante média diária de R$ 29,1 bilhões no ano.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Gustavo Montezano, afirmou em uma rede social ontem que o banco levantou R$ 8,1 bilhões com a venda de um bloco de ações da mineradora Vale a R$ 60,26 cada.

Em Brasília, líderes do Senado decidiram votar amanhã o projeto que limita juros de cartão de crédito e do cheque especial. No centro da discussão estão o tempo de vigência do teto e os critérios para que seja estabelecido.

No exterior, Wall Street encerrou em alta após sessão instável, contrabalançando aumento de tensão nas relações entre Estados Unidos e China envolvendo o aplicativo TikTok e expectativas de mais estímulos econômicos.

Destaques – O Itaú Unibanco PN caiu 5,83%, após queda de 40% no lucro do segundo trimestre. O presidente-executivo do banco afirmou ver a inadimplência no Brasil atingindo em 2021 níveis mais elevados do que em crises anteriores. Ele também disse que não vê o ROE do banco retornando ao patamar de 20%. No setor, Bradesco PN também recuou (- 2,07%).

Já o papel Vale ON avançou 0,73%, como maior alta da sessão, em meio à venda de suas ações pelo BNDES. Segundo o presidente do banco, Gustavo Montezano, a transação representa o maior block trade da história da América Latina.

A CVC Brasil ON fechou em queda de 5,4%, com agentes ainda digerindo divulgação da véspera sobre ajustes no valor de R$ 362 milhões no balanço de 2019, após processo de revisão de resultados em razão de distorções contábeis, em meio a um ambiente ainda desafiador para o setor.

Cogna ON perdeu 5,73%, no terceiro pregão seguido de queda, após estreia decepcionante das ações da subsidiária Vasta na norte-americana Nasdaq na última sexta-feira. Até a precificação do IPO da Vasta, os papéis da Cogna acumulavam em julho elevação de mais de 40%. Nos EUA, a Vasta recuou 5,15%, negociada abaixo do preço de US$ 19 do IPO. (Reuters)

BNDES apura R$ 8,1 bi com venda de ações da Vale

Rio de Janeiro – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) levantou R$ 8,1 bilhões com a venda de um bloco de ações da mineradora Vale a R$ 60,26 cada ontem, disse o presidente da instituição em uma rede social.

Segundo Gustavo Montezano, a transação representa o maior block trade da história da América Latina.

Ele ressaltou que o preço de venda ficou estável ante o valor de fechamento do dia anterior e 4% abaixo da máxima histórica.

“Mais importante do que as cifras desse marco histórico é ter o BNDES se reposicionando e voltando suas energias, conhecimento e recursos para o desenvolvimento social e ambiental do nosso País”, disse Montezano em publicação no LinkedIn.

“O que muda para nossas crianças se o BNDES perde ou ganha 10% especulando na bolsa de valores? O que isso melhora nosso meio ambiente?”, acrescentou o executivo.

As cifras confirmaram o que já havia sido noticiado pela Reuters, citando uma fonte.

Essa fonte disse, sob condição de anonimato, que a participação do BNDESPar – braço de participações do banco – na Vale deve cair de 6,3% para cerca de 3,7%.

O movimento do banco ocorre antes do encerramento de um acordo entre grandes acionistas da mineradora, entre eles os fundos Previ e Petros, como parte de um processo para deixar a empresa com capital pulverizado, melhorando a governança corporativa. Esse pacto termina em novembro.

Em 30 de junho, o BNDESPar detinha cerca de 206 milhões de ações da Vale não vinculadas ao acordo de acionistas e outras mais de 117 milhões vinculadas ao acordo.

“A função do BNDES é, sim, gerar muito lucro para nossa sociedade: lucro ambiental! Lucro social! O lucro sócio-ambiental muda uma nação. É por isso que esse banco foi fundado e é para isso que estamos aqui!”, concluiu Montezano. (Reuters)

Dólar encerra em queda com perda de vigor no exterior

São Paulo – O dólar fechou em queda ante o real ontem, abandonando alta de 1,20% no começo do dia na esteira da perda de vigor da moeda no exterior, com investidores de olho nas negociações sobre novo pacote de estímulos nos Estados Unidos.

O dólar à vista caiu 0,57%, a R$ 5,2838 na venda. Na máxima, foi a R$ 5,3781, antes de na mínima tocar R$ 5,2833 (-0,58%). Na B3, o dólar futuro recuava 0,73%, a R$ 5,2910.

No exterior, o índice do dólar frente a uma cesta de moedas de países ricos caía 0,31% no fim da tarde, após subir 0,33% na máxima do dia. Analistas debatem se mais uma rodada trilionária de estímulos nos Estados Unidos (EUA) poderia elevar ainda mais expectativas de inflação e empurrar os rendimentos reais dos Treasuries para níveis ainda mais negativos – prejudicando o status do dólar como moeda forte.

 

Reunião do Copom – No Brasil, analistas monitoram ainda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a política monetária, com estimativa de consenso de novo corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic, para mínima recorde de 2,00% ao ano, mas sinalização de barra mais alta para reduções adicionais.

Isso ajudaria a conter a queda dos retornos da renda fixa brasileira (que atualmente oferece taxas mais baixas do que as de outros mercados emergentes), dando algum suporte a expectativas de retorno de ingresso de dólares para investimentos em carteira -o que elevaria a oferta de moeda no mercado doméstico e poderia baixar o preço do dólar.

 

Peso mexicano – Por ora, analistas do Morgan Stanley ainda preferem evitar posições em real contra o dólar, mas veem upside (espaço para alta) ante o peso mexicano.

“A dinâmica de crescimento (econômico do Brasil) continua favorecendo o real, onde o consenso começou a reconhecer o Brasil como tomando a frente da recuperação econômica e melhorando as projeções para o PIB deste ano, com base na pesquisa Focus. Esse não é o caso do México”, disseram profissionais do banco norte-americano em relatório.

“Junto a isso, nossa estrutura quantitativa aumentou recentemente a alocação de reais na esteira da melhora do impulso nos mercados de ações”, acrescentaram.

O real subia 1,1% contra o peso mexicano ontem, quando a moeda do México perdia 0,6% ante o dólar. (Reuters)