A Latam Airlines enfrenta dificuldades em consequência da pandemia do coronavírus | Crédito: Brian Bukowski - Wikimedia

São Paulo – A Latam Airlines, maior companhia aérea da América Latina, entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, tornando-se a maior empresa do setor no mundo a buscar uma organização de emergência como consequência dos impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

O pedido da Latam, que não inclui operações no Brasil, aconteceu poucos dias depois que a rival Avianca Holdings recorreu à Justiça para se proteger contra credores em um momento em que a demanda por viagens desabou.

A Latam incluiu no pedido de recuperação as subsidiárias no Chile, Peru, Colômbia, Equador e Estados Unidos. Além do Brasil, as operações do grupo na Argentina e Paraguai também não estão incluídas no pedido.

Uma das maiores companhias aéreas do mundo, a Latam afirmou que a equipe de gestão seguirá a mesma durante o processo de recuperação e que continuará operando sem nenhum impacto nas operações de passageiros ou de cargas, reservas, vouchers ou pontos de programa de milhagens.

O ministro da Economia do Chile, Lucas Palacios, disse ontem que não exclui um apoio do governo à companhia, mas não deu mais detalhes. Questionado sobre o pacote de ajuda de 9 bilhões de euros aprovado pelo governo alemão na segunda-feira para a Lufthansa, Palacios afirmou que o caso da companhia aérea alemã “é completamente diferente” da Latam.

“A Latam é uma companhia aérea internacional, tem ações negociadas nos Estados Unidos”, disse o ministro chileno. Em comunicado separado, o Ministério da Economia do Chile disse que a Latam é uma “companhia estratégica para o Chile” e que o governo vai considerar como poderá contribuir para a reestruturação da companhia.

No Brasil, a Latam tem negociado há semanas um financiamento de até R$ 2 bilhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e bancos privados. A companhia afirmou que poderá fazer um pedido de recuperação judicial também no Brasil se as negociações em torno da ajuda fracassarem.

No ano passado, a norte-americana Delta Airlines pagou US$ 1,9 bilhão por uma participação de 20% na Latam, tornando-se o segundo maior acionista da empresa.

Um plano para coordenação de rotas entre a América Latina e os Estados Unidos continua valendo, afirmaram as empresas. A Latam afirmou que o pedido de recuperação poderá acelerar o cronograma necessário para aprovações antitruste.
Antes do pedido de recuperação, a Latam cortou 1.800 funcionários de um total de 40 mil.

“Implementamos uma série de medidas difíceis para mitigar o impacto dessa disrupção sem precedentes no setor, mas, no fim das contas, esse caminho é a melhor opção para estabelecemos as bases certas para o futuro do nosso grupo de companhias aéreas”, disse o presidente-executivo da Latam, Roberto Alvo, em comunicado à imprensa.

Financiamento – A Latam afirmou que as famílias acionistas Cueto e Amaro, junto com a Qatar Airways, acertaram um acordo para um financiamento de até US$ 900 milhões para o grupo latino-americano e que está aberta a outros acionistas interessados em participar em financiamento adicional, “na extensão permitida por lei”.

A empresa informou que conta atualmente com cerca de US$ 1,3 bilhão em recursos disponíveis.

A Latam foi criada em 2012 pela fusão entre a chilena LAN, dos Cueto, e TAM, dos Amaro. A empresa tem encomendas de 44 aeronaves Airbus e sete Boeings e afirmou que vai buscar cancelar vários destes pedidos.

A companhia aérea afirmou que a Delta cancelou uma planejada compra de quatro Airbus A350 da Latam e que pagou US$ 62 milhões para encerrar o acordo.

A Latam tem US$ 7,6 bilhões em dívidas, incluindo US$ 460 milhões em empréstimos vinculados à subsidiária no Brasil. Na sexta-feira, a empresa teve nota de crédito reduzida pelas agências de classificação S&P e Fitch depois que informou que não pagou juros e principal de três tranches de uma dívida de US$ 1 bilhão relacionada ao financiamento de compras de novas aeronaves.

O banco de investimento Moelis & Co está negociando para representar detentores de cerca de US$ 3 bilhões em bônus da Latam, afirmou uma fonte. (Reuters)