Legislação

Frigorífico Santa Lúcia pede recuperação judicial após temporal destruir planta em Araguari

Empresa tenta renegociar dívidas e manter 350 empregos após paralisação de mais de dois meses
Frigorífico Santa Lúcia pede recuperação judicial após temporal destruir planta em Araguari
Foto: Divulgação/ Frigorífico Santa Lúcia

Após um temporal destruir a planta industrial do Frigorífico Santa Lúcia, em Araguari, no Triângulo Mineiro, no fim de 2025, o que causou a interrupção das atividades por mais de dois meses, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas, manter mais de 350 famílias empregadas e continuar a operação.

A solicitação foi feita perante a 1ª Vara Cível da Comarca de Araguari em 30 de abril, em conjunto com a Central Carnes e Frios, negócio que integra o mesmo grupo familiar. Na proposta, a direção e os sócios do empreendimento reafirmam que vão honrar os compromissos com credores, parceiros e produtores rurais, em um “plano que ainda será apresentado” pelo frigorífico.

Números do Santa Lúcia

  • +70 anos de história em Araguari;
  • +350 colaboradores diretos em atividade;
  • +1.500 clientes ativos no Brasil;
  • 12 mercados internacionais habilitados para exportação;
  • R$ 18,26 mi investidos em modernização (2023–2026);
  • 34,5% de crescimento médio anual nos 5 anos anteriores ao evento;
  • +2.000 m² de área industrial destruídos pela tempestade de 30/12/2025;
  • 72 dias de paralisação do abate após o evento climático.

Em comunicado, a indústria afirma que busca “reconstruir a operação por meio de maior aproximação entre frigorífico, produtores rurais, fornecedores, clientes, adquirentes, trabalhadores e pequenos empresários que dependem direta ou indiretamente da atividade econômica gerada pela empresa”, de forma a criar um “modelo mais sustentável, com fortalecimento da cadeia produtiva, maior circulação interna de recursos e retomada gradual da lucratividade da companhia”.

Diferentemente da falência, a recuperação judicial permite a renegociação de dívidas com proteção judicial, mantendo a operação em funcionamento. Até o momento, o pedido do frigorífico está sob análise. De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), não há prazo para o juiz examinar a questão e proferir a decisão.

Apesar disso, ainda conforme o TJMG, os “processos disciplinados nesta Lei e os respectivos recursos, bem como os processos, os procedimentos e a execução dos atos e das diligências judiciais em que figure como parte empresário individual ou sociedade empresária em regime de recuperação judicial ou extrajudicial ou de falência terão prioridade sobre todos os atos judiciais, salvo o habeas corpus e as prioridades estabelecidas em leis especiais”.

Chuva destruiu fábrica em poucas horas

Mais de 2 mil metros quadrados de área do Frigorífico Santa Lúcia, o que inclui os setores de abate, graxaria, miúdos, vestiários e sala de máquinas, instalados na rua Júlio César de Souza, 970, no bairro Bosque, em Araguari, foram destruídos em poucas horas na noite de 30 de dezembro de 2025, durante uma tempestade classificada como uma das maiores já registradas no município do Triângulo.

“O resultado: o abate ficou paralisado por 72 dias consecutivos e a desossa, por 12 dias, em pleno fim de ano. Mesmo assim, a empresa honrou integralmente salários e benefícios, uma folha mensal de aproximadamente R$ 1 milhão, usando recursos de caixa que estavam destinados a investimentos. Mais de 350 colaboradores diretos seguem em atividade, com remanejamento de equipes para as frentes de reconstrução”, afirma a indústria, em nota.

Frigorífico Santa Lúcia funciona desde 1950

Um dos maiores empregadores de Araguari, o Frigorífico Santa Lúcia teve início em 1950, quando Elpenor Veloso de Araújo assumiu as instalações do antigo Matadouro Industrial de Araguari (Mial) e instalou as primeiras câmaras frigoríficas da região. Em 1986, a empresa foi formalmente constituída sob o nome atual.

Ainda conforme o negócio, o grupo apresentou crescimento médio de 34,5% ao ano entre 2020 e 2025, e recebeu investimentos de cerca de R$ 18,26 milhões para modernização da planta e adequação regulatória exigidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Em 2024, a empresa lançou a marca premium Santa Grill, atualmente habilitada a exportar para 12 mercados internacionais e com mais de 1.500 clientes no Brasil.

Leia mais: Grupo Trebeschi recorre à recuperação judicial após acumular dívida de R$ 1,27 bilhão

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas