Legislação

Entidades articulam campanha para indicação de mulher negra ao STF

Movimentos sociais se articulam para pressionar Lula pela nomeação de uma jurista negra ao Supremo Tribunal Federal
Entidades articulam campanha para indicação de mulher negra ao STF
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Organizações do movimento negro estão planejando ações para pedir que a próxima indicação do presidente Lula (PT) para a vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) seja de uma pessoa negra, de preferência, uma mulher.

Os grupos querem chamar atenção do governo federal para a urgência do tema, uma vez que a indicação de uma candidata negra ao STF é algo inédito nos mais de 130 anos de existência da corte.

A Educafro, por exemplo, elabora uma carta com recomendações a serem apresentadas a Lula em parceria com outras entidades.

“A ideia é levarmos uma lista com 20 nomes ao todo, com sugestões de dez mulheres e homens negros de notório saber jurídico e apresentá-los ao presidente Lula”, diz Frei David, 68, fundador da Educafro. Com sede na capital paulista, a ONG se dedica a promover a inserção de pessoas negras e de baixa renda no ensino superior.

“O Brasil produziu, ao longo de sua história, uma tradição rica e consistente de saberes jurídicos negros, a qual o presidente Lula desconhece”, afirma David.

O movimento Mulheres Negras Decidem também está tentando uma agenda com a Secretaria-Geral da Presidência para discutir o tema. Fundado em 2018, o grupo luta pela inserção de mulheres negras na política institucional e está presente em 22 Estados.

O coletivo é autor da campanha “Ministra Negra Já!”, que “tem o intuito de visibilizar os feitos de um grupo de juristas negras”, conforme o comunicado em seu site. Com a rejeição do nome de Messias pelo Senado na última quarta (29), a campanha ganhou força.

Para Tainah Pereira, 32, coordenadora política do Mulheres Negras Decidem, “a luta por mais mulheres e pessoas negras na Suprema Corte é histórica e está diretamente relacionada ao aprofundamento da democracia”.

O Odara – Instituto da Mulher Negra tem realizado campanhas nacionais para a indicação de uma mulher negra ao STF desde 2023, ano em que a ex-ministra Rosa Weber deixou a corte. Em outubro de 2025, a campanha foi retomada após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo.

“Com a rejeição do nome de Messias pelo Senado, voltamos com força a exigir a quebra dessa exclusão histórica das mulheres negras nos espaços de poder no Brasil”, diz Joyce Souza, 34, coordenadora do projeto de enfrentamento à violência política de raça e gênero do instituto.

O desembargador do TRF 2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), William Douglas, 58, também está chamando atenção para o tema nas redes sociais, por meio da campanha “Uma Mulher Negra no STF”. O jurista, que trabalha há quase 30 anos com inclusão social e racial, defende a nomeação de uma magistrada negra para a Corte.

“Nunca me engajei tanto numa campanha como agora. O objetivo é criar visibilidade sobre a nomeação de uma mulher negra para o STF, uma vez que a pauta antirracista é uma pauta da sociedade”, diz Douglas.

Giovanni Harvey, 62, diretor-executivo do Fundo Baobá, defende a indicação do perfil de alguém que represente a maioria da população brasileira. A instituição se autointitula como “o maior fundo patrimonial brasileiro gerido por pessoas negras”, voltado para o enfrentamento do racismo e a promoção da equidade racial no país.

“Já passou da hora de uma mulher negra ser indicada. Não dá para termos um Supremo sem representar quase 60% do país”, afirma Harvey.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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