Lucro da Energisa cai 46,9%, mas investimentos avançam 17% no trimestre
O Grupo Energisa encerrou o primeiro trimestre deste ano com retração de 46,9% no lucro líquido consolidado recorrente, passando de R$ 390 milhões no mesmo período de 2025 para R$ 207 milhões. Por outro lado, a companhia mineira registrou R$ 1,55 bilhão em investimentos, o que representa avanço de 17% frente aos três primeiros meses do ano anterior, quando foram aportados R$ 1,32 bilhão.
A ampliação dos investimentos foi puxada, principalmente, pelo segmento de distribuição, com aumento de 25,6% e foco no crescimento da capacidade instalada. O desempenho também foi impulsionado pela assinatura antecipada dos contratos de renovação, por mais 30 anos, das concessões de quatro subsidiárias nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Sergipe, oficializados na última sexta-feira (8).
Procurada pela reportagem, a companhia explica que o recuo no lucro líquido reflete principalmente o aumento das despesas financeiras líquidas, em um cenário de juros elevados e maior custo da dívida. “Mesmo diante desse ambiente macroeconômico mais desafiador, seguimos com uma estratégia disciplinada de capital, baseada na gestão ativa do passivo e na preservação do equilíbrio financeiro da companhia”, garante.
Já o resultado financeiro da empresa fechou com despesa líquida de R$ 1,03 bilhão, valor 67,8% acima do observado no mesmo período do ano passado, quando o montante foi de R$ 614 milhões. Quanto ao Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado recorrente, a Energisa apresentou avanço de 6,6%, passando de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,9 bilhão.
O resultado foi impulsionado pelo aumento da receita líquida, que subiu de R$ 6,8 bilhões para R$ 7,3 bilhões, alta de 7,6% no período analisado. Outro fator relevante foi o crescimento de apenas 1,6% nas despesas operacionais com pessoal, material, serviços de terceiros e outras despesas (PMSO), abaixo da inflação acumulada no período (4,14%), evidenciando a busca contínua por eficiência e gestão de custos gerenciáveis.
Visando manter a saúde financeira e o rígido controle da alavancagem, o grupo possui robusta posição de liquidez, mantendo cerca de R$ 15 bilhões em caixa. De acordo com a empresa, esse montante é suficiente para cobrir quase três anos de vencimentos da dívida. Vale lembrar que o endividamento líquido avançou 26,8%, passando de R$ 26,2 bilhões para R$ 33,2 bilhões.
Além disso, a companhia também vem alongando vencimentos de curto prazo por meio de opções mais longas e com melhores condições financeiras. Em abril deste ano, foi assinado memorando de entendimento com o banco Itaú para aporte de até R$ 1,4 bilhão em ações preferenciais de uma das subsidiárias do grupo.
Setor de distribuição e transmissão de energia

As nove subsidiárias do Grupo Energisa que atuam na área de distribuição de energia elétrica, principal negócio da companhia, somaram lucro líquido de R$ 652 milhões entre janeiro e março de 2026, o que representa redução de 33,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o resultado foi de R$ 981 milhões. As empresas também apresentaram retração de 4,9% no Ebitda combinado, que passou de R$ 2 bilhões para R$ 1,9 bilhão.
Por outro lado, o Ebitda ajustado recorrente ficou em R$ 1,7 bilhão, o que representa crescimento de 7,3% na comparação com o primeiro trimestre de 2025, quando o valor foi de R$ 1,5 bilhão. Já a receita líquida ajustada das distribuidoras, desconsiderando o Valor Novo de Reposição (VNR) e a receita de construção, aumentou 6,7%, encerrando o período em R$ 7,9 bilhões.
Além disso, a taxa de arrecadação consolidada, que mede o percentual de contas pagas pelos clientes, alcançou 97,2% — melhor resultado da série histórica para um primeiro trimestre. O desempenho foi impulsionado pelo uso de inteligência analítica nas cobranças e favorecido pela isenção tarifária para famílias de baixa renda por meio da Medida Provisória (MP) nº 1.300/2025.
“Seguiremos diligentes nessa frente, dando início hoje a uma nova campanha de negociação de dívidas nos moldes do Desenrola 2.0 do governo federal”, afirma a Energisa.
