Finanças

Renda fixa corporativa avança na B3 e soma R$ 2 trilhões no 1º trimestre

Estoque na B3 avançou 17% no primeiro trimestre deste ano, atingindo R$ 2 trilhões de saldo
Renda fixa corporativa avança na B3 e soma R$ 2 trilhões no 1º trimestre
O estoque de debêntures na B3 alcançou R$ 1,52 trilhão em março de 2026 | Foto: Divulgação B3

A B3 encerrou o primeiro trimestre de 2026 com alta de 17% no estoque de títulos de renda fixa corporativos em comparação ao mesmo período de 2025. O saldo, que considera as ofertas públicas, alcançou R$ 2 trilhões em março, impulsionado pelo crescimento de todos os produtos.

Os produtos de dívida corporativa são títulos emitidos por empresas que utilizam o mercado de capitais para captar recursos e financiar seus projetos. O volume inclui debêntures, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Notas Comerciais (NC).

“A renda fixa consolidou-se como o principal canal de financiamento das companhias brasileiras nos últimos anos. O avanço em todos os produtos reflete tanto o interesse das empresas de captar recursos via mercado de capitais quanto o interesse dos investidores nesses instrumentos”, explica o superintendente de produtos de Balcão da B3, Leonardo Betanho.

As debêntures, títulos emitidos pelas empresas que geram direito de crédito ao investidor, seguem como os papéis mais populares. O estoque de debêntures na B3 alcançou R$ 1,52 trilhão em março de 2026, o que representa aumento de 19% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o estoque era de R$ 1,27 trilhão.

As notas comerciais, títulos emitidos pelas empresas que representam promessa de pagamento pelo emissor, registraram aumento de 15% no período. O estoque saltou de R$ 71 bilhões, em março de 2025, para R$ 82 bilhões, em março de 2026.

O estoque de CRIs, instrumento de captação destinado a financiar projetos do mercado imobiliário, alcançou R$ 261 bilhões, o que significa aumento de 13% em comparação com março de 2025, quando o estoque era de R$ 230 bilhões.

Já o estoque de CRAs, títulos voltados para financiar operações da cadeia do agronegócio, alcançou R$ 176 bilhões, o que representa crescimento de 15% em relação ao mesmo período de 2025, quando o estoque era de R$ 153 bilhões.

Captação bancária

Em produtos de captação bancária, que são títulos emitidos por instituições financeiras, a B3 registrou crescimento de 16% no estoque. O montante registrado no fim de março foi de R$ 6,5 trilhões, contra R$ 5,6 trilhões em março de 2025.

Os números englobam os estoques de Certificado de Depósito Bancário (CDB), Recibo de Depósito Bancário (RDB), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito de Desenvolvimento (LCD), Letra Financeira (LF) e Depósito Interfinanceiro (DI).

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um dos instrumentos financeiros mais tradicionais do mercado brasileiro e o título de renda fixa mais adquirido pelo investidor pessoa física. O estoque de CDB na B3 teve crescimento de 11% no período, com R$ 2,8 trilhões em março de 2026, contra R$ 2,5 trilhões no mesmo período do ano passado. Já os RDBs registraram crescimento de 25% no estoque, que saltou de R$ 500 bilhões, em março do ano passado, para R$ 625 bilhões.

As Letras de Crédito, títulos emitidos por instituições financeiras direcionados ao financiamento de projetos em determinados setores, como agronegócio (LCA), mercado imobiliário (LCI) ou infraestrutura e inovação (LCD), também seguem entre os produtos mais populares entre os investidores. As LCIs somaram R$ 533 bilhões de estoque em março, alta de 24% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o estoque era de R$ 430 bilhões. As LCDs registraram crescimento de 21%, com R$ 18 bilhões em estoque, enquanto o estoque de LCA teve aumento de 6% e alcançou R$ 583 bilhões.

“O crescimento dos produtos de captação bancária confirma a tendência de que a renda fixa vem ganhando cada vez mais espaço no portfólio dos investidores brasileiros. Em um ambiente de juros em patamar elevado e de maior seletividade ao risco, esses títulos se tornam especialmente atrativos por combinarem previsibilidade, segurança e acesso facilitado”, comenta o superintendente de produtos de captação e crédito na B3, Bernardo Mello.

A Letra Financeira (LF), título que capta recursos de longo prazo e é mais direcionado a investidores institucionais, contabilizou aumento de 23% no estoque, com R$ 1 trilhão. Já o Depósito Interfinanceiro (DI) registrou crescimento de 23% no estoque, com R$ 852 bilhões.

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