EUA tomam navio do Irã, que ameaça retaliar e não participar de negociação
Os EUA tomaram neste domingo (19) um cargueiro iraniano no Golfo de Omã – antes de entrar no Estreito de Ormuz -, que havia furado o bloqueio americano. Segundo Donald Trump, o destróier USS Spruance abriu um buraco na casa de máquinas do navio e os fuzileiros assumiram seu controle. O incidente ameaça encerrar a guerra.
“Hoje, um navio iraniano chamado Touska, com quase 275 metros de comprimento e pesando quase a mesma coisa que um porta-aviões, tentou ultrapassar nosso bloqueio naval, e não deu certo para eles”, escreveu Trump na sua rede social. O chefe do comando militar do Irã, Khatam al-Anbiya, acusou os EUA de violarem a trégua e prometeu retaliar.
O ataque ocorreu horas depois de Trump dizer que seus enviados viajariam nesta segunda, 20, ao Paquistão para retomar as negociações com o Irã. “Meus representantes estão indo para Islamabad”, disse. “Estamos oferecendo um acordo justo e espero que aceitem. Se não aceitarem, os EUA destruirão todas as usinas de energia e pontes do Irã.”
O Irã, que não havia decidido se enviaria uma delegação para o Paquistão, parece ter abandonado a ideia de negociar com os EUA. Pelo telefone, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse ao premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, que as ações de Trump aumentaram a suspeita de que os EUA repetirão padrões anteriores e “trairão a diplomacia”.
Suspense
Em outra ligação, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, disse ao chefe da diplomacia do Paquistão que as recentes ações, a retórica e as contradições dos EUA eram sinais de “falta de seriedade”. A agência de notícias estatal Irna afirmou que “não há perspectivas claras de negociações”.
No dia 8, após ameaçar “destruir uma civilização inteira” e atacar infraestrutura civil iraniana, Trump surpreendeu o mundo ao dizer que tinha negociações avançadas como o Irã e anunciou um cessar-fogo de duas semanas, um prazo para que a diplomacia pudesse resolver o conflito – se não for prorrogada, a trégua termina na quarta-feira.
A primeira rodada de negociações também ocorreu em Islamabad, no dia 12. Após uma maratona de mais de 20 horas, os dois lados não chegaram a um acordo. Desde então, o presidente americano já experimentou várias saídas. Disse que o conflito estava perto do fim, que os iranianos entregariam seu urânio enriquecido e reabririam o Estreito de Ormuz.
Crimes
O Irã negou quase tudo. Só aceitou reabrir o estreito, na sexta-feira (17), mas fechou novamente no dia seguinte, após Trump afirmar que manteria o bloqueio naval a portos iranianos – o que, na pratica, retira do Irã a importante receita da venda de petróleo.
Ontem, o porta-voz da chancelaria do Irã, Esmaeil Baqaei, disse que o cerco dos EUA é “ilegal e criminoso”. “O bloqueio não é apenas uma violação do cessar-fogo, mas também da Carta da ONU, constitui um ato de agressão e um crime de guerra”, disse Baqaei
Em Washington, Trump demonstrava uma mistura de otimismo com as negociações e ameaças de retomar a guerra. Ele disse que não será mais “bonzinho” e afirmou que a infraestrutura civil do Irã “será destruídas rapidamente”.
Em uma demonstração de como os EUA vêm improvisando no decorrer da guerra, Trump disse ontem que o vice-presidente, J.D. Vance não estava na equipe de negociadores, já que o serviço secreto não havia tido tempo de organizar a viagem. “É só uma questão de segurança”, disse o presidente.
Pouco depois, Mike Waltz, embaixador americano na ONU, disse que Vance não apenas viajará ao Paquistão como será o chefe da delegação, que terá ainda o genro do presidente, Jared Kushner, e o enviado de Trump ao Oriente Médio, Steve Witkoff.
Conteúdo distribuído por Agência Estadão
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