As 12 empresas que integram o segmento de transmissão de energia fecharam o primeiro trimestre com queda de 35,8% no lucro líquido, que passou de R$ 157 milhões para R$ 101 milhões. A retração foi menos intensa na análise do Ebitda, que caiu de R$ 296 milhões para R$ 246 milhões, redução de 16,8% no período.
A Energisa Transmissão de Energia apresentou Ebitda regulatório de R$ 170 milhões, alta de 6,7% na comparação com os três primeiros meses de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo reajuste tarifário da Receita Anual Permitida (RAP), de 5,32% no ciclo 2025/2026, e pela entrada em operação de novos ativos. A margem do Ebitda regulatório foi de 87%, alta de 1,9 ponto percentual (p.p.) em um ano.
(re)energisa e demais empresas do grupo
A (re)energisa, unidade voltada ao segmento de energia sustentável e mercado livre para residências, saiu de um prejuízo líquido de R$ 51 milhões no início do ano passado para R$ 17 milhões neste ano, redução de 65,9%. A empresa também passou de um Ebitda negativo de R$ 11 milhões para um resultado positivo de R$ 64 milhões em 2026.
A companhia possui capacidade instalada de geração distribuída de 473 megawatts-pico (MWp) em 126 usinas solares fotovoltaicas. A subsidiária registrou ainda aumento de 8,4% no Ebitda das operações de geração distribuída, encerrando o período em R$ 47 milhões, refletindo a estratégia comercial e operacional orientada ao aumento da rentabilidade dos ativos.
Além disso, a base de clientes gerando receita se mantém como a maior da história da geração distribuída, com aumento de 25,4% em março de 2026 frente ao mesmo mês do ano anterior.
As operações de distribuição de gás natural da Energisa, que incluem a ES Gás e a Norgás, somaram lucro líquido de R$ 13 milhões e alta de 48,7% no Ebitda, que passou de R$ 39 milhões para R$ 58 milhões no trimestre passado. O Ebitda ajustado do segmento fechou em R$ 97 milhões, dos quais R$ 58 milhões vieram da ES Gás e R$ 39 milhões da equivalência patrimonial da Norgás, representando incremento de 39% em um ano.
A margem bruta registrou avanço expressivo de 19%, alcançando R$ 230 milhões. O grupo possui rede combinada de negócios em crescimento que já chega a 4 mil quilômetros e atende 360 mil clientes em cinco estados.
Já a unidade de biometano da Agric, em Campos Novos (SC), recebeu autorização para comercialização do produto no dia 31 de março, após investimentos de R$ 110 milhões. A planta transforma resíduos agroindustriais em energia renovável de carbono zero e insumos agrícolas.
A fintech Voltz segue gerando valor e absorvendo sinergias, alcançando receitas totais de R$ 12 milhões no primeiro trimestre, o que representa crescimento de 54,5% no período. As despesas com PMSO foram reduzidas em 13,2%, enquanto o resultado financeiro apresentou crescimento de 203%, impulsionado pela expansão de 271% na posição de caixa em relação ao mesmo período do ano anterior.
Planos para o decorrer do ano

De acordo com a empresa mineira de energia, o resultado trimestral apresentado reforça a capacidade da companhia de manter o crescimento operacional em variáveis gerenciáveis e em um cenário macroeconômico e geopolítico desafiador. Para 2026, está previsto um investimento total de R$ 7 bilhões, com cerca de R$ 6,5 bilhões (92%) direcionados às distribuidoras de energia elétrica.
Esses aportes, segundo a companhia, terão como foco principal a modernização da rede elétrica, resultando em maior qualidade e segurança no fornecimento ao cliente. Além disso, 37% dos recursos destinados para distribuição serão aportados na realização de novas ligações, ampliando o acesso à energia e gerando impacto direto no desenvolvimento regional e na inclusão social das comunidades onde o grupo atua.
“A assinatura antecipada dos contratos de renovação de concessão de quatro distribuidoras de energia elétrica do Grupo Energisa por mais 30 anos (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Paraíba) contribuiu positivamente para a expansão do aporte previsto para 2026, em comparação a 2025”, acrescenta.
A companhia também prevê cerca de R$ 18 bilhões de investimentos nessas quatro concessionárias, que respondem por 46% do Ebitda da empresa, para os próximos cinco anos.
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