Assinatura digital não é realidade entre as empresas
Crédito: Pixabay

Emerson Feliciano*

O assunto mais comentado neste último trimestre de 2020 certamente tem sido as eleições nos EUA. Temos tanto a falar sobre isso, sobre a repercussão dessa conquista no mercado de trabalho e no mundo corporativo… Afinal, as maiores empresas não são as norte-americanas?

Este é o objetivo do meu artigo: comemorar que, pela primeira vez na história, temos uma mulher negra, Kamala Harris, na vice-presidência do país mais poderoso do planeta.

Mas o que isso tem a ver com a minha pauta diária, sempre voltada para o contexto corporativo?

Amigos e amigas, eis uma questão que me consome e tira meu sono – e a partir de hoje espero que tire o seu também: você já teve uma chefe negra? Você conhece alguém que teve uma chefe negra? Você acha que um dia terá uma chefe negra?

Eu poderia parar o meu artigo por aqui. Do meu ponto de vista, já dei bastante insumo para reflexão. Mas vou continuar.

As nossas colegas do site Finanças Femininas (financasfemininas.com.br) reproduzem parte de um estudo chamado “Panorama Mulher 2019”, realizado pela Talenses e pelo Insper, que revela o seguinte: entre os cargos de presidente de 415 empresas, 95% são ocupados por homens brancos ou mulheres brancas. Nas organizações presididas por mulheres, há apenas uma mulher negra no cargo, nenhuma ocupando a vice-presidência ou conselho, e apenas 1% faz parte da diretoria.

Os colegas mais informados podem me lembrar que existe a Rachel Maia, que comandou a Pandora e a Lacoste, existe a Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta… Ah, tem a… Vamos lá, diretoria, me deem nomes para que eu possa encher pelo menos minha mão direita.

É… não tem!

Como você viu, até existem, mas são tão poucas e pulverizadas que ficam fora das estatísticas e da mídia especializada.

Por isso a minha exaltação do início deste texto. Quando uma mulher negra conquista a vice-presidência de um país, e esse país é a maior potência mundial, todos os cidadãos do mundo que anseiam por mudanças precisam comemorar.

Aprendi com a filósofa e jornalista Djamila Ribeiro, negra (vale ressaltar! Afinal, quantas filósofas e/ou jornalistas negras você conhece? Mas isso é papo para uma outra pauta), que, como homem, não tenho “lugar de fala” para escrever sobre as dores das mulheres negras, e esse nem é o objetivo deste artigo. Djamila e tantas outras mulheres negras excepcionais têm tratado desse assunto com maestria. A intenção aqui é levantar a questão de que não cabe em uma mão o número de mulheres negras que conhecemos em cargos de chefia no mundo corporativo, e que o fato de agora existir uma vice-presidente num país tão poderoso é algo que nos dá sinais de um incrível progresso – que nos enche de esperança.

“Yes we can!” Esse grito permeou toda a campanha vitoriosa de Obama em 2008, e agora pode servir como uma reverência, uma homenagem e, principalmente, uma reflexão sobre a participação das mulheres negras na alta gestão do mundo corporativo. Minha adaptação para elas é: yes you can! Sim, vocês podem. É claro que podem!

*Treinador e mentor de carreira, idealizador do curso Mentoria P&D – Profissional e Diferenciado. Especialista em desenvolvimento executivo.