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Empresários e empreendedores do mundo inteiro enfrentam o que está se tornando a maior crise já vista por gerações. A pandemia do Covid-19 vem derrubando bolsas e ameaçando a saúde de negócios dos mais diversos setores. No Brasil, a instabilidade política é um peso a mais na balança.

“Sempre que escuto que o brasileiro não está preparado para enfrentar essa situação pois não vem de guerras ou grandes desastres naturais, lembro que somos um país que mais viveu em crise do que fora delas. Temos um povo resiliente e criativo”, afirma Roque Almeida, fundador da Smart Consultoria, empresa que entregou mais de 530 projetos nos últimos 10 anos.

“Estudando e compilando dados, além de trocar muitas ideias com empresários e empreendedores nas últimas semanas sobre o que virá e mudanças de comportamento, tenho me posto a falar e escrever sobre estratégia neste novo mundo”, diz Almeida. Seguem algumas dicas relacionadas à gestão do fluxo de caixa:

1 – Liste todos os custos da empresa, defina quais são essenciais e quais são passíveis de redução ou corte

Os custos essenciais são aqueles fundamentais para o funcionamento do negócio. Se a sua empresa produz bolsas, por exemplo, não pode faltar a matéria-prima para produção, mas você pode analisar se esta matéria-prima não é vendida por outro fornecedor com um melhor custo-benefício.

Você também precisa manter a folha de pagamento dos seus funcionários, mas será que todos são essenciais? Então, talvez seja o momento de analisar a ociosidade da equipe e realizar alguns cortes, caso você não consiga fazer desligamentos nesse momento, o governo, junto aos bancos, disponibilizou o empréstimo voltado para manutenção da folha de pagamento por até dois meses, com taxa de 3,75% a.a.

Análise todas as opções!

2 – Foque na manutenção da receita

Fundamental manter um bom relacionamento com os clientes e usar técnicas de negociação, a fim de manter os contratos ativos. Acrescentar novos produtos ao contrato original, pode ser uma boa alternativa para gerar valor ao cliente. Ele precisa ter a percepção que o seu produto/serviço é essencial.

3 – Renegocie com os fornecedores

O momento exige coragem para negociar com os fornecedores abertamente. No entanto, é preciso, também, ser humano e parceiro entendendo as particularidades de cada um. Afinal, depois da crise esses fornecedores vão se lembrar de como foram tratados. O momento é difícil para eles assim como para você.

4 – Mantenha o fluxo de caixa atualizado

Em um cenário de tantas incertezas, você precisa ter a projeção de caixa sempre atualizada. A frequência deve ser diária e com máxima previsibilidade possível, não dá mais para olhar apenas para o próximo dia, semana ou mês. Tente fazer previsões de no mínimo 90 dias, mas o ideal é conseguirmos olhar para os números de pelo menos seis meses.

5 – Projete vários cenários

Importante que você consiga prever o que pode acontecer com seu negócio sob a perspectiva de diversos cenários. Na Smart, por exemplo, estamos desenvolvendo junto aos nossos clientes no projeto “Gestão de Crise” a construção e análise de 21 cenários, na qual indicamos 21 possíveis saídas.

Ao projetar os cenários é importante que você tenha pelo menos três conjuntos de premissas diferentes para o negócio, por exemplo: “E se eu contratar parte da minha equipe como prestador de serviço? E se eu transformar meu negócio em uma plataforma totalmente digital? E se parte da equipe se associar ao meu negócio?”

Criadas as premissas, busque analisar os cenários de cada premissa: E seu vender durante três meses apenas 20%? E se eu não vender nada?

Assim, você irá ter previsibilidade de vários cenários e tomará decisões mais assertivas.

6 – Mensure a necessidade de capital de giro

Avaliados todos os cenários, é possível que você identifique que não terá disponibilidade de caixa suficiente para arcar com seus pagamentos. O ideal é montar um caixa mínimo que permita três ou quatro meses de vendas zero. Então, você deve avaliar as opções de captação de recursos junto aos bancos comerciais, de fomento, parceiros e até pessoas próximas com juros em condições especiais.

7 – Analise todas as opções de mercado para captação desses recursos

Fuja das taxas altas! Cuidado para não tomar recursos de terceiros com taxas abusivas. Alguns bancos comerciais estão oferecendo taxas que só adiam a descontinuidade do negócio. Portanto, é importante analisar as taxas efetivas, prazos de pagamentos (que sejam superiores a 12 meses) e que, de preferência, ofereça carência de pelo menos três meses.

8 – Aproveite as oportunidades de postergação dos tributos

O governo historicamente tem programas de refinanciamento de tributos em condições especiais, algo do tipo deve ser proposto em breve em função da situação do País, dos estados e municípios.

9 – Busque formas alternativas de gerar receita

Crie produtos novos e saia da zona de conforto. Um dos nossos clientes por exemplo, que por natureza é uma fábrica de uniformes, está produzindo máscaras de tecido. O momento é de se reinventar.

10 – Faça uma boa gestão do seu estoque

Não é o momento para acumular estoque. Estoque parado por muito tempo são bens geradores de diversos custos diretos e indiretos, portanto é importante fazer os controles físicos e sistêmicos, a fim de ajustar o estoque aos níveis de venda atual.

11 – Cuide da inadimplência

Em tempos de crise é previsto que a inadimplência aumente. Quando você presta um serviço recorrente, certamente você tem custos atrelados a este serviço que também são recorrentes e se o seu cliente não te paga, isso pode significar a solvência do negócio.

Então, é importante que na formação do preço, inclua-se os custos associados a uma possível inadimplência. Se você não se precaveu em deixar esta margem, é importante negociar de perto com esses clientes, de forma a receber os valores e não perder o cliente.

12 – Fique atento ao mercado

Surgirão muitas oportunidades, como por exemplo novos produtos e pessoas no mercado que não estavam disponíveis antes, aproveite todas que agreguem valor ao seu negócio!

13 – Reinvente-se

Pense em novos modelos de negócios com mais sócios, modelos associativos e cooperativos; é o momento de juntar forças para fazer a diferença. (Da Redação)