O 1º Encontro das famílias investidoras - gestão para o patrimônio vai discutir, entre outros assuntos, o processo de sucessão - Crédito: Divulgação

Base da economia brasileira, as empresas familiares – independentemente do porte ou do setor – têm no seu cerne algo que as caracteriza e transforma a sua gestão: a família. Nem melhores ou piores; nem mais fáceis ou mais difíceis de conduzir, elas exigem conhecimentos e condutas específicas para garantir sua perenidade.

De pequenos negócios a líderes nacionais de extensas cadeias produtivas, as empresas familiares vêm buscando profissionalização e isso é determinante para os resultados da economia nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que 90% das empresas no Brasil ainda são familiares. Elas representam cerca de 65% do PIB e empregam 75% da força de trabalho do País.

Embora sejam consideradas a espinha dorsal da economia nacional, pesquisas também apontam, por outro lado, que a cada 100 empresas desse tipo, 70% não passam pela geração do fundador e apenas 5% conseguem chegar à terceira geração e 4% à quarta geração.

É nesse sentido que acontece o 1º Encontro das famílias investidoras – gestão para o patrimônio, promovido pela DLM Invista, no Hotel Fasano, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, nos dias 28 e 29 de novembro.

De acordo com o sócio da DLM Invista, Marcelo Castro Domingos, é comum a empresa sucumbir ao despreparo das gerações subsequentes ao fundador para lidar com o ambiente da família fusionado aos negócios. O desafio não é simples, mas é possível desde que a família se comprometa com um projeto empresarial construído.

“Ser uma empresa familiar não é nenhum demérito, ao contrário, apresenta algumas vantagens como a dedicação, a cultura fortalecida, a gestão das consequências. O que não pode acontecer é uma abordagem ineficiente, uma gestão não profissional”, ensina Domingos.

O foco do encontro está na gestão de patrimônio. Com esforços voltados, especialmente, para a produção e a venda, muitas não delegam atenção suficiente para a gestão do patrimônio. A questão vai desde a gestão dos investimentos líquidos até o planejamento sucessório, incluindo ferramentas de fusões e aquisições (M&A), estruturação imobiliária, gestão tributária e governança, entre outros temas.

“Cada família tem uma cultura – seja conservador, moderado ou ousado -, temos que fazer o trabalho de gestão do patrimônio conectado com essa cultura. Isso é importante para a satisfação do cliente. Esse é um mercado que mudou muito e vai mudar ainda mais. Nunca tivemos no Brasil, por exemplo, juros tão baixos. Então, quem continuar investindo como sempre fez não vai ter bons resultados. É importante diversificar e fazer uma gestão mais ativa”, destaca o sócio da DLM Invista.

Cerca de 35 empresas vão participar do evento, que já está com as inscrições esgotadas. O objetivo é que tenha outras edições, inclusive para empresas que não são clientes da consultoria. “As maiores já estão sensíveis a essa discussão e vamos poder aprofundar nos temas escolhidos com elas. Mas a gestão de patrimônio é para todo mundo. Para uma vida empresarial saudável e perene, o ideal seria que as empresas já nascessem com essas preocupações. Mas o mais importante é que nunca é cedo demais pra começar e buscar conhecimento e assessoria de profissionais especialista é determinante para o sucesso”, completa o executivo.

Fusões e aquisições devem ser consideradas

Fazer crescer o patrimônio da empresa é uma missão da liderança. Uma opção pouco pensada em um primeiro momento pelas empresas familiares, especialmente as menores, é a ferramenta de fusões e aquisições (M&A). Em 2017, o número de fusões e aquisições no Brasil cresceu 3,6%, movimentando cerca de R$ 138,4 bilhões em transações, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nas empresas familiares, ambos os processos têm sido verificados com bastante frequência e equivalência.

Segundo o sócio da Imeri Capital, Christiano Moyses, existem duas formas de lidar com o patrimônio da empresa. A primeira se dá quando o objetivo é criar valor. Isso acontece quando o empresário (ou grupo) quer reinvestir na empresa fazendo com que ela cresça, dando mais resultado. A segunda forma é quando ele quer recuperar o que já foi investido. Nesse caso ele força o resultado e pode vender parte ou toda a empresa.

“É muito difícil ter as duas situações ao mesmo tempo. Mas quando os sócios querem coisas diferentes surge o conflito. Falta às empresas familiares brasileiras, via de regra, uma agenda para discutir o tema das fusões e aquisições. É possível estruturar um caminho para empresas de qualquer porte”, afirma Moyses.

Os investimentos líquidos também merecem mais cuidados das empresas familiares, de acordo com a avaliação do sócio-diretor da DLM Invista, Lucas Radd. Eles são importantes em uma estratégia de composição patrimonial e existem diferentes veículos e estruturas eficientes para a gestão do patrimônio. Eles devem ter uma gestão especializada e diferente da dispensada às cotas da empresa ou a um imóvel, por exemplo.

São diversas opções como previdência privada, fundos, sucessão em vida, entre outras, que precisam ser analisadas de acordo com o perfil, momento vivido pela empresa e projeções futuras, dentro de um planejamento acordado.

“As famílias precisam preparar a própria empresa e os seus sucessores também para a gestão dos investimentos financeiros. Como o próprio nome diz, eles são os que mais facilmente se transformam em dinheiro vivo, mas uma má gestão pode travar todo o processo”, explica Radd.