Inadimplência no banco atingiu 3,14%, alta de 0,68 ponto percentual em 12 meses, influenciada pelo atraso em pagamentos de habitação | Crédito: Charles Silva Duarte Usada em 23-08-19

Brasília – A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido de R$ 3,049 bilhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 37,8% em relação ao quarto trimestre de 2019. Na comparação com igual período de 2019, a retração chegou a 22,2%.

No caso do lucro líquido recorrente, que desconsidera efeitos extraordinários, houve crescimento de 21,2% sobre o quarto trimestre de 2019. Em relação ao primeiro trimestre de 2019, foi registrada queda de 7,5%.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias totalizaram R$ 5,8 bilhões no primeiro trimestre deste ano, estáveis frente ao apurado em igual período de 2019. As despesas administrativas somaram R$ 7,9 bilhões, redução de 1,7%.

O Índice de Basileia atingiu 18,7%, sendo superior em 7,7 pontos percentuais ao mínimo exigido de 11%. Esse percentual indica a capacidade do banco de emprestar, levando em consideração os recursos próprios e a ponderação de riscos de perdas. O índice é um conceito internacional definido pelo Comitê de Basileia.

Crédito – A carteira de crédito ampla (empréstimos mais as operações com títulos, valores mobiliários privados e garantias) da Caixa fechou com saldo de R$ 699,6 bilhões em março de 2020. Segundo a Caixa, essa carteira reverteu o movimento de queda e apresentou crescimento de 2% em relação ao primeiro trimestre de 2019, influenciada principalmente pelo avanço de 5,2% em habitação, de 1,2% em saneamento e infraestrutura e de 1,8% em crédito comercial para pessoa física, compensados pela redução de 17,1% na carteira comercial de empresas.

Segundo a Caixa, a participação do banco no crédito imobiliário do País é de 69,1%. A Caixa tem a liderança nesse tipo de contratação com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos.

O saldo da carteira de crédito habitacional cresceu 5,2% em 12 meses e chegou a R$ 470,4 bilhões em março de 2020, dos quais R$ 293,1 bilhões foram concedidos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 177,4 bilhões com recursos do banco.

No primeiro trimestre de 2020, foram contratados na Caixa R$ 7,4 bilhões no Programa Minha casa, minha vida, o equivalente a 66,5 mil unidades habitacionais.

Ainda no mesmo período, foram firmados um total de 9,7 mil contratos das novas modalidades de crédito imobiliário da Caixa (empréstimos indexados ao IPCA e prefixados), totalizando R$ 2,5 bilhões.

Inadimplência – O índice de inadimplência totalizou 3,14%, aumento de 0,68 ponto percentual em 12 meses, impactado, principalmente, pela inadimplência de habitação. Segundo o banco, o indicador ficou abaixo da média do mercado de 3,17%. A carteira habitacional apresentou inadimplência de 2,86% no primeiro trimestre de 2020, com crescimento de 1,05 ponto percentual em 12 meses.

O banco informou que não houve alterações no processo de apuração da provisão, recursos reservados para o caso de inadimplência, “bem como a constituição de provisão prudencial, considerando as características das operações da Caixa que são concentradas em operações de longo prazo, com garantias reais e com mais de 90% das operações classificadas em níveis de riscos entre AA e C (os mais elevados). A Caixa continuará acompanhando as operações de crédito em relação à evolução da pandemia de Covid-19”.

As despesas com provisão atingiram R$ 2 bilhões no primeiro trimestre, redução de 28,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O saldo de provisão correspondeu a 5% do total da carteira de crédito, semelhante aos níveis apresentados nos períodos anteriores. (ABr)

IPO de cartões pode ocorrer antes de seguros

São Paulo – A Caixa Econômica Federal avalia fazer a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da área de cartões antes da abertura de capital de sua unidade de seguros, invertendo o planejamento inicial, devido aos desdobramentos da crise do Covid-19, disse ontem o presidente do banco, Pedro Guimarães.

“Se não conseguirmos fazer o IPO da Seguridade até setembro, poderemos deixar a operação para 2021”, disse Guimarães a jornalistas durante teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre.

Segundo o executivo, a possível inversão nos planos pode ajudar investidores a terem uma visibilidade melhor dos negócios de seguros do banco, concentrados na Caixa Seguridade, já que acordos importantes da unidade terminam no começo de 2021.

A Caixa Seguridade pretendia concluir, no mês passado, sua estreia na bolsa de valores, com uma oferta de ações estimada em cerca de R$ 15 bilhões.

No entanto, com a crise econômica deflagrada pela pandemia do coronavírus, o IPO da companhia e de cerca de 30 outras empresas do País que pretendiam fazer o mesmo foram suspensos ou cancelados.

Nos meses e semanas antes de oficializar os planos de IPO, a Caixa Seguridade anunciou parcerias com outras seguradoras para diferentes áreas de negócios para valerem a partir do começo do próximo ano, após o fim do acordo vigente com a CNP Assurances.

De acordo com Guimarães, ao menos outras duas joint ventures da Caixa Seguridade serão anunciadas nas próximas semanas, e, para os investidores, ficará mais fácil entender o impacto dessas parcerias nos resultados futuros da empresa quando elas já tiverem entrado em vigor.

“Não estamos com pressa e não vamos vender as ações da Caixa Seguridade a qualquer preço”, acrescentou Guimarães. (Reuters)