Loovi prevê triplicar base de clientes e receita em 2026
A insurtech Loovi, criada em Belo Horizonte, se prepara para um novo ciclo de crescimento após obter autorização definitiva da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A liberação marca uma virada estratégica para a empresa, que agora projeta expansão acelerada, ampliação do portfólio e a chegada de um aporte na casa dos R$ 100 milhões, ainda em 2026.
Segundo o CEO da empresa, Quézide Cunha, o novo status regulatório, que se comparado ao modelo tradicional seria o de uma corretora, além de deixar o caráter provisório, elimina restrições que limitavam a atuação da Loovi durante o período de testes no modelo sandbox. “Agora não temos mais limitação de usuários ou de produtos. O céu é o limite para a gente”, afirma.
A título de conhecimento, o modelo sandbox é um ambiente regulatório experimental seguro e isolado, utilizado na tecnologia para rodar softwares, códigos ou arquivos sem colocar em risco o sistema principal. Ele simula ambientes reais, permitindo experimentos sem que alterações ou falhas afetem o restante da rede, computador ou plataforma. No caso da Loovi, a empresa ficou neste formato de regulação provisória por três anos, até conseguir a aprovação definitiva.
Com isso, a Loovi entrou no radar de investidores e já negocia um investimento de grande porte, estimado em R$ 100 milhões. Embora o valor ainda não tenha sido divulgado, Cunha confirma que o anúncio deve ocorrer em breve. “Agora que não há mais dúvidas sobre a continuidade da operação, os investidores começaram a nos procurar. Estamos conversando há algum tempo e devemos anunciar este investimento em breve”, diz.
A expectativa de crescimento é ambiciosa. De acordo com Cunha, a empresa pretende triplicar de tamanho até 2026, tendo como base o faturamento de R$ 77 milhões registrado no ano passado. A meta esperada, segundo ele, é multiplicar por três tanto a receita quanto a base de clientes, que ele preferiu ainda não informar.
A autorização também abre caminho para a diversificação. Até então focada principalmente em seguro automotivo, a Loovi já estuda a possibilidade de lançar novos produtos. Entre as novidades em estudo estão: seguro para caminhões, seguro de vida, seguro para moto e seguro para celulares.
Segundo Cunha, a ideia é ampliar a presença em segmentos com baixa penetração no Brasil, mantendo o foco em acessibilidade e digitalização. “Essa é a vantagem do digital, hoje já estamos em 4,2 mil municípios, com presença em todos os estados brasileiros. Nossa ideia é democratizar o acesso ao seguro e com isso ampliar a base de clientes”, explica o CEO da Loovi.
Tecnologia e modelo de negócio
Fundada em 2019, a empresa nasceu a partir da percepção de que o mercado brasileiro de seguros ainda é pouco explorado, com 70% dos automóveis circulando sem seguro. A título de exemplo, em Minas Gerais, onde a frota é superior a 12 milhões de veículos, cerca de 8,5 milhões rodam sem seguro, o que foi entendido como uma grande oportunidade para a Loovi expandir sua base de segurados. Nesse cenário, a empresa tem se destacado ao oferecer apólices a partir de R$ 89 mensais.
O preço acessível é parte da estratégia que também aposta na tecnologia para simplificar e desburocratizar o acesso. O modelo da Loovi permite contratar seguros em poucos minutos, com pagamento recorrente, semelhante ao de serviços de assinatura. “A gente não compromete o limite do cartão de crédito. Nós mudamos a forma de entregar o seguro. O produto é o mesmo, mas a experiência é completamente diferente”, explica Cunha.
Com sede em Belo Horizonte, a empresa não pretende mudar ou ampliar as unidades físicas para fora da cidade. “A gente nasceu em Minas e defende esta história de devolver para onde veio. Além disso, queremos inovar sem reproduzir práticas antigas do mercado”, afirma o CEO.
Executivos Loovi
Outro pilar da expansão é o modelo de “executivos Loovi”, que capacita pessoas comuns para vender seguros em suas comunidades. A iniciativa já reúne milhares de participantes e, segundo Cunha, gera renda significativa para parte deles.
A proposta reforça a ideia defendida pela empresa de ampliar o acesso ao seguro, especialmente entre públicos que nunca tiveram cobertura. “Mais de 80% dos nossos clientes nunca tiveram seguro. Isso mostra o tamanho do mercado que ainda existe para crescer”, conclui Cunha.
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