A pandemia do novo coronavírus está provocando mudanças em diversos setores da sociedade e feito com que as empresas pensem em novos processos e formas para atender os clientes e os colaboradores de forma mais humanizada.

A pandemia também provocou a aceleração de processos tecnológicos, como, por exemplo, a telemedicina, alternativa que poderá ser utilizada para dar agilidade e tornar os atendimentos mais confortáveis, evitar deslocamentos desnecessários e reduzir os custos com os planos de saúde, tornando-os mais acessíveis.

O assunto foi discutido, ontem, durante o painel “Os Desafios de Estar Bem nos Tempos Atuais” que integrou a programação do seminário #JuntosPelasEmpresasDeMinas, iniciativa do jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO.

Durante o encontro virtual, o diretor de Provimentos em Saúde da Unimed-BH, José Augusto, ressaltou que a empresa tem inserção significativa na sociedade com 1,3 milhão de clientes na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o que faz com que a Unimed tenha grande responsabilidade neste período de pandemia.

Segundo ele, a Organização das Nações Unidas (ONU) define a saúde como um estado dinâmico de bem-estar físico, mental e social, porém, a população não tem essa visão, e avalia a saúde somente pelo bem-estar físico, visão que precisa ser modificada.

“Nesse momento de crise, o bem-estar social e mental passou a ser altamente importante e as pessoas pararam para refletir sobre a vida e da condição de saúde. A Unimed entendeu que desde o início da pandemia era necessário cuidar das três dimensões, não oferecendo somente a assistência hospitalar”.

Além da contratação de pessoal, a empresa investiu na ampliação da rede de saúde, garantiu o pagamento de renda mínima de 70% aos médicos cooperados e a hospitais parceiros, investiu em treinamento dos profissionais sobre a melhor forma de enfrentar a situação e oferece assistência psicológica para todos os profissionais da linha de frente de enfrentamento ao Covid-19.

De acordo com Augusto, diante da crise, se tornou fundamental que as pessoas, no momento de isolamento, tivessem comodidade e conveniência, por isso, foi implantada a consulta on-line e já foram feitos mais de 15 mil atendimentos. A plataforma e a tecnologia foram repassadas para Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) o que contribui para o atendimento de toda a população.

“Conseguimos, com todas estas ações, nos tornar uma empresa na qual as pessoas acreditam mais”.

Ainda segundo o representante da Unimed, a pandemia provocará transformações na prestação de serviços de saúde e uma das modificações será o atendimento on-line, que poderá ser incorporado aos serviços.

“Assim como na alimentação e no transporte, a comodidade e a conveniência chegaram à saúde. As pessoas vão querer ser orientadas a distância, principalmente, por médicos conhecidos e vinculados e, esse tipo de assistência, confere um melhor resultado. Antes da pandemia, tínhamos dificuldades de oferecer este serviço e as pessoas tinham dificuldade em aceitar. Daqui para frente, este modelo pode ganhar espaço e será mais racional e econômico, podendo tornar os preços dos planos de saúde mais acessíveis para a população”.

Conexão digital – As mudanças também atingem a telefonia. O diretor-geral da Vivo Minas Gerais, Renato Gomes, explica que a Vivo tem grande responsabilidade e já enxergava a transformação digital como essencial para aproximar as pessoas e prestar serviços. Em tempos de pandemia, a conexão digital se tornou mais que essencial, sendo importante para levar conhecimentos de saúde, educação e entretenimento à população.

A empresa já desenvolvia várias ações internas de valorização, dos funcionários e das diversidades sejam sociais, étnicas, de idade ou gênero, o que foi importante para que no momento atual os funcionários se mantivessem empenhados.

“Quando chegamos nesse momento de crise, diferente e nunca vivenciado, estávamos fortes e preparados internamente. Fizemos um trabalho forte de apoio aos funcionários, parceiros comerciais e provemos apoio financeiro para garantir que esse parceiro levasse a mesma política para toda a cadeia, o que nos fortalece”.

Ainda segundo Gomes, a Vivo tem promovido diversas campanhas voltadas para o incentivo à convivência das famílias, estimulando as crianças a deixarem os eletrônicos para brincar. “São ações em que incentivamos a redução do uso dos serviços e estimulamos mais a convivência, tem tempo para tudo, e isso nos fortalece como marca”, disse.

Humanidade precisa desacelerar

A importância do estímulo à convivência, à valorização humana e do bem-estar foi ressaltada pela Terapeuta Corporal Certificada Antiginástica, Jaqueline Saraiva. Segundo ela, a humanidade está muito focada em bens materiais, o que é resultado do capitalismo, mas, em relação ao bem-estar, a população está doente e precisa desacelerar, o que a crise provocada pela pandemia fez com que muitos refletissem sobre o problema.

“Crise significa mudança. Nesse momento, temos a constatação real de que todo ser humano tem que desacelerar e pensar de maneira diferente. O ser humano está distante das pessoas e da natureza e muito próximo às máquinas, o que gera cansaço, falta de energia e queda da produtividade. Enquanto a sociedade desacelerou, a natureza está se regenerando e nos apontando o caminho da mudança”.

Ainda segundo Jaqueline, é preciso construir um novo modelo onde a vida seja prioridade e o Capitalismo Consciente pode ser um caminho. “Nós, seres humanos, precisamos refletir. Se não está bom para a humanidade, não é bom para o indivíduo. É preciso que as pessoas cuidem uma das outras e da natureza. Só assim teremos uma sociedade digna, fraterna, plena e abundante”.

Para o CEO da Holos, startup de saúde integral, Gustavo Souza, um dos desafios das empresas e da sociedade para ampliar o bem estar é facilitar o acesso aos serviços de saúde mental, isso, devido ao alto índice de estresse, ansiedade e depressão que acomete grande parte população e provoca diversos problemas, inclusive na produtividade dos trabalhadores.

“Observando todos estes problemas nas corporações, vi que é necessário organizar e levar as terapias holísticas para dentro do mercado coorporativo. De forma onde a gente consiga ajudar o funcionário e a equipe a reduzir essa estafa mental. As empresas, por outro lado, precisam investir nesse ecossistema e entender que trocar um funcionário que está com problemas, ao invés de proporcionar o tratamento, não é a solução, porque entrará outro com problemas também. Levar essas terapias às empresas e facilitar o acesso é o nosso trabalho, que tem gerado resultados muito positivos”, explicou.

Ele destaca que se a empresa quer manter a equipe saudável e produtiva é preciso investir na saúde mental. “A crise provocada pelo Covid-19 veio para mostrar a importância da saúde mental. Essa é uma pandemia da depressão e do medo, e vai gerar doenças. Vejo as empresas como agentes da transformação da sociedade, por darem vários recursos para a sociedade viver bem”.